A política do “aumentar o bolo para depois dividir” da Ditadura Militar fez a economia crescer a níveis invejáveis, mas não distribuiu a renda. A do atual governo de lema “parar tudo pra consertar” e da PEC 241, também identificada como “PEC da Maldade” que –emendando a Constituição Federal– propõe engessar despesas públicas por 20 anos, inclusive da Educação e da Saúde, bens de primeira necessidade de um povo, segundo muitos analistas é pior do que a dos milicos, porque são taxativos em afirmar que o nó da crise está no pagamento dos juros e amortizações da dívida pública e assim mais uma vez os menos favorecidos pagarão o pato.

Aliás, a presente gestão governamental, além dessa imposição estranha, fraqueja na harmonia e na obediência às leis entre outros quesitos, pois ficou claro isso diante do desprezo do Executivo e Legislativo ao parecer de inconstitucionalidade da PEC 241 dado pelo Ministério Público.  No da moral, se for levado em conta o fato da Câmara dos Deputados alardear responsabilidade em combater a Corrupção e na calada da noite procurar livrar políticos “caixas-dois” e “propineiros”, a nota é zero vírgula zero. E o que dizer de um ministro de Justiça abrir a boca sobre segredos da Lava Jato num comício de correligionários! Credibilíssima operação, mas que, nesses momentos vem, não sei do porquê, tropeçando na ética e no exibicionismo. A veemência televisiva do famoso episódio do “PowerPoint” e das “convicções” em que procuradores denunciavam investigados, razão de impreterível interferência de um ministro superior na tentativa de livrar a Justiça de achincalhamento e descredito da sociedade, é um dos exemplos, negativo, negativo, se diga. E por nela falar (e muito se fala num tal “acordão”), cadê os outros tantos delatados, propagados de iguais ilicitudes, mostrados na mídia e desaparecidos de cena? Será que a isonomia e a imparcialidade estão permeando mesmo os processos? Tomara.

Outro lance no governo substituto –bem verdade sempre presente na história do Brasil em especial nas instabilidades políticas – é a volta do Separatismo. Na região sulina uma constante com destaque para a Revolução Farroupilha.  No fim dos anos 70 do século passado, recordando mais um pouco, a Região Cacaueira aqui da Bahia foi palco de um propósito –embora de cunho legal– assemelhado: alegando que o Estado baiano e a União não entravam com uma contrapartida em termos de benefícios à altura de sua contribuição fiscal, esta região propusera se separar e criar o Estado de Santa Cruz, mas ficou só no papel do Projeto de Lei 194 de 1978. Pois é isso. Como não bastasse o racha –com prazo indeterminado para a normalidade– entre brasileiros causado pela abrupta ruptura da ordem política que a gente chama de impeachment, desta feita a insatisfação com o país Brasil radicalizou e deu lugar a 95,74% de um universo de mais de 500 mil votantes do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina opinarem por uma separação: paralelo às eleições municipais, num plebiscito informal disseram sim à criação de um novo país.

Supõe este escrevinhador, haja vista não ter lido a respeito, que catarinenses, gaúchos e paranaenses decidirão viver no neófito país sob a égide de uma Democracia, regime este infelizmente a tirar pelo grande número de votos nulos e branco e a enorme abstenção na votação de 2 de outubro, desprezado pela sociedade brasileira ou, na melhor das hipóteses, haver revelado forte clamor por uma reforma abrangente no sistema político brasileiro. Conclusão tirada do calor das ruas, diferente, portanto da do Superior Tribunal Eleitoral ao justificar a ausência do eleitor à falta de atualização dos cartórios.

Outra suposição: os “maragatos” de versão união sulina hodierna, com a mudança do mapa da América do Sul, idem do Brasil, devem estar pensando na nomeação do território e na sua Carta Magna e seus princípios a exemplo do da presunção da inocência etc., etc. Possivelmente sem deixarem brechas aos manjados “jeitinhos” brasileiros de violenta-la.

Heckel Januário