A história de que estava prestes a receber uma herança milionária de um empresário italiano foi desmascarada ontem pelo CORREIO

Os moradores de Itaberaba estão revoltados com a conterrânea Jucélia Lima da Silva, 35 anos. A história de que estava prestes a receber uma herança milionária de um empresário italiano foi desmascarada neste sábado (28) pelo CORREIO, e terminou trazendo à tona outros casos parecidos da mulher. O contador Ricardo Rodrigues afirma que, há cerca de 10 anos, Jucélia o procurou para criar e registrar a ONG Sonho de Mulher.

“Ela disse que tinha conhecido um milionário em uma viagem e que ele tinha resolvido passar tudo para ela se ela criasse uma entidade”, revela Ricardo. Ele conta que alguns dias depois recebeu uma ligação de um senhor com sotaque italiano chamado Germano. “Ele queria confirmar a autenticidade do documento de registro da ONG. Depois disso encontrei com ela algumas vezes e cheguei a perguntar pela herança, mas ela dizia que ainda não tinha recebido nada”.

“Ela envolveu muita gente nessa mentira e o clima por aqui não está nada bom. O povo está chamando ela de mentirosa e dizendo que vão denunciá-la”, relata o autônomo Antônio Martins. A desconfiança de que Jucélia estaria mentindo virou certeza quando o técnico em informática Fernando Rodrigues, dono do site Itaberaba Notícias, descobriu que o IP do computador de onde partiam as mensagens do suposto detetive que estava procurando a “herdeira” era de um provedor da cidade.


O castelo de Jucélia caiu: ela inventou a história que iria receber uma herança milionária de um empresário

O radialista André Rocha diz que vai prestar queixa amanhã contra ela. “Ela veio aqui e contou essa mentira. Não posso desmoralizar meu trabalho”, brada. As amigas de Jucélia, por sua vez, também estão assustadas. “Conheço ela há três anos e há pouco tempo ela me disse que a ONG seria reaberta. Agora eu quero distância”, diz Marlúcia Silva.

Jucélia, por sua vez, não teme as ameaças e insiste em dizer que, se tudo é uma farsa, ela também foi enganada. “Eu viajei e posso provar. Se por acaso alguém daqui escutou eu contar que conheci Germano e resolveu brincar, não tenho culpa. Não devo nada a ninguém”, declarou ela ontem, por telefone. Segundo a coordenadora Regional da 12ª Coorpin de Itaberaba, Maria Clécia, a partir de amanhã o delegado da cidade, Daniel Holanda, vai  analisar o caso.

“Se era uma promoção pessoal, só para aparecer, não é crime. Mas se ela quisesse alguma vantagem ilícita, a polícia irá atuar. Se virmos que realmente há possibilidade de ter sido estelionato, investigaremos”, afirmou.


Florence Perez e Laura Fernandes
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No CORREIO DA BAHIA