Fiéis percorreram 8 quilômetros pelas ruas da Cidade Baixa, em Salvador.
Eles aproveitam percurso para fazer pedidos ao Senhor do Bonfim.

Lavagem do Bonfim (Foto: Lílian Marques/G1)

Cerca de 300 baianas participaram do cortejo ao lado de devotos (Foto: Ingrid Maria Machado/G1)

O cortejo de baianas e de milhares de fiéis pelas ruas da Cidade Baixa, em Salvador, chegou por volta das 11h30 desta quinta-feira (12) ao templo do Senhor do Bonfim, onde foi realizada a tradicional lavagem das escadarias. O padre Edson Menezes fez um pronunciamento religioso de uma das janelas da igreja, que esteve fechada durante a celebração. Milhares de devotos que encerravam o cortejo foram recebidos com o Hino ao Senhor do Bonfim.

Uma comitiva de políticos e integrantes da escola de samba carioca Portela chegaram junto com as baianas. As escadarias começaram a ser lavadas após saudações dos fiéis ao Senhor do Bonfim.

O cortejo saiu da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, pouco antes das 9h desta quinta-feira. Os fiéis percorreram 8 km até a Colina Sagrada. O padre Valter Sanches iniciou os festejos logo cedo com uma cerimônia intereligiosa

O casal de devotos Antônio Carlos e Maria Helena levaram a neta Queise Kely, de 5 anos, para acompanhar a lavagem. O avô explica que é devoto há muito tempo e que sempre gostou de levar a garota para a Lavagem do Bonfim. “Eu peço saúde e paz ao Senhor do Bonfim. Venho agradecer por graças sempre alcançadas”, diz.

A baiana Marina Jupira participa do cortejo há cinco anos. Emocionada, ela conta que tem muito a agradecer ao senhor do Bonfim. “Tenho muitas graças alcançadas, passo o ano todo me preparando para ele [senhor do Bonfim], para esse momento de fé e agradecimento”, relata.

O auxiliar de manutenção na construção civil Cláudio Almeida acompanhou o cortejo com o bloco Filhos de Gandhy. Há dez anos ele participa da festa. “A lavagem é show de bola, gosto muito dessa energia do Gandhy, sou devoto de Gandhy e de senhor do Bonfim”, conta.

A lavagem teve início em 1754, quando a imagem do senhor do Bonfim, vinda de Portugal, foi transferida para a igreja da Penha, em Itapagipe, para a igreja do Bonfim. A lavagem do adro da igreja era feita com água de cheiro pelos escravos, mas foi proibida pela Arquidiocese de Salvador em 1889. O ritual voltou a ser feito em 1950 pelos seguidores do candomblé.


Lílian Marques Do G1 BA