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Carlos Pereira em: A POLÍTICA COMO ELA É.

Fiquei em com muitas dúvidas sobre o título deste artigo. Queria um que sintetizasse ao máximo os temas abordados, que são conexos mas não são únicos, são mesmo complexos e quase impossíveis de abordagem em um pequeno espaço (processo histórico, formação democrática, vida local e universal,etc). Pensei em vida, democracia, (como ela é). Vida considerei amplo demais. Democracia, que é o cerne do tema e em verdade é o continente da atividade política,   talvez devesse ser, mas intuí que a política é parte da vida  e o combustível do sistema que deveria ser o controle do povo sobre a polis, ou seja, o controle de todos sobre as atividades econômicas e financeiras ( a realidade é o contrário). Portanto, a política como ela é…

Deixo claro que quero chegar a Ilhéus partindo do geral, do Brasil e da democracia como processos históricos ao local. A nossa independência política de Portugal foi um negócio promovido pela dinastia dos Orleãns e Bragança.O Brasil foi a última nação do ocidente a deslegitimar a escravidão, por meio de pressões econômicas do império inglês e por ato de uma princesa; a nossa República foi uma quartelada comandada por um Marechal. Portanto se observa, que o “progresso” e a “civilização”sempre chegam na Terra de Pindorama através das mãos dos que mandam. Não é que não exista muita luta e rebelião dos oprimidos, existiu e existe sim, mas não o suficiente para ser o determinante no processo.

O Séc. XX foi um século de muita lutas, avanços e recuos. Economicamente, em 70 anos, o país se tornou uma potência, mas com índices de concentração de renda e miséria recordistas universais. Politicamente, quase meio século de ditaduras. A volta da democracia sempre negociada por cima (os de baixo nunca com força pra impor os seus desejos e necessidades). A Constituinte de 1986 além de ter sido autorizada por uma emenda do sistema ditatorial, havia 20 senadores biônicos (não foram votados). A constituição aprovada foi um avanço, mas que dificuldade para implementá-la ( cada norma favorável ao povo vem acompanhada de uma vírgula e de uma Lei complementar, haja tempo…); o sistema judiciário que iria interpretá-la era o mesmo da ditadura( os avanços interpretativos por pressão da doutrina só vieram mais de dez anos depois). Temos urnas eletrônicas e um sistema de apuração dos votos moderno, mas a nossa Lei dos partidos políticos é de 1965(recentemente fizeram uma meia sola). Temos um sistema tributário extremamente regressivo , uma aparente carga tributária robusta (não é, está nos parâmetros internacionais), e muito injusto, quem paga impostos é a classe média,os trabalhadores e os pobres (através dos impostos indiretos). O Brasil tem uma democracia tardia e seletiva. Estamos longe de uma democracia que represente os anseios da maioria da população. Mas é o que temos e devemos procurar aperfeiçoar, não há saída…

Chamam de reforma política uma simples reforma partidária e eleitoral. Reforma política é reforma do Estado (incluindo o judiciário). Mesmo este arremedo de reforma não será feita, não há consenso para tal e o povo não lhe dá a importância devida.

Atribuem a Winston Churchill a frase de que “ A DEMOCRACIA É O PIOR REGIME POLÍTICO QUE EXISTE, EXCETUANDO TODOS OS OUTROS” (não confundir sistema político com econômico).  A frase é de uma dialética espetacular, na essência está o reconhecimento dos defeitos e que é um processo em constante aperfeiçoamento.

A democracia representativa está em crise em todo o mundo, não basta a forma é preciso o conteúdo (a humanidade quer cultura, diversão, comida e arte). No Brasil, apesar do ufanismo de alguns, estamos longe dele. Os americanos invadem Wall Street através do movimento “OCCUPY WALL STREET” e os espanhóis gritam “DEMOCRACIA REAL, YA!”. Aqui a economia vai bem, mas temos déficit de democracia a par de uma injustíssima  distribuição de riquezas (mesmo considerando os muitos avanços).

O nosso processo eleitoral é uma fraude à representação popular. E a reforma não sairá por hora. O inusual, atípico, fora da razoabilidade das coisas, imoral mesmo, é tido como normalíssimo, “coisas da política”. Um conciliábulo de elites políticas regionais cria um partido político (o PSD), por meio de brechas legais previamente pensadas para burlar a fidelidade partidária, e se torna, sem concorrer a uma eleição, a terceira bancada de parlamentares do Congresso Nacional. Fraude!

Em Ilhéus, a mesma coisa, um prefeito eleito por um partido o abandona e ingressa em outro (aqui a ilegalidade é completa). Este, sem um voto sequer, assume o poder municipal, com uma retórica despolitizada de promessas decorrentes de suas conexões alhures(estadual e nacional). A cidade será um paraíso. Uma fraude ao sistema democrático e republicano.

Occupy o Palácio Paranaguá! Democracia real, já!

1 resposta para “Carlos Pereira em: A POLÍTICA COMO ELA É.”

  • Dwarf says:

    Excelente artigo, abriu as entranhas desse corpo podre em que vivemos… Sempre que há uma referência à democracia representativa, vem à minha cabeça o representante, o político elitizado que não não mora no mesmo lugar de quem votou nele e, por mais que visite o seu ‘curral eleitoral’, não vivencia efetivamente os problemas de seus representados. Enfim, vivemos em fazendas e o gado somos nós.

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