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A PRINCESA DESTRONADA

Ilhéus, outrora rica e próspera, tinha no cacau – o fruto de ouro – seu alicerce, seu sustentáculo. Época da fartura, dos coronéis, da riqueza, do luxo e do esbanjamento. Dinheiro corria solto e aquecia o comércio. Extravagâncias eram corriqueiras, a maioria, custasse quanto custasse, paga em dinheiro vivo, guardado nos colchões. Pode-se até dizer que a classe média daquela época estava mais para rica do que para média. A Princesa do Sul chegou ao ponto de querer separar do estado da Bahia, pois se achava autossustentável não só como município, mas também como um novo estado, o de Santa Cruz. Não bastasse a riqueza material, o que dizer das riquezas naturais? A cidade efervescia em meio às plantações de cacau, à terra fértil e à exuberância da então abundante Mata Atlântica, num clima maravilhoso sem muito calor ou muito frio; como se tudo isso não fosse suficiente, ainda o azul do mar e as belíssimas praias de areias finas e brancas. Autêntico Eldorado, bucólico paraíso.

Recordar pode ser bom, mas depende das circunstâncias. Reviver um passado que não se estendeu ao presente não enche barriga, principalmente quando esse presente é antagônico.

Hoje, o dinheiro pouco circula, o comércio é morno, as belezas naturais estão maltratadas e a cada dia encobertas pela sujeira, lixo e entulho. As lavouras de cacau reduzidas, corroídas pelas pragas. Da Mata Atlântica pouco resta. A classe média, mais para pobre. Falta atividade econômica, faltam empregos e a Terra da Gabriela foi abandonada, largada à própria sorte pelos que deveriam administrá-la. Não precisa ir longe, o próprio R2CPRESS serve como termômetro. Foram diversas matérias relacionadas a uma Ilhéus decadente e deteriorada em apenas dois dias. Falou-se da situação do Hospital São José, do protesto do comerciante que se acorrentou na sede da prefeitura, dos professores que não recebem salários, das ruas esburacadas. Nos últimos anos, milhares desistiram e foram tentar a vida em outras cidades. A maioria insiste e acredita num futuro melhor sem sair daqui. Nesses eu me incluo, não por simples e vago otimismo, mas por estar num lugar onde enxergo um manancial de perspectivas e oportunidades de crescimento, desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida. É uma luta árdua e os adversários são poderosos e presentes em todas as instâncias: maus políticos, maus gestores e a malfadada burocacia.

Nilson Pessoa

1 resposta para “A PRINCESA DESTRONADA”

  • flordovale says:

    Sr Nelson, bem escrito, um excelente descricao dos ultima anos e seculos, ai em Ilheus, e seu ultimo fraso mostra do que os pocos quem gostam a cidade, tem que enfrentar diaramente, so para tentar a ser vivo ai. Voce e um gigante, para colocar esse em suas palavras,como um nativo, e eu desejo do que os leitores de RC2 press accordam para, pelo menos, a tentar a estabilizar a cidade, e impatatar, mais destrucao.como voce mencionou “É uma luta árdua e os adversários são poderosos e presentes em todas as instâncias: maus políticos, maus gestores e a malfadada burocacia” Eu nao sou Ilheunsa mais comencei a trabalhar em Ilheus em 1988, e notava muitos mudancas negativos, durante meu corte tempo ai. Obrigado Sr.

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