Imaginei que o novo técnico da seleção seria Tite ou Murici, mas Felipão está de volta. Seu currículo é considerável, sem dúvida. A CBF resolveu retomar a fórmula antiga que deu certo ao invés de apostar no novo, pois está pisando em ovos, cautelosa ao extremo para que nada dê errado na jornada rumo à conquista do hexa em casa.
Se dentro da arena, próximo às quatro linhas, nosso Felipão já demonstrou que entende do assunto, cá fora, para medir palavras, mostrou hoje que precisa melhorar. Ofendeu, e muito, os profissionais bancários do banco estatal ao declarar que “se não quer pressão, vá trabalhar no Banco do Brasil”, como se o trabalho dos bancários fosse moleza e livre de pressão. Ledo engano, senhor Luiz Felipe. O senhor falou uma baita duma asneira.
A resposta, óbvio, veio de imediato. O Sindicato dos Bancários de São Paulo divulgou nota de repúdio pelo desrespeito, convidando o treinador de futebol a conhecer como é o trabalho dos profissionais e o quanto eles sofrem de pressão e assédio moral no dia a dia. Eu complementaria dizendo que, além do mais, recebem um salário que é uma migalha centesimal, diante dos prêmios em dinheiro que os jogadores da seleção ganham a cada torneio, pra jogar bola. Mas não ficou por aí, o próprio Banco do Brasil também divulgou nota “lamentando o comentário infeliz” do novo velho técnico da seleção.
Nunca é tarde para aprender, Felipão. Saber falar é bom, saber o que falar é uma arte. Pra você entender melhor: em boca fechada não entra mosca.

Nilson Pessoa