À abstenção de 19% no segundo turno das eleições municipais disse a ministra Carmem Lúcia do STF: “Agora cabe aos órgãos tanto da Justiça Eleitoral quanto aos especialistas e cientistas políticos fazermos essa avaliação, porque qualquer aumento é preocupante. Toda abstenção não é boa”

Aposto, mesmo não tendo a força dos búzios nem a de madame Beatriz, que as supremas entidades eleitorais e os nobres avaliadores não terão tantas dificuldades nas conclusões. É possível que nos relatórios a serem expedidos para a ministra, vários pontos a exemplo do da necessidade de uma educação-básica de ponta, da incrível e proliferadora desonestidade no meio político, venham a ser abordados como coadjuvantes da razão principal. A explicação dos “mensalões” e o fato –para uma sobre-análise– da Lei da Ficha Limpa não ter nascida de nenhum deputado ou senador, e sim por obra e graça de 1,3 milhões de assinaturas populares, igualmente devam ser ponderados no contexto, mas a causa precípua, a que resume a elevação do desinteresse do eleitorado em comparecer às seções eleitorais está na ponta da língua dos analistas e com certeza terão grifos de letras garrafais: os partidos políticos.

Se partido, significar a associação de cidadãos com ‘afinidades’ ideológicas e políticas, será difícil conceber que no país chamado Brasil exista alguma organização nesse molde, a não ser que tal princípio só tenha valor na teória, mas na prática exista tão somente com a finalidade de alcançar o poder, de eleger os seus filiados e, o mais preocupante: sem se importar um tiquinho assim com o interesse e problema do brasileiro.

O trecho “Sim, e começa pelas campanhas eleitorais acontecendo aqui na Capitania dos Ilhéus e em todo território brasileiro em que a sigla partidária com letra miúda e quase invisível virou, tal e qual as propostas administrativas leváveis a efeito, mais um detalhe no canto dos “santinhos”. E as coligações? É até difícil de acreditar, por exemplo, que numa cidade dois partidos se beijem, jurem amor eterno, e noutra as mesmas entidades se odeiem a ponto de trocarem promessas de porradas! E tem lugar em que por incrível que pareça, os parceiros, apesar da incompatibilidade de gênios às claras, gostos diferentes, interesses diferentes, esquecem tudo isso, e vivem o maior ‘love’”, de meu escrito “Sistemão Político” de 2.10.2012, embora dito com outras palavras, e antes da preocupação ministerial aflorar, já revelava a visão do votante aqui a respeito dessas nossas instituições, bem como, ao concluir apelava por uma reforma de cabo a rabo em todo o sistema político.

A situação de recusa do eleitor em votar se agrava quando a ela se acrescenta os votos nulos e os brancos. O comentário de Alexandre Garcia, da Globo, logo depois do resultado o qual fiz questão de gravar e guardá-lo , já introduz de maneira clara o causador da inquietação: Após a análise das subidas e descidas dos apelidados “partidos políticos” e elogiar a atuação “discreta e brilhante” da ministra Carmem Lúcia nas eleições, o âncora concluía enfático que quem deve estar preocupado com essa subida da abstenção são os partidos políticos, “…porque afinal eles têm de responder por que um em cada cinco brasileiros não encontrou motivos e estímulos para ir às urnas neste segundo turno”.

Tá vendo aí, meu caro Raimundo Lá Vai Bala (conhecido comerciário aposentado aqui do centro da Capitania dos Ilhéus e um radical de sete costados que acha que essas entidades deveriam desaparecer), eliminá-los não sei se seria a solução, mas também não podem continuar de fachada a enganar a torcida.

Heckel Januário