De: JUVENTINO RIBEIRO
Assunto: CAOS NA EDUCAÇÃO

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CAOS NA EDUCAÇÃO
Ontem li, com profundo pesar, o ranking da educação nos estados e nos 5.564 municípios brasileiros, elaborado pela ONG, Todos pela Educação. É bastante desanimadora a situação em que se encontram os estudantes das cidades de Itabuna e Ilhéus, tanto nos quesitos língua portuguesa, quanto em matemática. Os alunos de Itacaré obtiveram melhor colocação do que os de Itabuna.
Na semana passado escrevi sobre a ausência do tema educação nas falas dos precandidatos nas plenárias que tem ocorrido em Ilhéus. Acho que se trata de excelente oportunidade para lançar um apelo a todos para dar partida rumo a uma revolução pela educação, como causa de salvação nacional.
Noam Shomsky, intelectual lingüista estadunidense, em seu livro Armas silenciosas para guerras tranqüilas, afirma que o elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.
Outra afirmação de Shomsky, no mesmo livro, é que para manter o público na ignorância e na mediocridade faz com que este seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. A qualidade da educação proporcionada às classes inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distancia da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores.
Saibam senhores precandidatos, que serão sufragados em outubro como prefeitos e vereadores, que investir em educação provoca uma espécie de efeito dominó às avessas. Em vez de derrubar, alavanca uma série de setores, como o consumo, a saúde, a habitação, a segurança e por aí vai. Pessoas bem instruídas têm empregos melhores, salários maiores e, conseqüentemente, um poder de compra maior.
Uma população com mais anos de estudo tende a cuidar melhor da saúde e a cometer menos crimes. Muitos especialistas em educação alertam que a relação entre a evolução na qualidade de ensino e a melhora nos índices sociais e econômicos não é tão direta e previsível, mas certamente é consenso entre economistas e educadores que educação de qualidade para todos é condição essencial para o desenvolvimento.
Ainda são muito incipientes os programas de incentivo à leitura. Em conversas com jovens noto que não gostam de ler ou lêem muito pouco e que não são incentivados pelos pais. Busquei nos escritos do um amigo Jorge Araújo: Os que não gostam de ler desgostam de si e do mundo. Trazem consigo vocações de bismos e desertos. Levam a vida de inconsciências, mais fácil se submetem a cangas e se deixam manipular. (Prof. Dr. Jorge de Souza Araújo, mestre e doutor em linguas vernáculas, residente em Ilhéus, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, atualmente leciona na Universidade Estadual de Feria de Santana).
Em versos cantava Castro Alves: Ah! Bendito os que semeiam livros … livros a mão cheia … e faz o povo pensar … E, se benditos são os que semeiam livros, abençoados são os que lêem, os que pensam, os que informam, os que se informam, os que transformam, os que se transformam.

JUVENTINO RIBEIRO – Contador – Ilhéus-BA