Uma sociedade sem discriminação, onde todos possam ter vez e voz, respeitando a auto-expressão da identidade cultural do sul da Bahia, foi defendida nesta quinta-feira pela vereadora Carmelita Ângela, do PT, ao presidir uma sessão especial que comemorou o Dia Municipal da Consciência Indígena em Ilhéus. A data atende ao que determina a Lei Orgânica do Município e relembra oficialmente um dos episódios mais marcantes da história da região, a Batalha dos Nadadores, travada dentro d´água, na região do Cururupe, em Ilhéus, entre homens do terceiro governador-geral do Brasil, Men de Sá, e os índios Tupiniquim que resolveram vingar a destruição de quatro de suas aldeias.

Participaram da sessão, lideranças e índios Tupinambá, estudiosos, professores da causa e estudantes secundaristas da rede pública. Durante o encontro foram debatidos temas como a importância da preservação cultural da etnia, os espaços e os direitos conquistados nas últimas décadas bem como a polêmica reivindicação de milhares de hectares de terra que os índios reivindicam no sul da Bahia. O termo tupinambá significa o mais antigo ou o primeiro e se refere a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguaras, os tabajaras, os caetés, dentre outros.

Os tupinambás, como nação, chegaram a dominar quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e que passou a ser conhecida como o tupi antigo, constituindo-se na língua raiz da língua geral paulista e do nheengatu. Um dos líderes da etnia, Cláudio Tupinambá, lembra a importância dos Tupinambá na construção da sociedade regional e afirma que a luta da etnia pelo que, de fato, um dia já lhe pertenceu, é a célula motivadora para a continuidade dos seus sonhos e do compromisso pela vida em comunidade.

AI/VER.