“O cacau cabruca foi e é o grande responsável pela conservação do que resta da Mata Atlântica na Bahia, mas precisamos de ações para alcançar a sustentabilidade econômica das fazendas que utilizam esse sistema”. Este foi um dos pontos defendidos pelo secretário estadual da Agricultura, (Seagri), engenheiro agrônomo Eduardo Salles, ao abrir oficialmente, representando o governador Jaques Wagner, na noite deste domingo (11), no Centro de Convenções de Ilhéus, o III Congresso Brasileiro do Cacau (III CBC), evento que reúne cerca de mil pesquisadores, produtores, políticos e estudantes.

Cacau

Além da sustentabilidade do cacau cabruca, o secretário destacou a importância da defesa fitossanitária, com ações preventivas com relação à Monilíase do Cacaueiro, um perigo eminente; pregou a união dos produtores da região; a expansão de novas fronteiras, com cacau irrigado; a manutenção do parque industrial baiano, e o avanço na produção de cacau e chocolates de alta qualidade, além da busca de preços diferenciados para as amêndoas de cacau cabruca.

Responsabilidade de todos

Eduardo Salles afirmou que a preservação da Mata Atlântica na Bahia é dever de todos e não pode ser responsabilidade apenas dos produtores de cacau, que devido a isso não conseguem produtividade suficiente. Ele informou que já discutiu o assunto com o secretário de Meio Ambiente (Sema), Eugênio Spengler, que aguarda apenas a sanção do Código Ambiental para ver as possibilidades de executar o projeto apresentado pelos cacauicultores, Ceplac e Seagri, permitindo o manejo sustentável do cacau cabruca, através da utilização de árvores e replantio.

Trata-se de manejo florestal. Os produtores querem o direito de retirar algumas árvores por ano, repondo-as em número muitas vezes maior. “A exploração florestal sustentável, além do cacau, representa sustentabilidade para os cacauicultores”, avalia o secretário da Agricultura.

Outra medida visando a sustentabilidade do cacau cabruca defendida por Salles é a realização de campanha de esclarecimento e de convencimento junto aos compradores nacionais e internacionais de cacau, com o objetivo de obter preços diferenciados para amêndoa de cacau cabruca. “Temos que mostrar a importância social desse produto. Podemos comparar aos prêmios pagos aos produtos orgânicos e ao “Fair Trade”, produtos que beneficiam a agricultura familiar”, afirmou.

Salles pregou mais uma vez a necessidade de os produtores de cacau da região se unirem, para construir uma forte representação, fator facilitador da defesa de suas demandas e avançar nos programas voltados para o cacau.

Lembrando que a região cacaueira é e sempre foi muito importante para a Bahia e para o Brasil, o secretário afirmou que “além de diversificar, valorizar o cacau cabruca e avançar na agroindustrialização, precisamos expandir as fronteiras e produzir cacau irrigado, com alta tecnologia, no Extremo Sul e no Oeste do Estado, com o objetivo de manter o parque industrial existente”.

Monilíase do Cacaueiro

Além de destacar a importância da Defesa Fitossanitária, com relação à vassoura-de-bruxa, o secretário da Agricultura alertou para o perigo que representa a Monilíase do Cacaueiro, praga existente no Peru, perto do Acre. A Bahia saiu na frente dos demais estados produtores, elaborou um plano de contingência, e já formalizou parceira com a Ceplac para aprofundar as pesquisas sobre a praga. Uma especialista da Seagri/Adab já esteve em países produtores que fazem fronteira com o Brasil para ver como os técnicos estão enfrentando o problema.

Para o secretário, a Ceplac e a Fapesb, ligada à Secretaria de Ciências e Tecnologia (Secti) têm participação importantíssima nesse processo”, destacou Eduardo Salles, que na próxima semana terá audiência em Brasília, com a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, para tratar dessa questão.

Em fevereiro deste ano, o secretário da Agricultura e o diretor geral da Adab, Paulo Emílio Torres percorreram os estados do norte, e celebraram com eles termos de cooperação técnica, com o objetivo de desenvolver ações para prevenir a introdução da Monilíase do Cacaueiro (considerada uma das mais graves doenças da cacauicultura no mundo, e que causa perdas entre 50% a 100% dos frutos produzidos) em território nacional.

O risco de introdução da praga no território brasileiro e sua disseminação para os demais estados produtores de cacau é cada vez maior, haja vista o aumento do trânsito de pessoas e material vegetal entre as regiões com ocorrência da Monilíase na costa oriental da Cordilheira dos Andes e os estados brasileiros fronteiriços.

O congresso

Aberto oficialmente neste domingo pelo secretário da Agricultura e com as presenças do secretário de Produção de Agroenergia do Ministério Agricultura, Gerardo Fontelles, representando o ministro Mendes Ribeiro; do novo diretor geral da Ceplac, Helinton Rocha; reitora da Uesc, Adélia Pinheiro; diretor executivo da Car/Sedir, Vivaldo Mendonça; dos presidentes das câmaras setoriais do cacau nacional e estadual, respectivamente Durval Libânio e Isidoro Gesteira; do presidente da Associação de Produtores de Cacau (APC), Guilherme Galvão; do diretor da Biofábrica de Cacau, Henrique Almeida, e Adonias Filho, chefe do Centro de Pesquisas do Cacau/Ceplac, e um dos coordenadores do evento, dentre outros, o III Congresso Brasileiro do Cacau prossegue até o dia 14, debatendo o tema “Inovação Tecnológica e Sustentabilidade”.

De acordo com Vivaldo Mendonça, diretor executivo da Car/Sedir, “o congresso é uma iniciativa de grande importância pela discussão de arranjos tecnológicos para aumento da produção, índices de produtividade e estratégias de verticalização”.

O novo diretor geral da Ceplac, Helinton Rocha, destacou que a cultura do cacau na Bahia é diferente da realidade do Espírito Santo e do Pará, e assinalou que a parceria com a Seagri é estratégica para desenhar o fortalecimento e desenvolvimento da cacauicultura.

Ascom Seagri – 12 de novembro de 2012

Josalto Alves – DRT-BA 931