Yes, nós temos banana. Ora se temos! Da época em que Braguinha, Alberto Ribeiro e Carmem Miranda propagaram o Brasil pro resto do mundo para cá, a produção do delicioso e nutritivo fruto da bananeira aumentou substancialmente. Mas como também produzimos suco de laranja, petróleo –e o “pré-sal” vem aí– e um grande leque de outros produtos “pra dar e vender”, a pejorativa alcunha de “República das bananas” não cabe mais à nação brasileira como diziam os estadunidenses daqueles tempos. Prova isso a visita do simpático casal Obama que no mínimo sugere respeito, visto ser a primeira vez que um chefe norte-americano toma a iniciativa de visitar um território antes de visitado.

Apesar de a segurança presidencial ter mais parecido um aparato de guerra (faltando somente os caças e os invisíveis B-2 porque estavam na Líbia), dando a impressão que os ianques queriam mostrar a continuidade de seu poderio no planeta, presença tão ilustre pode ainda significar o alvorecer de uma nova era, e uma mulher e um negro na presidência destes países americanos, são fortes indícios.

É isso. Nos dias de hoje é inconcebível –nem na base da força nem da artimanha– como antigamente, a pretensão imperialista americana. O chefe de lá já não pisa aqui indecentemente confundindo alhos com bugalhos como fez Ronald Reagan no encontro oficial com João Figueiredo (último mandatário do regime ditatorial militar) ao dizer que estava feliz por estar na Bolívia, garfe inserida nos anais de Brasília.

Barack Obama pelos menos e diferente de seus antecessores, demonstrou conhecer mais a nossa cultura, e chegou até, revestido da malandragem brasileira, ensaiar uma “embaixadinha” na Cidade de Deus enganando a torcida. Suas colocações, discursando no Teatro Municipal do Rio foram quase todas dentro dos conformes, só pecando quando ao se referir à praxe de o Brasil ser chamado de “país do futuro”, enfatizar que esse “futuro” já havia chegado. Infelizmente não chegou presidente, e a presidenta Dilma em sua fala de posse reconhecia a necessidade de reformas estruturais como a tributária, política e outras, os altos níveis de impunidade, e contundente dizia que vigiaria de perto o caminhar da saúde, educação e segurança, pilares básicos de um país desenvolvido, mas sempre andando de muletas. Por falar na chefa, sem ficar em matéria de habilidade atrás do ianque, há de se esperar então que no jogo de interesses das partes, nas relações comerciais, na troca de nossa banana não predomine prol EUA o “tudo para o vosso reino, para o nosso, nada”, velha subserviência adotada, não faz muito, nos acordos entre os mandatários daqui e os da nação nortista.

Ah, com Bill Clinton e FHC um outro babado fortíssimo igualmente nos registros palacianos, deixara a diplomacia brasileira porraqui! Qual e por quê? Porque à época vazara um documento em que o Bill havia dito que “corrupção no Brasil é endêmica”. Bom…

Heckel Januário