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Aeroporto de Ilhéus agoniza
Por Roberto Rabat Chame
Criado 28/09/2008 - 01:15

Roberto Aguiari enviou uma mensagem usando o formulário de contato em
http://www.r2cpress.com.br/contact [1].

Prezado Roberto, abaixo segue texto que escrevi sobre a situação que vivi
ontem em meio a essa crise de nosso aeroporto.

13 Horas de Desrespeito

Foi a mais longa viagem de avião, São Paulo / Ilhéus, da minha vida.
Imaginemos tomar um táxi às 7:00 horas da manhã, de um bairro em São
Paulo, com destino ao Aeroporto de Congonhas, destino final Ilhéus, Bahia
(normalmente 2:00 horas de vôo) e chegar em casa às 22:30 horas.
Que o trânsito em São Paulo é um caos, com seus cruzamentos absurdos,
sua desorganização que nos obriga a fazer em 1:30 hora o que poderia ser
feito em 15 minutos - Ah isso já estamos acostumados. As filas de check-in
porque as companhias não querem ter funcionários para o atendimento, as
salas de embarque que mais parecem uma feira livre onde cada atendente
tenta gritar o número de seu portão, ou pior, a mudança de portão,
“devido ao reposicionamento da aeronave” – Ah isso é besteira, que
sujeito chato sou eu afinal? Que as poltronas dos aviões são tão
próximas de forma a você pensar qual tecido usar em suas vestimentas para
não sair com os joelhos arranhados ao final da viagem... Uma mesa de
refeição que não abre, uma poltrona que não reclina, aquela refeição
minguada anunciada com ares de cardápio francês... – Não, tudo isso é
o de sempre, não é mesmo? Afinal o importante é chegar em casa e logo.

Sim seria importante chegar logo, aliás seria o mínimo que se exige,
chegar no horário.

Mas não, na aproximação com Ilhéus, apesar de nós, meros mortais, de
nossas minúsculas janelas, avistarmos plenamente a pista do aeroporto, o
piloto nos informa que não há visibilidade e prosseguiremos para
Salvador, para revolta dos passageiros. Pior que isso? Minutos depois o
vôo seguinte pousa em Ilhéus sem problemas. Na chegada a Salvador todos
se preparam para desembarcar quando, no meio do desembarque, vem a
informação que os passageiros para Ilhéus deveriam permanecer a bordo.
Comemoramos! Doce ilusão. A essa altura já são 13 horas, ainda estamos
com aquele “pão com queijo”. Abastecimento da aeronave, novo plano de
vôo e nada de decolar. Os passageiros novamente voltam a ficar nervosos
com a demora. Depois de mais algum bate boca a decolagem ocorre por volta
das 14 horas. Mais alguns rodeios em torno de Ilhéus para então
conhecermos nosso próximo destino, Porto Seguro. Agora já eram quase 15
horas e estávamos no saguão aguardando nossa bagagem enquanto uma equipe
assustada e totalmente despreparada da companhia tentava conter a fúria
dos passageiros com respostas básicas para questões complexas: Onde
estaria a nossa dignidade, o respeito ao cliente, ou em último caso, ao
ser humano? Num banco de ônibus que parecia conseguir o impossível de ser
mais desconfortável que o dos aviões, sem direito a água ou comida, a 4
horas de casa?

Mas não foram 4 horas!

Na turba da confusão e do despreparo tomou-se mais uma hora antes de
sairmos de Porto Seguro. O relógio marcava 16 horas, a revolta passou dos
limites quando trancados dentro do ônibus esse não partia. O trajeto de
pouco mais de 250 km nos custou mais de 6 horas favorecido pelas
“maravilhosas” condições de nossas rodovias. Para piorar o ar
condicionado do ônibus que não tem janelas parou de funcionar. Mas
ficamos felizes afinal o ônibus não quebrou.

Finalmente chegamos a Ilhéus, mas ainda não era o fim!

Sim tivemos que atravessar nossa ponte em obras. Aliás, diga-se de
passagem, que no ritmo que vão as obras, estou apostando que a expedição
da NASA para marte, em 2030, sai antes da obra terminar. Aí se gastou mais
de 45 minutos.

Agora estamos em casa, houve quem chorasse de raiva ou de emoção por ter
vencido a essa aventura do desrespeito, muitos já haviam relaxado após
tanto estresse. Porém jamais devemos deixar nosso cansaço abrandar a
revolta que sentimos.

Na onda das teorias da conspiração ouvi de tudo durante essa longa
viagem. Os primeiros se revoltam contra o piloto, pobre mortal que apenas
cumpre determinações de segurança definidas pela cúpula da companhia
aérea. Os que conhecem mais de perto o problema culpam a própria ANAC,
DECEA, a burocracia enfim. Há quem pense nos interesses políticos da
eleição em curso, ou nos interesses privado/públicos do projeto de
construção do novo aeroporto. Ainda foi possível conjeturar sobre a mais
recente suspeita de organização cartelizada entre as companhias aéreas.
Por acaso os vôos da Gol pararam de arremeter nos últimos dias?

Pois é senhores, eu fui um dos integrantes do vôo TAM 3660 de São Paulo
supostamente com destino a Ilhéus. Vivi esse capítulo de 13 horas da
vergonha nacional.
Até quando vamos suportar isso?

Roberto Aguiari

robertoaguiari@globo.com [2]

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