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Senhor e Senhora dos ETERNOS BONS EXEMPLOS

Tia Ivone e Tio Miguel

Tia Ivone e Tio Miguel

rabat e robertinho

Roberto Rabat Chame Neto (com 3 anos) e eu rsrsrsrs

Fui lá no Teresópolis  conversar com  um pescador, de beira de mar, porque soube que ele está vendendo um molinete barra pesada. Se eu disser que ele pendurou a vara ele vai pirar  comigo rsrsrsrsrs então, digamos, que ele deixou de pescar. O meu molinete de quase 40 anos está dando sinais que vai me deixar na mão quando eu pegar um peixe, sábado, de uns 8 a 10 quilos. Por uma dessas zebras da vida o tal pescador não estava em casa. Quando estava pensando em descer fui alí ‘dibaixo’ da árvore e fiquei um tempão olhando a baía do Pontal. As lembranças, de infância, apareceram em HD e embarquei nelas embalado pela brisa, sombra e o belíssimo visual.

Ali mesmo naquela árvore aconteciam os ensaios do Pierrot e Colombina de seu Vadinho.  Num determinado momento os ‘batuqueiros deram um tempo pra molhar a garganta. Os instrumentos descansando no chão com os cambitos entre o aro e as ‘borboletas’. Já que estava todo mundo parado peguei os cambitos e com a caixa no chão mesmo fiz o toque de abertura da série de momentos carnavalescos que o bloco apresentaria na avenida. Seu Vadinho chegou perto de mim e perguntou: Vem amanhã? Respondi na tampa: Claro!, não perco um ensaio por nada desse mundo. No outro dia quando cheguei tinha um tarol zero bala pra mim… Acho que tinha uns 14 anos e fiquei todo contente no meio daquelas feras. Instrumentos (couro), sopro, metais e nada de caixa de som e nem, muito menos, carro bar…

Depois de um tempo brincando na rua ia, vez por outra, na oficina de Tio Miguel Geralle (Irmão de papai) porque eu achava o maior barato quando os carros paravam e uns 3 homens (isso mesmo, 3) saiam para pegar a televisão no carro e colocar para dentro da oficina. Era fila dos dois lados da rua. Imagine o peso dos aparelhos.

Um dia Tio Miguel vendo que eu estava estudando astronomia atrás da veraneio assoviou e eu fui correndo saber o que ele queria. Ele pegou uma chave de fenda e mandou eu desparafusar a tampa de uma Tv. Fiz logo pose de técnico e, compenetrado, abri umas 10. Depois é que eu fiquei sabendo que me entregaram … Meus estudos astronômicos ficaram seriamente comprometidos.

Assim que começava a escurecer marcávamos um espaço na rua com dois cabos de vassoura dentro de uma lata de gás e cheia de areia e uma corda. Era a “rede” de volei. Ângela, Tânia, Sandra e Mônica começavam a bater bola. Parecendo mais um bumbu e, por isso, servia para anunciar que o jogo ia começar, chegavam: Rosimar, Rosimeire, Rosãngela e Rosana que passavam na casa da Prof. Paulina e chamavam Sinha e Nana. Denise, numa altura dessas, já estava na casa de Tio Miguel e Tia Ivone. Enquanto a oficina estava aberta as brincadeiras iam sendo alternadas: volei, baleado, amarelinha, bicicleta. A depender do estado de espírito brincávamos de roda. Interessante é que enquanto a gente cantava atirei o pau no gato, plantei um pé de alface, pai Francisco as coisas fluiam naturalmente. Quando começava o tal do dois passarinhos, dominé, caiu no laço, dominé dá um beijinho, dominé, dá um abraço, dominé tia Ivone aparecia na janela. A gente perguntava: que foi tia? Ela dizia: nada não. Vim ver o Pontal… e ficava na janela. Não saía nem com reza braba. Acho que era por isso que ela vivia com um terço enrolado no pulso pra cortar possíveis pragas dos iniciantes na arte da paquera. Quando tia Ivone num aparecia era a vez de Tio Miguel. A gente perguntava também: o que foi, tio? e ele: nada não. Vim ver se o carro ta alí … rsrsrsrsrsrsrs

Um dos meus “trabalhos” na oficina além de desparafusar tampa de tv era amarrar a peça que foi trocada por defeito na Tv que foi consertada. Ele dizia. O dono tem que ver o que foi trocado…

Tio Miguel não “levantava a voz” por nada desse mundo. Era sempre na dele e tinha um alto controle como nunca vi na vida. No entanto o olhar de reprovação, de descontentamento ou de um aborrecimento qualquer tinha efeito devastador. Fazia meio mundo sumir num segundo.  Soltava as rédeas e ninguém pisava na bola com medo do olhar dele. Mantinha, durante alguma conversa um sorriso enigmático que eu, hoje, lembrando de algumas passagens como de uma ingenuidade e porque não, infantilidade tremenda. Alma pura, uma anjo, um santo. Se colocassem uma roupa de santo nele e colocasse num daqueles altares da Vitória não tenho a menor dúvida que iriam rezar no pé dele pensando ser um santo novo no pedaço rsrsrsrsrsr

Criou, juntamente com tia Ivone,  as filhas de uma maneira muito semelhante como fomos aqui em casa criados. É bom dizer que Tio Miguel era irmão de papai e tia Ivone irmã de mamãe. Assim como meu irmãozinho Naldinho toma conta de mim até hoje rsrsrsrsrsrs, tio Miguel tomou conta de papai até o dia da subida. Cuidou mesmo.

É muito comum quando a gente encontra velhos amigos do Teresópolis, aposentados de banco, gente do comércio escutarmos elogios (até hoje escutamos) a respeito de tio Miguel e tia Ivone. Marcaram a passagem por aqui na base da conduta, do exemplo, da retidão de caráter, da pregação constante de que o respeito deve ser usado em todos os momentos da vida. Internalizamos isso. Achávamos muito legal quando alguém puxava a gente ou as meninas pelo braço e dizia: vocês devem seguir o exemplo de Miguel e Ivone. Se assim for vocês estarão com 90% do caminho garantido porque educação, respeito, amizade e solidariedade é motivo de bem querer e isso em qualquer lugar do mundo.

Poderia seguir nas minhas lembranças, ensinamentos e bons exemplos  por mais uns dois dias. Vou ficando por aqui porque o comparativo entre aquela época e o mundo de hoje é uma mudança, sem exagero, da água pro vinho…

Crescemos, entramos na fase adulta, cada um no seu rumo, com as meninas de tio Miguel lá no Teresópolis (Mônica com um pé em Salvador e o outro aqui)  seguindo maravilhosamente os exemplos deixados, honrando os pais pelos exemplos que estão seguindo herdados deles. A vizinhança vê, nelas, o que significou os pais e assim a vida vai se renovando…

Depois dessa viagem no tempo, num belo e reconfortante visual, vou deixando registada a minha alegria por fazer parte dessa ‘leva’ que temos, como presente maior vindo do Céu,  a graça de  viver numa família que é sinônimo de AMOR.

Em breve vou contar um pouco do que foi a gente aqui na rua da Linha. Como era a Gringa e o Gringo rsrsrsrsrsrs e como fomos MARAVILHOSAMENTE BEM encaminhados.

Bjo grande, PARABÉNS e fiquem com DEUS (Sempre!).

Roberto Rabat Chame (Tinho).

5 respostas para “Senhor e Senhora dos ETERNOS BONS EXEMPLOS”

  • Romilson A. Santos says:

    Se ficar grudado no avô desse jeito, vai acabar sendo jornalista também. rs

  • Vanilton Rocha says:

    Rabat, muito boa a lembrança, eram pessoas maravilhosas, tive o prazer de conhece-los e frequentar a casa deles, até hoje sou muito amigo das meninas, lembro que na época eu namorava com Silvana, irmã de Pitú, Sergio Grauçá, Paulo Turula, Gaiá, Gracinha, Geraldo que era vizinha deles, eu morava na Rua Santos Dumont em frente ao que é hoje o Centro Médico, porém, só andava lá em cima no Teresópolis, tinha uma turma muito boa, me lembro até hoje dos carnavais que a gente se reunia lá em cima pra descer pra Avenida.
    Saudades.
    Vanilton Rocha

  • um cidadão especial Sr. Miguel e Dna. Ivone saudosos

  • Everaldo says:

    Queridíssimo Irmão!

    Gostaria que o irmão nos brindasse sempre com peças arquitetônicas de tamanho quilate. Convivi com o “tio” Miguel, quando tive a felicidade de ser seu vizinho,
    já que residimos na casa ao lado do “bar do Libório” (ano 1979), quando aqui chegamos.

    Fraternal abraço!

    EVERALDO.

  • Zécarlos Junior says:

    Meu amigo Rabat,

    Quanta lembrança, quanta poesia no seu relato sobre Tio Miguel e Tia Ivone.

    Conheci pessoalmente Seu Miguel e era um comerciante da melhor qualidade e de uma honestidade ímpar.

    Aliás meu pai era seu amigo e sempre andava por lá consertando os velhos rádios e aquelas TVs.

    OBRIGADO por relembrar essas coisas boas que a nossa sofrida cidade tinha.

    No dia 01 de novembro vou lhe enviar uma nota que você vai gostar.

    Grande abraço,

    ZÉCARLOS JUNIOR

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