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Mudança de paradigma

por Marcos Pennha

O ano 2012 tá findando. Para mim, não tenho do que reclamar, mesmo morando na nossa baianíssima Ilhéus. Ressalto dessa maneira, antes que alguém venha retrucar indagando “E o lixo na rua?; “E as vias esburacadas, mal iluminadas”; “E os salários atrasados dos servidores públicos municipais?”; “E a poluição sonora nos diversos pontos da cidade?”; “E …?”, “E …?”.

Marcos Penha

Marcos Pennha

Sou consciente de todos esses “E …?”, afinal eu moro em Ilhéus, de corpo e alma, pô! Quem age com um pé a frente do tempo, foge dessa linha de só apontar as falhas, que configura condição muito cômoda, como aquela de jogar toda carga de solução dos problemas nas costas do prefeito e dos vereadores, como se esses fossem semideuses, e que a gente não deva assumir nossas atribuições cidadãs.

No meu artigo “Nossa Ilhéus, nosso bem querer”, publicado na edição especial de fim de ano da revista Folha da Praia, já em circulação, abordo alguns pontos comprobatórios de que a nossa gente tem mudado de comportamento no que concerne a sua ocupação no espaço de governança – Notem que falei edição especial de fim de ano, não de fim do mundo. Não esmiuçarei aqui o enumerado na prestigiada revista, que já tem mais de 21 anos de existência, pois não vem ao caso aqui. Focalizarei outro aspecto.

A mudança de paradigma do agir cidadão, não só em Ilhéus, acontece num percentual muito aquém do desejado. A maioria das pessoas ainda não se deu conta de que os recursos públicos são nossos, da gente pagadora de impostos. Portanto, devemos fiscalizar e proporcionar o destino adequado a cada centavo arrecadado.

O comum do brasileiro é condenar o político, e às vezes execrar publicamente, por todas as mazelas existentes na sociedade. O sujeito sente-se bem “pra caraca” descrevendo os diversos atos de corrupção praticados por determinada parcela da classe política. O cara acha-se importante, ao vomitar essas informações. É o bambambam da revolta explícita. Nas minhas viagens por aí afora, ouvi um blogueiro dizer que foi boa a eleição do prefeito da cidade dele, sabedor de que o futuro gestor não conseguirá fazer nada, pelas condições financeiras precárias da prefeitura; e ele (o blogueiro) terá assunto bastante para o seu blog. A velha história do quanto pior, melhor. Essa onda de maldizer, de se queixar, de lamentar, é o ópio que essas pessoas consomem para ter prazer na vida. Nada desse blablablá é relevante. O que importa é a ação efetiva dentro da lei.

Não costumo a falar de Marcos Pennha, que por acaso sou eu. Treino para (só) falar bem das pessoas, embora nem sempre consiga. O bom é que sou seguidor do “Orai e vigiai”. Aliás, não gosto de falar de Marcos Pennha. Contudo, quando necessário, só falo bem, evidentemente, baseado no palpável.

Durante pouco mais de 7 anos, editei um jornal chamado Ponta de Humor. Nunca recorri ao poder público, ou aos políticos, para que anunciassem no meu veículo de comunicação. Os espaços publicitários eram ocupados por empresas da iniciativa privada. Eu queria ter a liberdade de falar não o que acho, mas o que deve. Consegui essa proeza. Deixei de produzir, não por falta de apoio, e sim porque havia fechado o ciclo dessa ideia, abrindo espaço para outras. A semente perece, a árvore cresce, o saboroso fruto floresce. A gente agradece e se abastece.

O político eleito, notadamente ao cargo executivo, sofre pressões de todos os lados. Citando como exemplo Ilhéus, Jabes Ribeiro (PP) contou com a aliança de 17 partidos para a sua eleição. Isso significa que cada um desses exige a sua fatia do bolo. Muitas cobranças, inclusive as de ‘consertar’ a cidade. Se cada pedido, que o prefeito eleito recebe, representa um peso, podemos dizer que Jabes carrega toneladas nas próprias costas.

No período pós-eleitoral, sempre essa cantiga diária em torno da formação de secretariado e preenchimento do quadro dos demais escalões. Os correligionários opinam, sugerem, pedem, mas a decisão final é do prefeito eleito. Penso que Jabes conhece a cidade e os atores da sociedade, em pé de igualdade com os seus pretensos conselheiros de plantão, ou talvez ate mais.

Peço a licença para enfocar um assunto que diz respeito a todos: a cultura. O Brasil avançou bastante, nesse setor, nos últimos anos. Todo artista atuante sabe o quanto o bom baiano Gilberto Gil democratizou a cultura, quando ministro. Gil promoveu a refazenda da prática cultural pública. Seu sucessor, o também baiano Juca Ferreira, deu um realce no que já funcionava bem, implementando com seus conhecimentos de sociologia. Lembro-me de um evento, no Centro de Convenções de Ilhéus lotado, ano 2010, em que o então ministro Juca, proferiu uma palestra, falando de sua atuação a frente da pasta. Em dado momento, silêncio sepulcral imperando, uma suave voz feminina soou no meio da multidão: “Juca, você é o cara!” Ele, humildemente, falou: “O cara é Lula”. Aplauso geral.

A Câmara de Ilhéus aprovou, por unanimidade, em setembro desse ano, o Plano Municipal da Cultura. Vitória do ilheense nessa antiga justa reivindicação. A Fundação Cultural de Ilhéus (FUNDACI) é presidida pelo jornalista de formação Maurício Corso. Não se sabe se o dinâmico Corso será mantido no próximo governo. Fala-se no retorno da professora Maria Luiza Heine, que já ocupou esse cargo num dos governos de Jabes. Comenta-se também a respeito do nome da atriz e empresária Janete Lainha. Janete, a eterna Gabriela da cidade, tem bom trânsito nos meios artísticos/ empresariais. Recentemente, ganhou o Prêmio SEBRAE Mulher de Negócios, categoria Pequenos Negócios. É uma boa opção, como são as dos, identicamente, produtores culturais Pawlo Cidade (Assessor cultural da FUNDACI) e Romualdo Lisboa (Diretor do Teatro Popular de Ilhéus/ TPI). Time que tá ganhando, não se muda. Assim prega o ditado. Por outro lado, a alternância de poder é fundamental.

Contatos com o autor: [email protected]

1 resposta para “Mudança de paradigma”

  • malherbe says:

    Amigo Marcos
    A mudança de paradigma do agir cidadão, acontece num percentual muito aquém do desejado em decorrencia dos “idiotas” Do latim idiota originado do grego antigo ἴδιώτης (idhiótis) , “idiota” é um cidadão privado, individualmente, esse termo era usado na antiga Atenas para se referir a quem se apartasse da vida pública e buscasse seus proprios interesses era chamado de “idiota”, só que como no Brasil fazemos tudo ao contrário, são alguns “idiotas” que estão fazendo a politica e ocupando algumas diversas posições politicas.
    Mais, vejo um horizonte, o problema é que quanto mais caminho mais longe estou desse horizonte. Em Ilhéus tudo tem sido grande, menos os que a governaram ultimamente.
    valeu, Marcos
    obs: “o cara é você”.

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