A TRINDADE É A MELHOR COMUNIDADE

Dom Mauro Montagnoli / Bispo diocesano de Ilhéus

Dom Mauro Montagnoli / Bispo diocesano de Ilhéus

Celebramos a festa da Santíssima Trindade. Quem é Deus? No Antigo Testamento vemo-lo caminhando com o seu povo, perdoando seus pecados, assumindo-o como sua propriedade e herança. Sob a ordem do Senhor, Moisés prepara duas novas tábuas de pedra e, de manhã cedo, sobe ao monte Sinai. O Senhor desce na nuvem e fica junto de Moisés. Neste gesto de subida (Moisés) e descida (Deus) temos o encontro. Deus deseja relacionar-se, estar em contato com o povo, mediante Moisés, o líder. O Senhor é o Deus do encontro, da relação, do contato, da proximidade. (Êxodo, 34,4b-6.8-9)

O Evangelho nos faz ver não só o Deus que caminha com seu povo e perdoa seus pecados. Mostra-nos Deus superando e vencendo inclusive aqueles limites próprios da condição humana, como a morte. (João 3,16-18)

Deus ama a todos, indistintamente. Não apenas um povo. Ele ama o mundo, a humanidade toda, capaz de aceitar ou rejeitar o amor de Deus. Ora, o amor de Deus é oferta gratuita que atinge o ser humano em profundidade, antecipando-se à sua capacidade de amar. Ele nos ama não porque sejamos bons, mas porque ele é bom, quer salvar, quer comunicar vida em plenitude.

A vida em plenitude se realizou na encarnação e morte de Jesus. Deus desprende-se do Filho único, a ponto de entregá-lo em vista da salvação de quem nele crê. Jesus é a personificação do amor do Pai levado às últimas conseqüências: a entrega do Filho único (v. 16). A salvação de Jesus não discrimina as pessoas: todos necessitam dela e todos têm acesso a ela, mediante a fé em Jesus, a fonte da vida: “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (v. 17).

Deus não deseja que as pessoas se percam, nem sente satisfação em condenar alguém. O prazer de Deus é salvar a todos, é desarmar a todos com a lógica do amor. O sofrimento, a injustiça, o pecado, a opressão, tudo o que gera dor e morte é contrário ao projeto de Deus.

A vida de Jesus provoca as pessoas à decisão. Estar com ele é estar a favor da vida. Não estar com ele é patrocinar a morte. Para João, Jesus não julga. Ele simplesmente provoca o julgamento de Deus. As pessoas é que se julgam, ao se confrontarem com a prática de Jesus e tomando partido a favor ou contra. Quem se posiciona a favor não é julgado; quem se decide contra já está julgado, porque não acreditou no Nome do Filho único de Deus (v. 18).

São Paulo encerra a carta aos Coríntios (2Cor 13,11-13) exprimindo o desejo de que a Trindade seja a inspiração da comunidade cristã na busca da comunhão entre os membros (“com todos vocês”). A formulação trinitária inicia mencionando “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo”. É o dom da vida que Jesus trouxe à comunidade. Esta existe por obra dele, que morreu e ressuscitou (é o Senhor!), e que agora se manifesta nos cristãos. Esse amor tem origem no “amor de Deus”, que tomou a iniciativa, enviando Jesus ao mundo. E continua na comunidade cristã mediante “a comunhão do Espírito Santo” que cimenta, organiza e dá força aos cristãos para agirem solidariamente entre si, em perfeita harmonia que reflita a harmonia da Trindade.

A festa da Trindade é a festa da comunidade. Examinado a caminhada de nossas comunidades, somos levados a celebrar, na Eucaristia, nossas vitórias em sintonia com o projeto de Deus. A Trindade existe para a comunidade cristã. Trabalhamos para que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam sempre conosco?


Dom Mauro Montagnoli
Bispo diocesano de Ilhéus


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