Dom Mauro Montagnoli / Bispo diocesano de Ilhéus

A simplicidade e pobreza da gruta de Belém impressiona e nos questiona. Porque será que Deus quis que seu Filho Unigênito nascesse dessa forma? Nem mesmo uma cama quentinha já que era tempo de inverso. Ele foi aquecido pelo calor dos animais que estavam na gruta.

Mistério insondável de Deus! Quem pode compreender isso? Só Deus.

A fé ilumina nossa vida e nos assegura que Deus privilegia os pobres e excluídos deste mundo e lhes reserva um lugar no seu Reino.

Esta é a mensagem do natal que há mais de dois mil anos está gritando à humanidade. Mas, que pode ouvir esse grito? Em meio à sociedade de consumo materialista e que busca os prazeres da carne nossos ouvidos ficam surdos e não conseguimos ouvir a voz de Deus.

Deus fala é no silêncio. “O Senhor disse-lhe ‘Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor’… Passado o terremoto, veio um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isto, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta… O Senhor disse-lhe: ‘Vai e volta por teu caminho, rumo ao deserto’…” (cf. 1Rs 19,9-18)

Na gruta de Belém só se escuta o respiro dos animais e choro de um recém-nascido. Ao redor tudo é silêncio.

Infelizmente nosso natal é por demais rumoroso e dispersivo. Quantos realmente celebram o mistério que o natal revela, o nascimento da nossa Salvação e Libertação? Quanto se lembram de participar da santa missa que evoca esse mistério? Quantos pensam nos pobres, nos excluídos e abandonados que não podem se dar ao prazer de uma celebração digna e respeitosa?

A Palavra de Deus dirigida ao profeta Elias continua ecoando nos nossos ouvidos: vai e volta por teu caminho, rumo ao deserto. A conversão do coração deixa entrar a salvação de Deus e impele o discípulo de Jesus a rumar para o deserto do mundo, do pecado e da morte, para levar a vida, a paz, a solidariedade.

“Deus se nos dá a conhecer como mistério de amor infinito, no qual, desde toda a eternidade, o Pai exprime a sua palavra no Espírito Santo. Por isso o Verbo, que desde o princípio está junto de Deus e é Deus, revela-nos o próprio Deus no diálogo de amor entre as Pessoas divinas e convida-nos a participar desse diálogo. Portanto, feitos à imagem e semelhando de Deus amor, só nos podemos compreender a nós mesmos no acolhimento do Verbo e na docilidade à obra do Espírito Santo. É à luz da revelação feita pelo Verbo divino que se esclarece definitivamente o enigma da condição humana” (Papa Bento XVI, Verbum Domini, 6).

 FELIZ NATAL e ABENÇOADO ANO NOVO!

 São os meus votos.

Dom Mauro Montagnoli

Bispo diocesano de Ilhéus