Semana passada a Lava Jato indo além do limite temporal inicialmente previsto, atingiu o governo presidencial de 1997 e descobriu o manto “acima de qualquer suspeita” dos tucanos.  Tal investida me viria reforçar a convicção que os partidos políticos brasileiros são sem dúvida alguma farinha do mesmo saco. Vixe! Agora quero ver qual o representador partidário que se atreverá a atirar a primeira pedra…

Sobre essa questão de tempo, Ricardo Semler, empresário paulista, autor do livro “Virando a Própria Mesa” e braço forte do tucanato, nove meses depois de deflagrada a referida operação policial, em seu artigo “Nunca se Roubou Tão Pouco” de novembro de 2014, ao analisar o esquema de propinas da Petrobras envolvendo empreiteiras e políticos, já afirmava que essa armação existia desde os anos 70.

Se para o governo central o 2015 inteiro foi de terrível digestão, para seu principal opositor, o partido tucano, o finalzinho dele nunca foi tão péssimo ao ter que engolir goela abaixo um cardápio indigesto e aparentemente não relacionado no banquete. E nem a sobremesa se salvara, pois, o prato de doce denominado “mensalão tucano”, feito da condenação por mais de 20 anos de prisão de um ex-governador mineiro, ex-presidente nacional da sigla, e um dos integrantes de sua comissão de frente, não estava na relação.

Tenho ouvido dizer por aí e por vezes que a Operação Lava Jata é uma grande página na história do Brasil. Também que o país apesar dos pesares, do crítico panorama –e do inacabável disse me disse entre os poderes Legislativo e Executivo, parecendo terem perdido a capacidade do diálogo–, as suas instituições estão funcionando. Este representado ovaciona sem pestanejar a primeira afirmação; quanto a segunda, mesmo não sendo na mesma intensidade a todas, as aplaudo. Ó, não! No otimismo me passei. Excetuo duas: a Câmara dos Deputados –  Ave Maria! Risca, risca. A outra? Realmente não é possível confiar na organização que a gente costuma chamar de partido político! Sim, e que seria, claro, de suma importância no projeto de uma nação progressista e desenvolvida.

Que a política é feita de opiniões discordantes é um fato, agora, políticos exercer mandatos em função de seus próprios interesse, isso é de lascar, é impatriótico ao extremo e pode fo… com o país. Deixo, após breve conceito a respeito desta ação da Polícia Federal, as palavras do ex-tenista Gustavo Kuerten, em recente homenagem recebida no Rio de Janeiro: Na posição que ocupo, eu conclamo os nossos representantes, a quem está no governo do país e todos do poder público e quem nos comanda que olhe para esta sala e se espelhe nesta sala (cheia de atletas). Sejam justos, honestos, brasileiros de verdade e esqueçam partido, panelinha e lutem pelo Brasil. O nosso país merece isso, e que, sendo Kuerten um homem que no esporte já deu tantas glórias ao Brasil, quiçá bom número dos conclamados já tenha lido a mensagem. E que ela, evocando a ética, a honestidade, o patriotismo, sirva para processar um efeito transformador nos nossos representantes pós recesso parlamentar.

 Heckel Januário