Os golpes mais comuns aplicados pela internet – e as formas simples de evitar a maioria deles

ROMBO NO CARTÃO Francisca Cândido  em sua casa.  Ela foi vítima  em sua primeira  compra na web  (Foto: Jarbas Oliveira/ÉPOCA)

A engenheira Francisca Francineide Cândido, de 62 anos, é uma pessoa conectada, mas seu trânsito pela internet se restringia a ler notícias, fazer pesquisas e responder a e-mails. Ela não considerava a possibilidade de fazer compras à distância. A ideia de colocar seus dados bancários e pessoais numa página não inspirava confiança. Foi assim até o dia em que precisou de um livro que só estava à venda no site de compras Submarino. Não teve escolha. Entrou no site e fez a compra. Um mês depois, descobriu que o limite de seu cartão de crédito estava estourado com uma compra de R$ 15 mil no mesmo endereço. “Sempre achei que esse tipo de transação não era segura”, diz ela. “Infelizmente, eu estava certa.” Quando descobriu o rombo na conta bancária, Francisca acionou a operadora de cartões. O golpe foi descoberto porque o fraudador não colocou o código de segurança do cartão. A engenheira vive no Ceará, Estado que lidera o ranking de crimes digitais no país com 16% das ocorrências – segundo um levantamento da ClearSale, empresa de análise de transações digitais. De acordo com o levantamento, os Estados da Região Nordeste respondem por 62% dos crimes com transações financeiras fraudulentas. São seguidos por Norte e Centro-Oeste, com 32%, Sudeste com 11,2% e apenas 3,7% da Região Sul. A ClearSale analisa uma massa rigorosa de dados todos os anos e consegue mostrar como os roubos on-line ocorrem. Só em 2010, 890 mil operações irregulares foram detectadas pela ClearSale. Dados da Febraban sobre golpes bancários on-line mostram que os números de fraudes têm aumentado. A entidade registrou um aumento de 36% no total de ocorrências no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2010. O valor em 2011 já soma R$ 685 milhões.

Gente pouco acostumada a transitar pela internet e a comprar com o cartão de crédito pode ser vítima fácil de fraudadores. Sem familiaridade com a rede, eles se esquecem que a internet é um ambiente aberto. Um dos golpes mais comuns se beneficia dessa falta de atenção. O phishing (uma modificação da palavra inglesa para pescar) usa o nome de uma marca conhecida para pedir o número do CPF e do cartão de crédito pelo e-mail. Esse tipo de mensagem pode também carregar vírus que se instalam no computador do usuário para roubar informações confidenciais.

Para quem usa internet há muito tempo, esses problemas não são novos. Mas há um público de novos consumidores digitais, recém-chegados à rede, para quem os cuidados habituais nem sequer foram ensinados. Eles são as vítimas mais costumeiras dos fraudadores embora fraudes possam acontecer com qualquer um, como a engenheira Francisca. “Meu computador já foi infestado por vírus várias vezes”, diz ela. Máquinas infectadas com vírus que furtam senhas podem oferecer riscos mesmo em sites da internet. Manter o antivírus em dia também é uma medida de segurança para fazer compras pela web sem sustos.

O conselho em que os especialistas mais insistem é evitar digitar informações pessoais pela internet. Isso deve ser feito apenas em sites de confiança, com ambientes protegidos contra espionagem. Alexandre Vargas, especialista da empresa de segurança Módulo, diz que as pessoas fornecem essas informações com muita facilidade. “É importante desconfiar de e-mails de remetente desconhecido”, diz ele. “Não se devem digitar dados pessoais nem em mensagens de amigos. A máquina deles pode conter vírus.”

Conhecer o site antes de comprar é uma medida que pode evitar dores de cabeça. O indicado é pedir referência a amigos sobre os endereços de confiança. Na hora de comprar, preste atenção aos códigos de segurança (leia abaixo) e não se iluda com a aparência bem acabada do site. Os bandidos são capazes de criar páginas de internet com uma aparência enganosamente profissional.

Tipos mais comuns de fraude


Os golpes mais comuns nas transações financeiras on-line 

Fraude deliberada

É a compra feita com o roubo de dados. Essa é fraude mais comum em lojas. Uma subcategoria da fraude deliberada é a Fraude Amigável, quando alguém próximo, como um parente ou amigo, faz uso do cartão sem o conhecimento do dono.

Autofraude
É o tipo de fraude cometida pelo próprio dono do cartão. Ele faz a compra e depois liga para fazer o cancelamento e não pagar pelo produto que já recebeu. A maior parte das lojas exige assinatura de recebimento da compra para dificultar o golpe.

Phishings
O nome vem da palavra pescar, em inglês. Um e-mail falso, em nome de alguma grande loja, é enviado para confirmação de compras ou de dados, como endereço, CPF ou número do cartão. Esse e-mail falso pode ser usado para carregar um tipo de vírus, que se instala na máquina para roubar dados.

Compre com segurança

1- Procure comprar em lojas conhecidas

2- Ao clicar em comprar, as letras no início do endereço digital da empresa mudam de http para https. O “s” é o certificado digital de que a página está segura. Não forneça nenhum dado para o site se essa mudança não ocorrer

3- Não se fie apenas nos cadeados que aparecem na tela e, supostamente, sugerem que o site é seguro. Um site desconhecido, que tem um cadeado estampado na tela, não quer dizer muita coisa. Se você não conhece o site, procure outras garantias antes de digitar seus dados

4- Atenção aos e-mails de grandes lojas que pedem confirmação de dados. Verifique a veracidade da mensagem com a empresa citada antes de clicar em algo. Pode ser golpe

5- Desconfie de sites com preços muito abaixo do mercado. Podem ser falsos

6- Ao usar seu e-mail, não abra mensagens nem clique em anexos ou links de remetentes desconhecidos. Eles podem conter vírus ou programas que se instalam automaticamente no computador para capturar informações

7- Na dúvida, verifique se a loja tem muitas reclamações nas Procons (www.mj.gov.br/sindec)

8- Além do e-mail, verifique se a loja oferece outros meios de comunicação, como telefone e endereço

9- Não se iluda com a aparência do site nem com a facilidade de acesso. Preocupe-se em verificar se a empresa tem certificado de segurança, para que seus dados não fiquem expostos na rede

10- Não faça compras por meio de computadores públicos (de lan houses, de escolas e do trabalho)

11- Imprima toda a publicidade que encontrar no site e guarde o comprovante de pedido e de pagamento. Tudo pode servir de prova caso haja algum problema

12- Evite pagar antecipadamente pela encomenda. Prefira o pagamento contraentrega, com cheque, boleto, vale postal ou cartão de crédito

KEILA CÂNDIDO

Revista Época

http://revistaepoca.globo.com/Vida-util/noticia/2011/11/o-risco-da-compra-line.html