Djalma Fernandes

Lembro de uma reportagem na época da copa da França, onde queriam homenagear um ex-jogador de futebol, Michel Platini, dando o seu nome a um dos estádios da copa.

Michel por sua vez, não aceiou a homenagem, por dizer “estar vivo”, e quem deveria receber esse tipo de homenagem, deveria estar morto. Achei uma falta de respeito de Michel.Do que adiantaria receber essa homenagem depois de morto? Ser lembrado vivo, reconhece que você esta no caminho certo, pensava eu assim.
Durante um boa parte de sua vida, meu pai se dedicou a AABB de Ilhéus. Foram dias dos pais, das mães, das crianças, de fim de ano de funcionários. Enfim, vários domingos que poderia estar em casa com família, estava com diversas famílias formando uma só família, que era a da AABB.
Fui testemunha das brigas em casa com sua esposa, por se dedicar demais ao clube. “as pedradas” que levou quando fez parte de várias diretorias(
agradar a gregos e troianos é difícil). Se dedicou em reformas de campos, salão de festa, dos bares, etc.
Quando se menos esperava,(pois nunca devemos ajudar esperando um reconhecimento, assim diz meu pai) na entrega da reforma geral do clube, meu pai foi agraciado com a placa dando seu nome a um dos campos que ajudou a reformar.
Foi um dos dias mais feliz de minha vida. Ver meu pai se reconhecido pelo homem que é, me sinto no dever de seguir seus passos. Ele se emocionou, junto comigo, minha mãe e minha esposa. Toda vez que entra no clube, ele olha a placa sabia? Ele me fala do orgulho que sente daquela placa, do orgulho de ter ajudado o clube.
Mas nesse final recebi meus pais aqui em Maracás. Como de praxe, meu pai toma um remédio para controlar a emoção(ele teve avc) quando rever a família, ou quando vai se despedir. No dia de ontem, domingo, que não era dia de despedir, tomou esse remédio novamente, o que achei estranho, pois ele retornaria no dia de hoje para Ilhéus.
Ele me procurou e queria fazer um desabafo. Fiquei preocupado. Pensei que era doença, dinheiro. Mas era pior. Era a dor do sentimento.
Informaram a ele que o campo que ele ajudou a reformar e que tinha seu nome, iria ser retirada a placa para homenagear um sócio clube já falecido.
Fiquei pasmo. Não esperava isso da clube que ele mesmo considera como sua segunda casa. Não tem um dia que meu pai não fale da AABB. Todo fim de baba dos aposentados e da maçonaria, ele me liga para falar como foi, se fez gol, a comemoração com dancinha(sem comentários).
Não sou contra a fazer homenagem ao Carlitão, que por sinal, foi uma grande amigo de meus pais. Ele também ajudou muito o clube, isso não se pode negar.
Não tive oportunidade de conversar com minha família, acredito que ninguém esteja sabendo. A tristeza é profunda, coração magoado com Ilhéus.
Sinto falta dos amigos dessa terra maravilhosa. Mas o grande defeito da sociedade de Ilhéus é esse: desrespeito.