1 – Deputados federais em missão oficial no Exterior copiam uns dos outros os relatórios de viagem. Explicação: a missão é a mesma, o relatório é o mesmo. Bem, se a missão é a mesma, por que gastar enviando mais de um deputado?

2 – O secretário de Energia do Governo paulista, José Aníbal, PSDB, sugere uma saída para evitar apagões: que as empresas liguem seus geradores na hora do pico. Naturalmente, para reduzir a poluição, as empresas trocariam seus atuais geradores a diesel por equivalentes a álcool (e, também naturalmente, alguém pagaria por isso). É uma solução genial: para evitar gastos com coleta de esgotos, que tal obrigar todo mundo a fazer fossas? E a cavar poços para buscar água?

3 – O surpreendente, no entanto, não é a sugestão esdrúxula do secretário da Energia de São Paulo. Surpreendente é ele continuar no cargo depois disso.

4 – O delegado-geral de Polícia Civil do Governo tucano paulista, Márcio Carneiro Lima, diz que suas forças não dão conta do crime e quer que os seguranças particulares atuem como policiais. Também ele continua no cargo!

5 – O secretário-geral recém-eleito do PT, Elói Pietá, ex-prefeito de Guarulhos, é investigado pelo Ministério Público por irregularidades administrativas, com prejuízos de R$ 30 milhões. Poupa-se tempo: já chega sob investigação.

6 – Jeter Ribeiro de Souza, que violou o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e imprimiu uma cópia do seu extrato para seus chefes no Governo, acaba de ser nomeado assessor da presidente Dilma Rousseff.

Como é?

O twitter oficial do Supremo Tribunal Federal pergunta quando Sarney vai sair. Não vai: o Mubarak do Maranhão fica. Mas quem fez a pergunta será punido.

É assim mesmo

Pior é o comentário de Sarney, na TV Senado (que você paga, caro leitor): disse que o twitter é uma honra, porque o compara ao grande Ronaldo.
Veja aqui a audácia de Sarney.

Quem manda seguir a lei?

João Carlos de Souza Correa, juiz da 1ª Vara de Búzios, RJ, foi apanhado por uma operação policial no Rio. Estava sem a carteira de habilitação; seu carro não estava emplacado. A agente de trânsito apreendeu o carro e recebeu voz de prisão, “por desacato”. O juiz que, sem documento de habilitação, dirigia um carro sem placas, foi liberado. A agente que cumpriu a lei foi autuada. Aprende!

Mínimo mínimo

O novo salário mínimo deve ser votado hoje. Um palpite deste colunista: apesar de todas as bravatas, de todos os ensaios de rebelião, o mínimo proposto pela presidente Dilma Rousseff (se não mudar até a hora da votação, é de R$ 545) será aprovado. Isso, claro, nada tem a ver com a argumentação de que as Prefeituras não aguentam pagar mais, que cada centavo extra no mínimo significa um volume total de não se sabe quantos bilhões, de que os nobres parlamentares não terão como justificar-se aos eleitores. Quem não tem vergonha de embolsar o aumento que os parlamentares se concederam não dá importância aos eleitores. O motivo é que há cargos no Governo ainda vagos. E quem votar contra a presidente sabe que será ignorado pela caneta presidencial na hora das nomeações.

A mulher que o trem matou morreu

Um festejado publicitário, leitor assíduo desta coluna, diz que normalmente os slogans não servem para muita coisa, exceto dar dinheiro a quem os cria e às gráficas encarregadas de preparar a nova papelada. Há slogans até em alemão – e quem entende alemão descobrirá que uma marca de automóveis usa, como lema, “o automóvel”. O tal “País rico é país sem miséria” se enquadra aí – embora esteja em português, e português correto, o que já é um grande avanço.

O que se pode deduzir do slogan oficial é que a presidente Dilma declarou guerra à pobreza. E o fato é que a pobreza está perdendo de goleada.

Se gritar pega ladrão

A história dos puxadinhos do Senado é fantástica: como os prédios do Congresso não têm escada de incêndio, há três passarelas (ou “rotas de fuga”) para que, em caso de fogo ou de algum grito indevido, seja possível passar de um prédio para outro. Só que as três estavam bloqueadas: uma, pelo setor de pagamentos do Senado; duas outras por Excelências que não deixam passar um escândalo sem sua marca, Renan Calheiros e Gim Argello. Ambos tinham transformado suas passarelas em agradáveis salas de estar, com esplendorosa vista.

Mas não sejamos moralistas: se estão ocupando área pública como se fosse privada, é porque falta espaço no Senado. Mais uma prova de que há senadores demais no país: se fossem dois por Estado, como num país mais pobre, os Estados Unidos, não seria preciso fazer puxadinhos para acomodar as Excelências.

Lixo nelas

O Supremo marcou para hoje o julgamento de uma das cinco ações propostas pela Ordem dos Advogados do Brasil contra a aposentadoria de governadores. O caso em julgamento é o do Pará; mas, se a aposentadoria for derrubada no Pará, tudo indica que nos outros 16 Estados em que vigora seja também liquidada.