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Para os pais reprovados em educação.

Ramayana Vargens

Há muito tempo, as escolas particulares de Ilhéus convivem com o corrosivo problema da inadimplência. Neste ano, o volume de atrasos e calotes em inúmeros colégios da rede privada assume proporções inaceitáveis. Parece que um grande número de famílias, em Ilhéus, esqueceu que a escola particular é bancada pelas parcelas mensais dos alunos. É esse o dinheiro que mantém a educação na instituição privada. O não pagamento das mensalidades estrangula o sistema. A falta do dinheiro no caixa desestrutura estratégias e planejamentos. Compromete o funcionamento.

Os números não são revelados. As escolas preferem não expor o buraco financeiro. Tentam proteger a imagem de solidez com que sustentam suas relações com mercado, a clientela e os fornecedores. Mas, seguramente, só os débitos acumulados em 2011 devem ultrapassar (em muito) a casa de um milhão de reais.

Receita insuficiente e déficit crescente levam à um ciclo de extremo sufoco, obrigando algumas escolas a:

– Atrasar salários de professores e funcionários;

– Cortar investimentos pedagógicos;

– Interromper programas de atualização;

– Recorrer a empréstimos bancários (juros absurdos) para cobrir a folha e custear a manutenção.

Apesar dos canais de negociação, de fácil acesso, colocados à disposição, a resposta dos “responsáveis” tem sido lenta e tímida. O ambiente de ensino torna-se um espaço de angústia.

Ser professor escolar no Brasil significa dedicar-se a uma profissão remunerada com as piores faixas salariais do país. Na Bahia, os valores pagos estão nos patamares mais baixos – e em Ilhéus a hora-aula que se paga é inferior a de outras regiões do estado. Para viver de educação, o professor precisa trabalhar em vários colégios – numa – numa rotina diária de três turnos ( que gera a necessidade de também trabalhar nos finais de semana, em casa, par a produção das atividades de classe). Ganha-se pouco, para uma lida com muito sacrifício e imensa responsabilidade.

Faltar com o compromisso financeiro que alimenta esse esforço é – acima de tudo – desvalorizar a educação e desrespeitar a pessoa humana (e o cidadão) que desempenha uma missão tão nobre e complicada.

Como manter a tranqüilidade necessária em sala de aula com as contas do mês atrasadas e sem dinheiro para as compras do mês? Como esquecer os problemas e sufocar a indignação? Como transmitir alegria e esperança à criança e ao jovem? Pais que não pagam a escola são cúmplices do descaso com que a educação é tratada no Brasil e contribuintes efetivos para os péssimos índices de desempenho nas estatísticas que avaliam o setor.

O mais grave é que grande parcela dos devedores aparenta ter plenas condições de manter as mensalidades em dia. São notórios os caloteiros que ostentam hábitos sociais e padrões de consumo que demonstram como seria possível pagar regularmente o colégio de seus filhos. Por que não o fazem?

Oportunismo? Esperteza? Irresponsabilidade ou falta de ética? Alguns se aproveitam da lei que ( muito justamente) impede as escolas de tomar qualquer medida restritiva em relação ao aluno inadimplente. Outros se beneficiam do espírito solidário e do comprometimento da escola com seu papel social de garantir a formação e o acesso ao conhecimento de nossa população. Muitos usam o débito como moeda de negociação para, no fim do ano, conseguir descontos significativos em troca da quitação da dívida (típica chantagem vil que rebaixa a educação ao nível ordinário de simples mercadoria de consumo).

É bom lembrar que as mensalidades nas escolas de Ilhéus correspondem (no máximo) a dois terços do valor cobrado em uma escola do mesmo nível em Salvador. Mas a maioria dos particulares ilheenses praticam preços equivalentes à metade do que se paga na capital. E os pais ainda contam com uma generosa política de descontos, facilidades e “acomodações” financeiras nos momentos de dificuldade.

No fundo, o problema é uma questão de consciência e responsabilidade. É sabido que a rede particular de ensino é o reduto (que apesar de tudo) ainda oferece os melhores padrões de ensino para a comunidade. Enfraquecer esse sistema é destruir os caminhos mais seguros para a construção de um amanhã melhor para todos. Pagar a escola é um dever social, que devia ser encarado como prioridade e não como uma chance mesquinha e egoísta para conseguir um pouco mais de vantagem no varejo da vida. A falta de comprometimento com a mensalidade da escola é uma das mais nefastas e vergonhosas formas de corrupção. É um crime contra o saber e uma sabotagem contra o futuro. Não é uma lição digna para os nossos filhos.


Esta mensagem foi enviada através do formulário de contato do site R2CPRESS | A Letra Fria da Verdade http://www.r2cpress.com.br/v1

1 resposta para “Para os pais reprovados em educação.”

  • Thiago says:

    Esse texto é interessante pelo apelo público que é feito em relação a um problema privado.
    Estabelecer relação entre a realidade dos professores da rede pública e particular no Brasil só é utilizado quando há um apelo oportunista para sensibilização da dura realidade da educação no Brasil, pois em outros momentos essa relação é feita apenas para mostrar a “superioridade” da escola particular ante à escola pública.

    “É sabido que a rede particular de ensino é o reduto (que apesar de tudo) ainda oferece os melhores padrões de ensino para a comunidade. Enfraquecer esse sistema é destruir os caminhos mais seguros para a construção de um amanhã melhor para todos.”

    Refletindo a frase acima pergunto-me: Enfraquecer esse sistema é destruir os caminhos mais seguros para a construção de um amanhã melhor para todos? Negativo
    A questão é contrária, o que não precisamos é fortalecer esse sistema que genuínamente trata a educação como mercadoria ( não quero dizer que ele não deva existir), mas o que necessitamos de verdade é fortalecer o sistema escolar público, este sim, responsável por garantir os caminhos mais seguros para a construção de um amanhã melhor para todos.

    A reclamação sobre a inadiplência nas escolas particulares é legítima, mas que se envie esta reclamação para a caixa de e-mails dos pais devedores.

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