CIVISMO E A CIDADANIA

Extrair do jornal da Academia Campinense Maçônica de Letras esse texto que trata de um assunto bastante importante para nós brasileiro.

Ainda me lembro como se fosse hoje. Todos os dias, antes do início das aulas, após uma correria de alunos de um lado para o outro, filas se formavam, divididas por classes e séries escolares, rapidamente se agrupando para ouvir uma breve mensagem da direção da escola. Após, fazíamos uma prece, cantávamos o hino nacional e, só depois deste ritual, íamos assistir as aulas. A cena era comum no nosso dia a dia no Prédio Escolar General Osorio, mas, em outras escolas, aqui em Ilhéus e pelo Brasil a fora, a rotina não era diferente.
Hoje, quase três décadas depois, são poucos os jovens que sabem cantar o hino nacional.

Verificamos uma verdadeira perda do sentimento de civismo. Em especial, na nossa mais jovem população.

A sensação mais próxima de amor à Pátria que muitos jovens conhecem, é torcer pela seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo. E, ainda que envolvidos por esse efusivo momento de ufanismo brasileiro, no momento do hino nacional, ou se calam — porque não sabem cantar —, ou continuam a algazarra farrista sem sequer notar, quão menos respeitar, o Símbolo Nacional.

Até os fins dos anos oitenta, haviam matérias dedicadas à formação cívica e cidadã da população: Educação Moral e Cívica, no então Primeiro Grau, e Organização Social e Política Brasileira, no Segundo Grau. Sob o argumento de que eram, ou ao menos foram, ferramentas do regime ditatorial que havíamos passado, extirparam-nas dos currículos de nossos alunos. Mas nenhuma matéria foi inserida para suprir o vácuo que ficou em razão da extração dessas disciplinas.

É bem verdade que, em setembro do ano passado, a lei 12.031/09 criou uma nova obrigação para os estabelecimentos públicos e privados de Ensino Fundamental em todo o Brasil: dali para a frente passou-se a ser obrigatória a execução semanal do Hino Nacional.

Com certeza foi uma boa notícia, mas só isso não basta!

Precisamos de uma séria reforma na grade escolar de nossas crianças e adolescentes. É salutar que os jovens tenham matérias especificamente focadas no civismo e no sentimento de cidadania.

É necessário que conheçam, com maior profundidade, os símbolos de seu País e o significado de cada um deles.

E, sobre o País, também é preciso que conheçam a estrutura básica de funcionamento da máquina administrativa estatal. É preciso preparar o jovem para que saiba quais as competências da União, dos estados e dos municípios. Até porque, quando o cidadão sabe o que cada órgão de governo deve fazer, consegue avaliar e melhor cobrar o Poder Executivo e Poder Legislativo, que por ele mesmo foram eleitos.

Uma reforma cívica verdadeira também deve passar pela informação que concerne aos direitos do cidadão. Uma disciplina escolar, voltada para uma formação cidadã, deverá também preparar a pessoa para exercer os seus direitos. É difícil exercer um direito, se não conhecemos este direito.

Mas, quem tem direitos, também tem deveres. Não basta saber que posso isso ou que posso aquilo. É necessário ter a consciência de que também tenho deveres. O cidadão que conhece suas obrigações pode, e deve, ser cobrado quando deixa de cumpri-las.

Tudo isso pode até nos parecer óbvio. Mas o dia a dia tem nos mostrado que grande parte da população não tem acesso a informações que sedimentem esses indispensáveis elementos de civismo e cidadania.

Acreditamos que tais mudanças, se aplicadas, em médio prazo, formarão cidadãos melhores, mais conscientes e com melhor condição de voto. Como conseqüência disso, também teremos um País mais justo, mais digno e melhor administrado para atender os verdadeiros anseios e necessidades da população brasileira.

Colaboração de Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa