Será encerrada nesta sexta-feira, (14), em Ilhéus, a II Reunião Técnica do Cacau com vistas a elaborar as diretrizes do Programa Internacional de Pesquisa para Prevenção e Controle da Monilíase. Ao final do encontro a expectativa dos participantes é consolidar a colaboração internacional entre Brasil, Equador, Colômbia, Costa Rica e Peru no controle e combate à doença, desenvolvendo uma rede interdisciplinar de pesquisa no Brasil. Todos os esforços pretendem subsidiar a execução de um programa de pesquisas para disseminar conhecimentos e aperfeiçoar métodos de controle da Monilíase.

Representando o Secretário da Agricultura, Eduardo Salles, o Diretor Geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Paulo Emílio Torres, participa do encontro que acontece no Auditório Hélio Reis, Centro de Pesquisas do Cacau-Cepec, Km22 Rodovia Ilhéus-Itabuna, reunindo pesquisadores, professores, técnicos e demais componentes da cadeia produtiva do cacau indicados pela sua relação com a geração de pesquisa, difusão e inovação tecnológica. A doença, causada pelo fungo Moniliophthora roreri, ataca exclusivamente os frutos, danificando as sementes, com reflexos diretos na produção o que a torna uma das mais graves doenças da cacauicultura mundial.

Endêmica no Noroeste da América Latina, a Monilíase ainda não foi encontrada em território brasileiro, onde é considerada quarentenária ausente. “Isso reforça a imprescindibilidade da adoção de medidas de precaução para evitar sua entrada, considerando que já ocorre em 11 países da América Tropical, dos quais vários fazem fronteira com o Brasil”, recomenda Paulo Emílio Torres. Recentemente foi identificada na Região do Alto Bení, na Bolívia, país que faz fronteira com o Estado de Rondônia, terceiro maior produtor de cacau do Brasil.

“A monilíase trouxe severas perdas com consequências econômicas, sociais, e ambientais aos países atingidos, tornando-se o principal fator limitante para produção de cacau nesses locais, a exemplo do que ocorreu na Costa Rica em 1978 e com o Peru em 1988”, explica a Coordenadora do Projeto de Prevenção à Monilíase do Cacaueiro, Catarina Sobrinho. “A magnitude desses prejuízos teria proporções extremas para a cacauicultura mundial se a doença vier a se estabelecer nos principais países produtores, a exemplo do Brasil onde o risco dessa ocorrência é geograficamente iminente”, alerta. Segundo ela, ainda que o Brasil permaneça como indene à Monilíase, é importante a adoção de medidas de exclusão, visando evitar ou retardar a introdução desta praga, pois as tentativas de erradicação ou contenção da doença não obtiveram êxito em outros países. Diante deste cenário, foi estabelecido o Projeto Fitossanitário de Prevenção à Monilíase com o objetivo de prevenir a entrada e o estabelecimento da Monilíase no país através de ações integradas de defesa sanitária vegetal, educação, pesquisa e extensão rural.

Como conseqüência foi criado Comitê Técnico de Prevenção à Monilíase do Cacaueiro (CTPMC), em 2011, na Bahia, com o objetivo de desenvolver ações de prevenção à entrada e o estabelecimento da Monilíase do Cacaueiro no Estado, através de atividades integradas de Pesquisa, Assistência Técnica, Educação e Defesa Sanitária Vegetal. O CTPMC é um órgão consultivo, propositivo e deliberativo, composto por representantes das instituições: Agência Estadual de defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Superintendência Federal da Agricultura no Estado da Bahia (SFA-BA), Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia (Seagri), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuários (EBDA), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF-Baiano) e Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

As ações do Comitê estão fundamentadas pela Instrução Normativa nº 13, do MAPA que estabelece o Plano Nacional de Contingência da Monilíase do Cacaueiro, que tem como estratégias, a prospecção para detecção da doença, o monitoramento de unidades de produção, a formação de equipes de emergência fitossanitária, a fiscalização do trânsito de material vegetal, a educação sanitária e o apoio à pesquisa. “O perigo da Monilíase é latente. Por isso a união de esforços para a elaboração de uma proposta para um Programa de Pesquisa, visando a prevenção e o controle da praga”, reafirma o Diretor de Defesa Vegetal da Adab, Armando Sá. “Pretendemos sair deste encontro com atividades que consolidem a integração de parcerias e que destaquem os resultados a serem alcançados pelas ações de pesquisa, assim como as inovações tecnológicas que serão aplicadas na solução do problema em campo”, finaliza.

 

Ascom/Adab