Por Carlos Pereira Neto.

borges ilheusO dia amanheceu como sempre/ e só veio molhado do orvalho/ não choveu como na véspera/ era um dia de inverno com cara de outono/ estranho, os pássaros não cantavam/ salvo um Bem-Te-Vi, que anunciava dia de sol. Havia algo de estranho no amanhecer/aquele Bem-Te-Vi era mais que sol/ algo ele me dizia e não entendia. Todo o dia o céu ficou mais azul/ como se ilhéus se vestisse mais de si/ como se toda a sua alma estivesse ali/ toda a beleza, toda a pureza, toda a bondade/ o mar e o céu tornaram-se um só/ e um belo é nítido arco-iris fez-se horizonte./ Havia um estranhamento naquela segunda/ algo sentia e não conseguia entender/Não havia tristeza mas senti uma saudade/ e tive a sensação de uma abraço de despedida/ e me deu uma louca vontade de caminhar/ e ouvi alguém gritar na rua: “estou bem!”. E não era uma voz, mas um silêncio que eu ouvia, que repetia todo tempo: ” ando agora sobre as nuvens e vejo Ilhéus do céu!