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CACAU IMPORTADO

Insetos vivos

Onde estão os erros?

Rabat brancoOs mais próximos sabem que acumulei um pouco de experiência em fitossanidade do cacau/amêndoas. Foram anos e anos na ‘beira do cais’ e, nesse tempo, deu para saber do comportamento de algumas pragas observando a armazenagem no porto e, de igual modo, nas firmas exportadoras. É bom lembrar que o Brasil (Ilhéus) era referência nesse tratamento quando éramos  exportadores. O estoque regulador sempre mostrou que as práticas adotadas aqui (Ilhéus) eram as que mais se aproximavam da perfeição. Isso nos enchia de orgulho e satisfação.

O Itamaraty recebia, regularmente, elogios, solicitação para  manter o nível de trabalho e essas informações eram repassadas para o Órgão brasileiro que cuidava dessa pasta: a  CEPLAC  através do Serviço de Classificação e Fumigação de Cacau  (SECOQ).

O continente africano tem clima semelhante ao da região cacaueira da Bahia. Não produzem, é bem verdade, cacau com a mesma qualidade/amêndoas/gordura/PH  do cacau baiano.

Quando o cacau saía da “rua” para o porto ele já estava programado para “bater no chão” e entrar nos porões. Muitas vezes a carga, sobre a carroceria dos caminhões, parava no ‘costado’ do navio e o guindaste colocava no porão correspondente ao seu destino.

Tanto nos armazéns das firmas quanto no porto o lote trabalhado pela CEPLAC permanecia “coberto”, existia fiscalização diária do estado das lonas, (caminhões/empilhadeiras em manobras acontecia de rasgá-las) associada ao trabalho de controle do tempo de fumigação, (cacau coberto com o produto Phostoxin ou Gastoxin “PH3” – Fosfina). Isso RIGOROSAMENTE era feito.  Desse modo, o controle se dava para que, procedida a descoberta (retirada das lonas plásticas), acontecendo, naturalmente, a exaustão do gás, o controlador de carga da agência de navegação já tinha, na sua prancheta, aqueles lotes para embarque imediato.

Nada disso seria eficiente se os porões do navio não estivessem limpos, “tratados” e nas condições químicas e físicas RECOMENDADAS  para receber as amêndoas. (Numa comparação rudimentar é como se você vestisse uma roupa limpa e andasse na Paranaguá em dias de chuva). Assim é com o cacau porque a fosfina não tem efeito residual. O lote “tratado” sendo colocado num porão COMPROMETIDO/SUJO/INFESTADO/IMPREGNADO joga toda a eficiência dos cuidados anteriores a isso por água abaixo.

Esse preâmbulo tem como objetivo questionar se as práticas fitossanitárias estão sendo RIGOROSAMENTE respeitadas no país de origem. Se a coisa for feita a “toque de caixa” vamos continuar recebendo cacau infestado por pragas (cosmopolitas)  e algumas delas certamente comprometerão a nossa lavoura e ou produtos armazenados (algumas específicas).

Está se tornando rotineira a informação de amêndoas infestadas vindas daquele continente. Não sei até que ponto as ações no trato/acompanhamento estão dando resultado porque a repetitividade está atestando EXATAMENTE o contrário. Por conta disso, do observado , a fiscalização AQUI deverá acontecer no navio estando ele ao largo. Ou seja: ele fica fundeado, os técnicos vão até ele, fazem o procedimento de fiscalização (mesmo que superficial porque não se tem acesso ao “miolo” na carga no porão) e, em se detectando insetos vivos, o procedimento deverá acontecer ali, com a tripulação desembarcada, esperando completar o tempo de liberação do gás (no mínimo 72 horas) pelas pastilhas e somente depois de aberto os porões (ainda fundeado o navio) o técnico  dá o “ok” ou não para a atracação. Detectar o problema com o navio atracado é uma TEMERIDADE. Ao largo e em sendo necessário solicita ao comandante a utilização do pau de carga (guindaste de bordo), remove-se algumas ‘lingadas’  e vão abrindo caminho por entre os sacos com fiscalização apurada.

Esse procedimento vai gerar um custo violento para o armador. Sendo assim ele passa a exigir os procedimentos corretos na origem do embarque. Porque um navio parado num porto significa milhares de dólares. Já que as autoridades de lá não “exigem”  o dono do navio passará  a ser o fiscal.

Se para ganhar tempo a fumigação está sendo dentro do próprio porão com o navio em curso o problema se agrava mais ainda. Dois pontos comprometem sobremaneira essa operação: a variação de temperatura e a hermeticidade  dos porões.

A ‘tampa’ do porão sofre, diretamente, ação dos raios solares. A temperatura fica tão elevada que, querendo, frita um ovo rapidinho (já demonstrado do porto). A temperatura elevada “puxa” o gás para cima. Isso significa dizer que a concentração do gás ficará entre a tampa do porão e a primeira fileira de sacos de cacau. (Coisa de 2m no máximo). INEFICIENTE para o que se desejou. Caso a hermeticidade não seja de 100%, todo o gás sai através das frestas, borrachas ressecadas, roldanas empenadas, encaixa irregular etc. Resultado no quesito eficiência? ZERO. Geralmente são utilizados 5 porões para o transporte. Para quem nunca viu um porão vazio basta imaginar o ginásio de esporte de cabeça pra baixo. Naquele formato mesmo do telhado (efeito provocado pelos arcos de sustentação das telhas).

Esse é a minha primeira opinião. Virão outras a depender de como se comportará a próxima carga. As indústrias mantém sério controle  fitossanitário DENTRO dos seus armazéns o que significa dizer que essa eficiência não alcança os insetos que, por ventura, ficarem nas carrocerias, escapem no trajeto, enfim, a coisa é séria e não poderemos dar sorte para o azar.


| Postado em Opinião
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9 Responses to “CACAU IMPORTADO”

  • JOSÉ REZENDE MENDONÇA says:

    Meu ACIR

    Apesar de ser Técnico Agrícola igual ao amigo, tinha uma noção mais restrita sobre este assunto é claro.Pois, como sabemos, cada técnico, formado pela saudosa EMARC, depois de três anos dedicado a cultura do cacau de um modo geral,ainda tínhamos, dependendo do setor da CEPLAC, para onde íamos trabalhar, recebíamos cursos, treinamentos específicos daquela área.

    Daí cada técnico agrícola, ter bastante conhecimento em cada área de atuação. E foi o que você fez agora com seu texto. Uma verdadeira aula sobre importação e exportação de cacau. Seus cuidados preventivos para depois não remediar.

    Sua alerta serve para o primeiro passo mais apurado dos fatos que estão acontecendo com esta verdadeira “bagunça”, dos países da Africa, produtores de cacau. E que nossas autoridades parecem, que não estão dando a devida atenção para uma coisa muito séria.

    Será que não basta o que aconteceu em 1989?

    Grande Rabat. Parabéns pela iniciativa, e pelo belo esclarecimento, num texto, que desde o mais intelectual ao menos entendedor do assunto, não vai restar dúvidas.

    Um grande abraço
    De: José Rezende Mendonça – ACIR
    Técnico Agrícola – Especialista em Cartografia e Aerofotogrametria.

  • Heckel Januário says:

    Oi Rabat.
    Bela explicação.
    Sem dizer, conforme corre na net, que alguns países africanos(Costa do Marfim, Gana…) utilizam mão-de-obra escrava infantil, com a passividade das chocolateiras.
    Abraço
    HJ

  • Arnaldo Lopes says:

    Informações importantes. Quando fui a primeira vez à Ilhéus, esperava saborear um delicioso chocolate melhor dos importados. Não consegui. Fico agora estarrecido em saber que a nossa produção é muito inferior ao nosso consumo, necessitando importar o produto. Mais ainda, em saber que o cacau é exportado in natura, a granel, sem qualquer embalagem. Será que ainda estamos nos tempos coloniais. É necessário que se invista em tecnologia para colocar o melhor o nosso cacau no topo. Assim é feito com o café colombiano a frente do nosso, pois lá é colhido grão por grão e exportado com os maiores cuidados. Que os senhores da Bahia, quando ganharam muito dinheiro fácil com produção e exportação do cacau, deviam ter investido o dinheiro na preservação da galinha dos ovos de ouro e não gastar o dinheiro nos belos salões da Europa ou enviar os seus filhos para estudar lá sem trazer qualquer benefício para melhoria e preservação daquilo que os alimentava.

    Engº. Arnaldo Lopes

    Civil e Sanitarista.

    • JÁDER DE OLIVEIRA TAVARES says:

      ACREDITO QUE NÃO É DA CONTA DE NINGUEM QUANTO O SENHOR GANHAR.
      NÃO É DA CONTA DE NINGUEM SE O SENHOR GASTA SEU DINHEIRO COM LUXO, COM PRAZE/LAZER.
      PORTANTO NÃO VENHA FALAR DO DINHEIRO DOS OUTROS.
      A DOENÇA VASSOURRA DE BRUXA FOI INTRODUZIDA CRIMINOSAMENTE NO SUL DA BAHIA.
      E NA ÉPOCA DO CACAU NÃO TINHAMOS FAVELAS-INVASÕES-TODOS TINHAM A DIGNIDADE DO BOM EMPREGO e TRABALHO.
      DINHEIRO? ESPERO QUE TENHA FILHOS E AME SEUS FILHOS. POIS QUEM AMA CUIDA, EDUCA E QUER DAR O MELHOR PARA ELES.
      SE OS FAZENDEIROS TINHAM MUITO DINHEIRO E FILHOS..QUAL O MOTIVO DE NÃO GASTAR COM EDUCAÇÃO-PRAZERES DA VIDA E OUTROS TANTOS LUXOS…
      CUIDE DA SUA VIDA…
      ACREDITO DE DEVE GASTAR SEU DINHEIRO COM MUITO LUXO…OU COM LIXO…

  • Sizinio rosa Barros says:

    ALGUM DIA VAMOS TER SERIEDADE NESTE PAÍS,ME LEMBRO DO PAI DE GUI EXAMINANDO AS PRAGAS DO CACAU,MEU AMIGO GUILHERME BASTOS ME ORIENTANDO NAS PRAGAS DE ARMAZENAMENTO,CLASSIFIQUEI CERTA ÉPOCA O CHEIRO DE FUMAÇA PARA UMA FIRMA SUIÇA E TRABALHEI BOM TEMPO NA cEPLAC ,FILHO DE UM GERENTE DA FIRMA EXPORTADORA DE CACAU A INGLESA F. STEVENSOM LOGO O NOSSO CACAU ERA EXCELENTE POIS ORIENTÁVAMOS OS AGRICULTORES NO BOM MANEJO DO THEOBROMA.Hoje recebemos cacau horroroso do México e do continente africano.

  • Dorcas says:

    Estimado Rabat, muito interessante essa sua matéria. Aprendi algumas coisas que não sabia. Porem fico pasmo com a falta de conhecimento e postura inadequada de alguns leitores, a exemplo esse Senhor Arnaldo Lopes, que não tem a mínima noção do que é uma roça de cacau e fica com imaginação jorgeamadeana, falando do que não sabe. Duvido por exemplo que ele saiba que 97% das fazendas de cacau são pequenas e mines propriedades, assim como também média de 97 % dos cacauicultores são pequenos e mines produtores ou ele acha que todos cacauicultores são coronéis jorgeamadeanos que matam pessoas e comem criancinhas? Que invocação é essa de dizer que se ganhava dinheiro fácil com cacau? Será que esse senhor tem noção do que é roçar uma área na mata, depois derrubar, tirar a lenha a machado(não existia moto-serra), empilhar, queimar a área,destocar, balizar, plantar mandioca, plantar a banana, fazer o viveiro de cacau e cuidar seis meses para depois cavar os buracos, jogar calcário,adubar,transportar as mudas,plantar o cacau, cuidar e esperar cinco anos para colher os primeiros frutos, isso sem falar nos mosquitos, marimbondos,cobras e outros bichos peçonhentos, buracos, espinhos e uma infinidade de dificuldades para se produzir cacau,combater as pragas, colher, quebrar, transportar, secar. Ainda dizer que os cacauicultores deveriam investir mais na preservação do cacau. Será que ele sabe que os 8% que resta de mata atlântica no sul da Bahia se deve ao cacauicultor? Será que ele sabe que a cultura do cacau é vítima do maior crime de terrorismo biológico desse planeta terra isso sim foi “o grande investimento no cacau”? Será que se ele tivesse dinheiro para mandar o filho dele estudar em Harvard, iria preferir que o seu filho fosse estudar na escola pública do bairro mais próximo? “Ora me deixe viu”. Como dizia um comediante da Globo: “A ignorância é que atravanca o progresso”.Além de que, duvido muito que esse Senhor saiba plantar e ou ja tenha plantado algum alimento na vida, nem ao menos um pé de alface.
    Ora me deixe viu. Como dizia um comediante da globo: “a inginorãncia é quem atravanca o progrecio”

  • Dunezeu says:

    Rabat, parabéns pela matéria.
    Estou gostando muito da dscussão gerada e gostaria de fazer minhas também as sábias palavaras tecladas pelo “Dorcas”: o senhor Arnaldo Lopes foi extremamente infeliz em seu discurso.
    Tenha paciência!

  • Orson Galvão says:

    Dorcas e Dunezeu:

    Sinto muito; mas a realidade é a realidade. Me espanta a falta de perspectiva histórica de ambos. Baixaram o sarrafo no Arnaldo Lopes quando ele apenas disse a mais pura verdade!!!! Visão “Amadiana”? Vão ler “Os Coronéis do cacau” do Falcon! É verdade que não existiu cacauicultor “Coroné” – nem podiam vir a ser, pois eram gente simplória e ignorante, cujo horizonte valoral não passava de pegar um “Ita”, e ir passar uma semana em Salvador com as “muié-dama” (mais do que isto dava gastura nas tripa). Aqueles tais, fonte de inspiração do “Seu Jorge”, eram comerciantes, advogados, agiotas, políticos e escroques de toda a sorte, com relações políticas bem sedimentadas (coisa que quem está ocupado cabrucando não tem tempo nem meios de fazer), em um país que, na época, não existia de fato… era apenas uma ficção provincial e feudal, com dimensão gigantesca, só governável se deixando o regionalismo imperar.
    Só pra termo de comparação, Coronel de verdade era um Horácio de Matos que chegou a sitiar Salvador… estas merdinhas daqui não chegavam nem a sola dos pé dele; preguiçosos, covardes, prepotentes, traiçoeiros e ladrões é o que eram, e ainda hoje, seus descendentes são.
    A CEPLAC sempre esteve (e ainda está) a serviço das multinacionais. Será que, em sei lá quantos anos, nunca aprenderam a fazer chocolate (ainda não sabem… aquele treco ácido que produzem é uma porcaria)? A desfaçatez foi tanta que chegaram ao cúmulo de realizar estudos que “comprovavam” que produzir chocolate é antieconômico (Ah, a velha e boa estatística… a arte de torturar os números até eles confessarem, né?). Engraçado… os gringos são burros mesmo, não é? Depois de mais de século e meio ainda não aprenderam que fazer chocolate é prejuízo!!!!
    Mais engraçado ainda… não consigo imaginar nenhum de vocês dois, sozinhos, no meio da mata, cabrucando e esperando cinco anos por uma safra de cacau, comendo banana, farinha ralada, pesca e caça.
    Os grandes cacauicultores nunca deram um prego num mamão – apenas se apropriavam dos bens dos pequenos e (verdadeiros, mas totalmente ignorantes) produtores, pelos mais diversos expedientes, e quando as coisas não davam muito certo era a choradeira costumaz pra arrumar uns trocados com o governo – dinheiro este nunca utilizado para melhorias na região.
    A Ilhéus de hoje é o produto inegável destas antigas “elites” – são quatrocentos anos de atraso e apatia, com exxperto$$$ do calibre dos Jabes da vida comendo pelas beiradas.
    Meu pai já dizia que cacau é cultura de preguiçoso, pra quem gosta de trabalhar na sombra. Vai plantar café pra ver o que é bom! E não venha me falar que não sei do que estou falando; sei bem mais do que ambos, pois além de ter sido criado em fazenda de cacau, vou além, até ao chocolate – não aquelas “barrinhas” horrorosas que querem empurrar pra os bestas como sendo chocolate.
    A “vassoura” apenas fez com que as mascaras caissem; mais nada.
    Não fosse ela, a incompetência da CEPLAC não viria a luz, a imprevidência e o pouco caso dos dirigentes, a burrice e ignorância da população em geral não seria exposta.
    Antigamente não existiam pobres e miseráveis? Não? Mas que mentira mais deslavada. O que não existia era a população de hoje, os meios de comunicação (e exposição da miséria) e outros recursos como os de hoje (estradas, condução, supermercados, colégios, etc.).
    Os grandes produtores sustentavam (a ferro e fogo se necessário) seus agregados e os “aliados” mais fracos dos seus feudos (no raio de ação possível).
    Se o cacau continuasse, a região estaria na mesma, reluzente por fora e podre por dentro… a diferença, agora, é que já não é mais reluzente, apenas aflorou a podridão.
    Apostem!!!! Se rolar o ouro negro (petróleo), na costa do cacau, vai rolar muito dinheiro, mas a região vai continuar na mesma merda; e merece pois não aprendeu nada nestes últimos 400 anos. É só olhar para o material humano (um lixo) que habita a câmara dos edis daqui. Não sabem nem “engordar o boi” pra depois “comer filé” – a fome é tanta que preferem roer o osso!!! E os que realmente mandam, não querem, nem podem, tomar o leme desta cidade. Ficam por trás, manipulando….
    Toda e qualquer obra (decente) feita no passado foi puramente no interesse dos mandantes desta terra (ponte, colégio, universidade, aeroporto, porto, etc…); nunca para a terra em si. A população em geral apenas pega carona…
    Abraços do Galvão (da UESC)

  • Jose Alberto Maia says:

    O que importa é trabalhar para a recuperação da nossa lavoura cacaueira. Deixemos de lado discussão pequenas sobre a nossa região.
    Parabens a Rabat em levantar crucial problema que nos aflige, tenho certeza que sua intenção é pela revitalização do cacau na nossa região (seja para exportação ou produzir chocolate fino).

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