Como acredito em Papai Noel, também acredito que ainda tempo do nosso alcaide inventar qualquer desculpa para não comparecer ao banquete de aniversário da centenária senhora Associação Comercial de Ilhéus.
Substituto não falta, inclusive temos um servidor público preparado para qualquer tipo de evento e que com certeza não será motivo de rejeição por parte do povo, pois se trata de uma pessoa com livre acesso e sem nenhum rabo de palha que possa lhe atrapalhar o acesso ao palácio da ACI.
Desnecessário citar o nome do servidor, basta que nos lembremos de quem ficou no palanque no dia da comemoração ao 7 de Setembro.
Não será necessário que o dito servidor faça discurso de agradecimento, apenas receba das mãos do presidente da entidade a devida e merecida comenda e com um simples aperto de mãos encerre o protocolo e na saída amasse o diploma e jogue no lixão que fica em frente ao antigo Colégio Afonso de Carvalho.
Suficientemente correto este gesto que aliviará a alma do povo.
Há de se convir que numa festa de 100 anos a nostalgia vai rolar solta, afinal de contas são anos de existência na vida da cidade e que merece ser comemorado com todas as pompas.
Só que a idade da senhora não permite exageros, principalmente em se levando em consideração o grave sintoma, melhor dizendo doença que lhe acomete no momento (esquecimento, não sabe o que está fazendo, pensa que está no século passado, coisas desse tipo que só os incômodos da doença podem explicar).
A cidade está em alvoroço, o galego travestido de Papai Noel, atrelado ao trenó e suas renas, deverá descer dos céus trazendo mil presentes para os ilheenses, será recebido por alguns insistentes militantes do partidão (aqueles mesmos que não sabem de nada do que está acontecendo em nosso país).
Quem pensa que a praça dos dois poderes estará livre para os convidados da festa está enganado, com certeza este local que abriga de um lado o Palácio Paranaguá e do outro o Palácio do Povo, será tomado por felizes servidores públicos, os nossos barnabés, gritando e cobrando por salários atrasados e algumas coisitas mais.
Espera-se inclusive que o espaço seja limpo da sujeira existente, só não se sabe quem irá realizar a dita limpeza.
Quem viver verá! Esta hilária festa será um dia vista no baú da vida da cidade, com as fotos dos principais personagens (infelizmente a cores) e será revista por quem ainda estiver com vida e saúde.
De minha parte e longe do palco principal, jamais esquecerei esta festa de arromba:
Veja quem chegou de repente, o galego com mil presentes para os ilheenses, enquanto os convidados se amontoavam nos salões, lá fora o corre corre do povo a bradar e vaiar, hey! hey! que onda, que festa de arromba!
Vamos à festa! O desvario dos homens insensatos nos leva a conviver com este tipo de homenagem e com a certeza que o dever não foi cumprido, mas sim, com uma idéia maluca e sem propósito.

ZÉCARLOS JUNIOR