“Mãe é uma só que a gente tem no mundo. Mãe é o amor mais puro e mais profundo. Oh minha santa mãezinha que tantas vezes eu fiz chorar. Aqui vim para dizer-te que sempre, sempre hei de te amar…” Essa é uma música que guardo desde a minha infância, nem sei se está totalmente certa, mas é assim que me lembro dela. No tempo em que eu era pequena, mãe era considerada sagrada, e comparada à Maria, mãe de Jesus. A gente sentia um remorso danado quando fazia a mãe chorar, e só sossegava depois que pedia perdão e ela sorria consentindo. Hoje, o mundo está muito diferente, e a importância da mãe também. Parece já não ser mais tão necessária. Afinal, tem avó, tia, babá, escolinha. A mãe, às vezes, trabalha tanto que mal fica em casa com os filhos. É uma ilustre desconhecida que apenas pariu a prole. Acabou o romantismo que cercava a palavra mãe.

No entanto, algo continua igual. Mãe é uma só. Você pode ter duas avós, algumas tias, uma dezena de babás, ou passar por diversas escolas, mas continuará tendo apenas uma mãe. Assim, continuo achando que a mãe é rara, pois cada qual só tem uma, e elas são todas diferentes umas das outras. Penso que você já percebeu que, apesar das circunstâncias atuais, sua mãe é especial. Nessas horas, acho Deus o máximo! Ele conseguiu criar milhares de mães diferentes. Mãe a gente não escolhe, é Deus quem faz isso pra nós. Bom, sei que existe quem pensa de forma diferente, mas não acredito que escolhemos nossas mães, acho que elas são escolhidas para nós. Coisa de crença!

Nem sempre a gente acha que a escolha foi certa. Tem mãe que é chata pra caramba. Tem mãe implicante e incompreensiva. Tem mãe brava e até mãe violenta. Puxa! Tem algo estranho nessa história de mãe. Sempre achei que mãe fosse boazinha e capaz de suportar o peso do mundo. É; eu achava isso mesmo até que um dia me tornei mãe. Nesse dia descobri que mãe não é heroína, é humana como todos, e sujeita a tudo que pode acontecer com qualquer pessoa. Que frustração! Descobri que mãe não é mulher maravilha! Depois de descoberto, parece óbvio, mas acredito que todos os filhos um dia têm a impressão que são filhos de heroínas. A coisa só muda quando deixam de ser filhos e passam a ser pais.

Bom, agora sou mãe. Não tão boa quanto gostaria nem tão ruim quanto poderia ser. Olho pra trás e me lembro de bolinhos de chuva, bolachinhas de nata, sequilhos de araruta… Sem dúvida sou bem diferente de minha mãe. Não sei fazer guloseimas como ela sabia, nem fico tanto tempo em casa. Hoje em dia essas coisas se compram no supermercado, mas realmente não possuem o mesmo sabor. Tenho saudades de ser filha de novo! E só desejo que um dia, no futuro, meus filhos possam dizer, em algum momento da vida deles, que também sentem saudades de voltarem a ser filhos, quando já forem pais. Acho que é tudo que uma mãe pode querer. Feliz dia das mães!


Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.