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ANALFABETO

Quando se ouve ou se lê essa palavra se pensa logo em uma pessoa que nunca foi à escola e que logo não sabe ler, mas descobrir depois de 32 anos (sei que muito tardiamente) que essa não é a verdade, nós podemos encontrar ou falar que existem vários tipos de ANALFABETOS eu descobrir depois desse tempinho (32 anos) que eu sempre fui um analfabeto, e olha que estudei e ralei um bocado para chegar onde cheguei, não fui muito longe, pelo menos não até onde minha MÃE sonhou e se esforço para que eu pudesse ir conseguir completar o 2º (segundo) grau, e depois disso, ou até mesmo antes disso tive que começar a trabalhar, não tive pai pra me sustentar, pagar faculdade, me dar dinheiro pra show e não podia nem ficar chateado e muito menos zangado, pois não tinha pra quem reclamar, tinha mesmo era que levantar sacudir a poeira dar a volta por cima e continuar a batalha. E foi assim que em 1978/79 eu saí de minha pequena cidade, ITAMBÉ e me aportei aqui em ILHÉUS, fiqueiemocionado, nunca tinha visto o MAR. Que coisa linda. E a cidade de ILHÉUS? Como antigamente continua linda, isso eles não conseguiram acabar, destruir, e se DEUS quiser nunca vão conseguir.

Bem, em 1979, mais precisamente em 17/09/1979 eu comecei a trabalhar na Ceplac e desde então me tornei uma pessoa avesso aos desmandos daqueles que achavam que por ser chefe poderia mandar e desmandar, e lá se vão 32 anos, não foi fácil não, mais estou perto da minha aposentadoria, nesse período eu criei e colecionei mais inimigos do que amigo e mesmo entre os amigos sabe da existência de FALSOS AMIGOS, mais a vida segue. Pois bem, foi na Ceplac que conheci o P.T (que se auto denomina partido dos trabalhadores) então eu pensei: esse é o partido que vou lutar e vou brigar (literalmente) nessa época muito novo, empolgado com alguns “COMPANHEIROS”essa era a palavra mais usada na época, quando não era “COMPANHEIROS era COMPANHEIRA” eu nos meus idos 19 anos achava massa, era tudo que eu queria ouvir e ver, uns COMPANHEIROS para me representar e fazer valer aquilo que me era devido, COMPANHEIROS para lutar por uns “companheiros” menos favorecidos, e como me empolguei viu?, participei de várias greves, fiz piquetes, tomei empurrão de policial, fui ameaçado de demissão, mais era tudo muito bonito, fazia parte da luta pela melhoria dos salários e condições de trabalho.

Nessa época aconteceu de tudo, mais nada era mais importante e emocionante do que ver nossos “COMPANHEIROS” indo e vindo de Brasília e quando soltava um panfleto, informativo, eu me lembro disso muito bem, a gente quase que sentia um orgasmo, era noticia nova, era noticia de que nossos “COMPANHEIROS” estavam sendo perseguidos, sendo transferidos para enfraquecer o movimento e isso nos instigava , fazia com a gente partisse pra cima, tomasse as dores da “COMPANHEIRADA”.

Lembro-me de “COMPANHEIROS” que não tinham nada, que quando foram demitidos da Ceplac, disso eu me lembro de muito bem, existia o restaurante da Ceplac, era um restaurante de fazer inveja a qualquer outro nas cidades de Ilhéus e Itabuna, e eu como outros “companheiros” ficávamos na fila pedindo um ticket restaurante para que pudéssemos depois juntar e ajudar aos “COMPANHEIROS”demitidos, e lembro-me dos “COMPANHEIROS” que usavam e batiam a mesma calça jeans a semana toda, mais essa parte agora se tornou só uma lembrança, pois as velhas calças jeans deram lugar a ternos sofisticados, carros de luxo, passagens de avião (compradas sem precisar de promoção),mas essa parte aí só aconteceu com os “COMPANHEIROS” porque os “companheiros” lutaram e ajudaram, serviram de escada (que não é a rolante) se assim fosse alguns “companheiros” hoje poderiam ainda sonhar em se tornar um “COMPANHERIO”, mais isso só vai acontecer se alguns aqui ganharem na loto.

Foi muita luta que agora se transformou em decepção, em desilusão, em fracasso. Hoje depois de tudo isso e mais algumas coisas que posso estar esquecendo de relatar aqui, esse velho “companheiro” não consegue sequer uma indicação de um emprego para a esposa, e o pior ainda é ver que toda a ideologia foi pro espaço, é ver gente tentando explicar o inexplicável, isso é revoltante. E antes que alguns que continuam a ser “companheiro” dos “COMPANHEIROS” venham dizer que só agora e só porque não consegui um emprego para a minha esposa é que estou colocando essa matéria, faço isso porque além de não conseguir vejo gente que sempre foi ante P.T, sendo indicado e conseguindo empregos, agora tomei conhecimento da diferença de “COMPANHEIRO e companheiro” poucos serão os maiúsculos e muitos ou quase todos que sobrarem será eternamente minúsculo, eu já sei no que me tornei.

Um aluno no seu primeiro dia de alfabetização (era analfabeto) disse a sua professora: Professora, um analfabeto é uma pessoa cega hoje, depois de quase 32 anos de P.T posso dizer a esse aluno que a diferença entre ele e eu é que eu demorei 32 anos para perceber isso, e ele com certeza progrediu e cresceu na vida, quem sabe até com um pouco de sorte se tornou um “COMPANHEIRO”.


JOSÉ TORQUATO MENDES NETO, brasileiro, casado, funcionário publico (Ceplac) há 32 anos e cego politicamente também há 32 anos, acabo de entrar na sala de aula, meu primeiro dia de alfabetização (depois de 32 anos) espero que minha professora (a vida) consiga me alfabetizar.

1 resposta para “ANALFABETO”

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