Se aconteceu uma coisa boa na minha vida, foi o bom tempo da minha vida que passei na CEPLAC, dela recebi a régua, o compasso e o rumo na estrada.
Desfrutei do seu projeto inicial, de suas conquistas, dos inúmeros colegas professores, da sua estrutura e de sua meta social em benefício da região cacaueira da Bahia, Espírito Santo e outros estados do nosso Brasil.
Claro que dificuldades sempre existiram, mas eram passageiras e a gente tinha o domínio da situação e não dependia do governo central.
Neste sábado batendo um papo com amigos aqui no Bar de Leleco, inúmeros fatos foram lembrados dos bons tempos da CEPLAC, todos reconhecendo a importância que a empresa teve na região.
A conversa também girou nas dificuldades que os recém formados têm para encontrar um emprego e aí lembrei-me daqueles tempos que jamais voltarão.
Naquela época os concursos mais disputados na região eram os do Banco do Brasil e CEPLAC, e quem conseguisse passar era como tivesse tirado um prêmio gordo na loteria.
Os agrônomos formados na UFBA/Cruz das Almas e de outras universidades e os Técnicos e Práticos Agrícolas da EMARC/Uruçuca, ao concluírem seus cursos eram admitidos pela CEPLAC, passando por um pré-serviço e em seguida eram lotados nos diversos escritórios locais espalhados pela região.
Um detalhe interessante da admissão desses recém formados, era que os mesmos ao se apresentarem tinham a oportunidade de ter em mãos, via financiamento subsidiado, um veículo que serviria para os serviços de extensão rural e também para sua locomoção particular.
A maioria jamais tinha possuído um veículo, muitos nem a carteira de habilitação possuía, mas o veículo era um equipamento indispensável para a contratação do funcionário.
Não tenho conhecimento de que outra empresa tivesse esse tipo de procedimento.
Alguns ficaram tão excitados por ter em mãos um veículo próprio que na primeira viagem sempre acontecia algum imprevisto, tipo batidas, barbeiragens, fatos oriundos da felicidade e também ansiedade em segurar o volante do seu veículo.
A chegada de um agrônomo ou técnico agrícola numa cidade do interior era coisa de notícia em todos os locais, todos queriam conhecer o doutor que acabara de chegar.
Os escritórios locais tinham uma equipe da qual fazia parte o bravo pessoal administrativo, que era o grupo de apoio total e irrestrito ao pessoal de campo.
E com esse pessoal e o excelente trabalho realizado, a CEPLAC conquistou toda a região e tornou-se um modelo em assistência técnica, pesquisa e ensino.
E sua fama espalhou-se pelo país e no exterior.
Lá pras tantas da conversa no Bar de Leleco, alguns pitacos foram lançados quanto ao que restou da CEPLAC, dessa conversa me esquivei de participar, pois o que quero é ter na lembrança a CEPLAC que eu conheci, com sua estrutura sólida, com seus investimentos na mudança do perfil de uma região, dos inúmeros colegas que praticamente deram a vida pela instituição e da marca registrada de uma empresa vitoriosa no seu intento.
No concurso interno realizado para eleger uma frase que imortalizasse a empresa, saiu-se vitorioso o colega Florisvaldo Galvão (Flori), com a seguinte frase: “Aqui se faz sentir a força de uma lavoura.”
Se essa força ainda existe, só os colegas que ainda se encontram na ativa podem afirmar.
No mais, joguei num time que foi por várias vezes campeão, dando um show de capacidade técnica, administrativa e que contribuiu para a realização de inúmeras e importantes obras na região cacaueira da Bahia.
É muito bom lembrar o passado, principalmente quando esse passado foi cheio de glórias.

ZÉCARLOS JUNIOR