É isso aí minha gente! Estamos em pleno carnaval. O palanque já está devidamente armado, montado, seguro, fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros, aguardando tão somente o Rei Momo receber as chaves da cidade e a turma do Palácio e adjacências subir as suas escadas, afinal, quem não quer sair na foto?
A festa vai ser grandiosa, principalmente depois do pronunciamento feito pelo nosso alcaide na casa do povo, declinando todas as suas realizações de obras e projetos para a cambaleante senhora chamada Ilhéus.
Pra não me esquecer, já que moro no local há mais de 40 anos, lembro a quem elaborou a lista de obras e pavimentação de ruas que a Sapetinga em momento algum sentiu um quilo de asfalto ou de um paralelepípedo em suas ruas e nem no seu acesso. Portanto, revejam a tal lista, pois houve um grande erro.
Carnaval é a grande festa do povo, momento em que muitos se vestem de mulher para extravasar o seu lado feminino (como diz Pepeu Gomes “todo homem tem seu lado feminino”), outros vão às ruas manifestar seu repúdio às autoridades constituídas, notadamente com relação aos políticos e políticas, enfim, é um momento único de liberar a franga, pois o pinto precisa ser utilizado de uma maneira mais adequada e revestido de uma camisinha distribuída pelo pessoal da saúde pública.
O palanque ficará literalmente lotado. Convidados, jornalistas, patrocinadores, penetras saindo pelo ralo, puxa sacos com latinhas na mão, vereadores de oposição brindando com o alcaide, muitos pedidos ao pé do ouvido e depois de alguns bons goles, quando a mente está mais leve e as confissões são reveladas, tudo pode acontecer num palanque oficial de carnaval.
Os nossos atuantes e bem vistos vereadores (agora fiz uma viagem retada) já esqueceram o tal pronunciamento feito pelo alcaide e assinaram embaixo de todas as grandes realizações, mesmo sem terem visto ou inspecionado alguma obra ou projeto citado no relatório 2011, afinal é carnaval, estão todos no palanque, alegres, recebendo uma gelada, tira gosto a migué e o povão passando embaixo e nóis aqui em cima do palanque rindo da cara dele. Duodécimo em dia e vamos gastar o dinheiro público, pois dinheiro público é pra se gastar mesmo ou não é?
É carnaval, são dias de alegria, falsidade, promessas feitas à base do efeito etílico, como disse Zé Keti “quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão”, não me leve a mal, pois é carnaval.
Saúde (olhe o Hospital São José aí gente), lixo (literalmente em toda a cidade), pavimentação asfáltica (depende da boa vontade do capitão da vizinha cidade), o turismo está muito bem obrigado (que diga os empresários do ramo), a folha de pagamento está tão enxuta (vide relatório 2011) que vão fazer uma auditoria para saber como a prefeitura consegue pagar a tanta gente, o alcaide (petista desde criança) já tem seu candidato a prefeito, o governo do estado tem feito o que pode e o que não pode pela cidade (este galego é o cara e logo que sair do camarote de Ivete Sangalo vai mandar muito mais coisas pra Ilhéus), o IPTU vai ser todo revestido em obras (pqp), blá, blá, blá.
É carnaval, vamos botar o bloco na rua, receber todas, esquecer tudo, amanhecer na quarta-feira com a cabeça doendo de tanto mé, os mais crentes irão à igreja (como o nosso alcaide) fazer oração e jejum quaresmal.
Merecemos tudo isso e muito mais, como diz Lady Katy “tô pagano”.
ZÉCARLOS JUNIOR