Durante as preparações para os festejos carnavalescos, fixamos o nosso pensamento nas pessoas frágeis, notadamente, aquelas que ainda imaginam que fazer carnaval é necessário muito dinheiro nos bolsos e pronto.

E, bastou simplesmente esta ideia pesquisada, para sentir a grande falta de conscientização popular. Existem várias pessoas vendendo alguns objetos valiosos por preços irrisórios, e outros que procuram subtrair da sua família as coisas que adquiriram ao longo do ano com sacrifício, a fim de comprar uma fantasia, ou mesmo para naturalmente entrar na farra. Que bom seria se essas pessoas encontrassem uma imaginação humana dentro de uma realidade acentuada no seu amanhã.

Muitos deixam suas residências sem uma primorosa vigilância. É do conhecimento dos moradores de qualquer cidade ou capital, que muita gente é rigorosamente surpreendida quando retornam aos seus lares, notando com desapontamento que foram roubados os seus pertences, por sua própria negligência.

Definindo na forma humorística de Emil Brunner, ele afirma que o remorso “é como um cão trancado num lugar subterrâneo por causa do hábito aborrecido de latir, e que continuamente espera uma oportunidade de romper na casa que lhe é fechada”. “E o fará no momento que a vigilância do seu dono relaxar.”

Numa outra análise lembramos o bem maior, aquele primor dos inestimáveis cuidados pelo seio familiar. E o fazemos porque nessa época muitos homens se desvinculam do seu bom senso crítico e esquecem-se do respeito pela paz que deve existir de forma permanente dentro da sua casa, afinal a vida continua, e o lar é inviolável em toda sua extremidade na busca do amor criado por Deus.

Quantos carnavais trouxeram duras e ásperas recordações! Quantos lares foram destruídos pela falta de sensibilidade e sentimento do respeito mútuo! Quantos crimes originados pelo ciúme ou ideia de posse da espécie humana, destruíram a harmonia e serenidade de uma família perfeita! E os deslizes criados por falsa alegria que apenas deram sentido de extravagância, e não trouxe a busca à paz dentro do amor. E o remorso vem depois como uma fera destruidora sem o sentido de saber a quem atingirá. É protesto da consciência contra a violação daquilo que sabemos ser justo e reto. Educada no respeito à lei divina que rege a conduta humana, sempre no interesse do próprio homem, a consciência não pode deixar de ressentir-se ante uma transgressão deliberada da norma de pureza e santidade estatuída por Deus mesmo. E existe culpa onde há o choque de duas vontades. E essas vontades são: a divina e a humana, que sendo violada ou desrespeitada, provocam calamidade pública, destroem lares, cidades, capitais e países. A liberdade do sentimento de culpa que oprime como as cadeias públicas ou prisões que dilaceram e matam de pânicos aos condenados, deve fazer o homem sentir-se com uma nova alma, uma renovada criatura e que passou a pensar nas realizações, nos puros anseios e na concretização dos seus sadios ideais. Nem sempre as prisões são as grades e a liberdade é a rua. Existem homens livres nas prisões e homens presos nas ruas, é uma questão de consciência.
Devemos orar: “A oração talvez não mude as coisas para as pessoas, mas, com certeza mudará as pessoas para ver as coisas. (Paulo Cardozo, escultor e servidor da CEPLAC)”.


Eduardo Afonso
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