Gileno Alves de Araujo

Com a venda do armazém de secos e molhados de seus pais em Sequeiro do Espinho (vila do município de Ilhéus que na época era o fim de linha de um dos ramais da Estrada de Ferro de Ilhéus a Conquista, era situada dez quilômetros antes da cidade de Itajuipe que na época pertencia a Ilhéus, a vila  hoje não existe mais, pois virou uma fazenda), em 1935 Ilhéus teve o prazer de ganhar a presença desta grande figura, filho único de Firmino Alves de Araujo e Santina Conceição de Araujo que o trouxe à vida em 26 de julho de 1926.
Já morando em Ilhéus seu primeiro emprego foi no armazém de secos e molhados de Luiz Oliveira na Rua Almirante Barroso, depois trabalhou com David Barbosa, também dono de um armazém de secos e molhados, em 1940 foi trabalhar no Cine Teatro Ilhéus como porteiro, bilheteiro e lanterninha, onde trabalhou até 1962.
Quando era lanterninha no Cine Teatro Ilhéus aconteceu um fato interessante na sua vida, Gileno fiscalizava os maus feitores durante a projeção dos filmes, um certo dia bateu no ombro de um cidadão que estava fumando no camarote oficial, chamou-lhe a atenção e o mandou apagar o cigarro, o cidadão imediatamente o obedeceu, só que Gileno não sabia que o tal cidadão era o Prefeito Arthur Leite da Silveira, seus colegas de trabalho lhe disseram que ele estava desempregado, Gileno ficou acabado, na maior tensão. Quando acabou a cessão viu o “Cidadão” conversando com Jaime Valle, gerente do Cine Teatro Ilhéus, que o chamou, a tensão aumentou ainda mais, estou desempregado pensava, mas não foi o que Gileno estava pensando, o gerente o chamou para lhe dizer que o Prefeito o estava parabenizando pela sua atitude correta, foi o maior calmante que tomou na sua vida.

Quando trabalhava no Cine Teatro também fazia uns bicos para complementar a sua renda, tinha cinco cadeiras de engraxate na Rua 7 de Setembro, onde hoje está a feirinha do Guanabara, que terceirizava; quatro baleiros (pessoas que vendiam balas e doces em cestas penduradas no pescoço), dois trabalhavam no Cine Teatro Ilhéus e dois no Vitória Palace, que funcionava onde hoje está a Igreja Universal, na Rua Tiradentes; o bar “O Apertadinho” na Rua 7 de Setembro, que tinha este nome por causa do seu tamanho, de tão grande que era quando o primeiro cliente que entrava precisava sair tinha que sair todo mundo; foi locutor na Rádio Cultura de Ilhéus, instalada em cima do posto de Herval Soledade, hoje Posto Renascer, na Praça Cairú, junto com Robert Assef, Paulo Ganem Souto (Ex-Governador da Bahia) e Luiz Prisco Viana, isto mesmo o Deputado Federal; no governo do “Cidadão” Arthur Leite da Silveira, quando este foi prefeito de Ilhéus de 1946 a 1951, foi ajudante do Chefe de Gabinete Jaime Fagundes.

Em 1950 em uma viagem a Salvador conheceu a sorveteria “A Cubana”, no Elevador Lacerda, que era o point da Rua Chile na época, ficou entusiasmado com o que viu, assim, quando voltou a Ilhéus resolveu montar uma sorveteria. No Cine Teatro Ilhéus existia uma área reservada para os fumantes nos intervalos das peças teatrais, como esta área estava desativada, sendo usada como depósito, Gileno conseguiu que o gerente Jaime Valle lhe cedesse para a abertura da sorveteria “Ponto Chic”, que foi inaugurada numa sexta-feira de carnaval, 22 de fevereiro de 1952, a sorveteria ficou famosa pela qualidade do sorvete e do atendimento, os  quais são mantidos até hoje, sessenta anos depois.
Em 1960 casou-se com Iêrecê Martins Piauhy com quem teve dois filhos, Pedro Eduardo (Falecido) e Geraldo Luiz que hoje é seu braço forte na sorveteria.
Quando em 1982 o Cine Teatro foi doado pela família Olímpio à Prefeitura de Ilhéus Gileno ficou preocupado com a sua situação, procurou Dona Heloina Rehem da Silva, viúva do Coronel Antônio Olimpio da Silva, e lhe falou sobre a sua situação, esta lhe respondeu que não se preocupasse, que a área da sorveteria não estava incluída na doação, Gileno lhe ficou muito grato, gratidão que reconhece até hoje.
Hoje aos 85 anos de idade, continua com a mesma disposição e saúde que tinha quando chegou a Ilhéus, vindo do Sequeiro do Espinho em 1935, e acredito que continuará assim por muitos e muitos anos.