acm neto a tarde fernando vivas ag a tardeNo escritório político de Ondina – que foi de seu avô, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães -, a movimentação é grande. Dali a nove dias, ACM Neto, o herdeiro do belo casarão branco, assume o Palácio Thomé de Souza, sede da Prefeitura Municipal de Salvador. Funcionários, lideranças e correligionários correm contra o tempo para organizar a mudança para o centro da cidade, enquanto o prefeito eleito faz ginástica na agenda para cumprir todos os compromissos do dia. Antes mesmo de colocar a mão na massa, ele se adianta em resolver questões de interesse da cidade, como a requalificação da orla marítima de Salvador. Parte da nossa entrevista foi feita no escritório de Ondina, a outra, no trajeto dele até Sussuarana, onde tinha uma audiência na Justiça Federal com o juiz que está acompanhando o caso da ocupação das praias. Revelando um profundo conhecimento sobre os problemas de Salvador, não titubeou em nenhuma nas perguntas enviadas por especialistas das mais diversas áreas, elaboradas a pedido da Muito. Apesar da aparência austera, denunciada pelo traje formal que usa, há momentos em que parece esquecer da sua posição de autoridade, chega a ser despojado na postura. Dobra a perna esquerda sobre a poltrona como se estivesse em casa. Mas  em momento algum deixa de olhar firme no olho do interlocutor. Tampouco perde o foco com o que tem pela frente. “A segunda parte teremos que fazer no carro enquanto me dirijo até a Justiça Federal, pode ser?”. Assim seguiu a conversa.

Aninha Franco (dramaturga) – O Centro Histórico precisa de um subprefeito, que centralize o poder na área, repleta de demandas urgentes e fundamentais para a preservação do patrimônio baiano. Esse cargo já está previsto na estrutura orçamentária do município?

Sim, está previsto. Extinguimos as 18 administrações regionais que não funcionam bem e que serviam de cabide de emprego para políticos e vamos instalar dez prefeituras-bairro. As três primeiras serão exatamente as de Cajazeiras, a do Subúrbio e a do Centro Histórico. Cada uma terá um coordenador cujo perfil será de alguém que tenha autoridade, pulso e capacidade de organizar o trabalho e que seja técnico. Nós não trabalharemos com atores políticos nas prefeituras-bairro.

NORBERTO ODEBRECHT (empresário) – Quais são suas estratégias para a promoção de Parcerias Público-Privadas (PPP), visando à solução de problemas da cidade, tão amplos que já não podem ser resolvidos só pelo setor público?
Não há dúvida de que a Prefeitura de Salvador tem baixíssima capacidade de investimento. Ela tem a segunda pior arrecadação per capita do Brasil, tem um problema financeiro grande. Mas nós vamos enfrentar esses problemas, melhorar a qualidade dos serviços públicos e investir em obras de infraestrutura. Porém, as necessidades são enormes e o capital público não tem condições e capacidade de prover todas essas demandas. Então eu estou decidido a criar um ambiente necessário, que seja seguro, saudável e pujante, para atrair o capital privado.

CID TEIXEIRA (historiador) – O senhor vai dinamizar o Arquivo Municipal?
Vamos fazer um trabalho de recuperação da memória de Salvador e uma das coisas que pretendemos  é modernizar e dinamizar o Arquivo Municipal. Acho que uma cidade como Salvador, a primeira capital do Brasil, tem que ter consolidada sua história, seu patrimônio imaterial, e investir no arquivo é fundamental.

DANIELA MERCURY (cantora) – A prefeitura, nos últimos anos, está competindo com os artistas/empreendedores por patrocínios privados, o que tem dificultado a viabilidade dos negócios artísticos do Carnaval, ameaçando muitas vezes a continuidade de vários produtos/atrações que são o conteúdo artístico cultural da festa. Como enfrentar esse problema, de viabilizar os recursos para o município, sem quebrar os empreendedores do Carnaval, que viabilizam a festa?
Eu sou identificado com o Carnaval. Primeiro porque sou carnavalesco e segundo porque trabalhei com entretenimento e tenho muitos amigos na área. Reconheço a importancia desse negócio e pretendo estabelecer um diálogo. Hoje você tem três macroconciliações a serem feitas:  a receita que a prefeitura precisa levantar com a iniciativa privada; outra são as receitas que os artistas, blocos e camarotes levantam com a iniciativa privada; e  a receita que os veículos de comunicação também fazem. São três grandes fontes de arrecadação e, como não tem um trabalho conjunto, acaba sendo complicado. É preciso uma reengenharia dentro do Carnaval, e isso não será em 2013, porque essa festa ainda é da atual gestão, mas, em 2014, vamos pensar como cada uma das partes poderá ganhar mais.

Ronaldo Jacobina

No A TARDE ONLINE

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