O AMIGO SECRETO E AS PERDAS

DA SENSIBILIDADE HUMANA.

Luiz Ferreira da Silva

luizferreira1937@gmail.com

 

LUIZ FERREIRA

Em fevereiro próximo, estarei fazendo 80 anos, quando lançarei um livro alusivo – O SOL POENTE DA VIDA.

Nele, em um determinado capítulo, discuto sobre as perdas da sensibilidade humana, aqui colocando em parte.

Nesses longos anos por esta estrada da vida, deparei-me com algumas alterações do comportamento humano, as quais vêm afetando toda a sociedade em termos de sensibilidade. É da natureza do homem a rejeição aos atributos que lhe causem esforços, procurando a chamada lei do menor esforço. Isso vem de há muito tempo. Só, ao que me parece, há certo descontrole nos temos atuais. Tempos idos, cultivava-se sentimentos que funcionavam como amortecedores dos atributos perversos, inatos do homem, possibilitando aflorar aqueles mais altruístas. A propósito, conto uma história de um índio que dizia que dentro dele havia um cachorro brabo e outro manso, tendo que conviver diariamente com a desavença dos dois. E lhe foi perguntado qual deles dois venceria a luta. – aquele que eu alimentar mais, respondeu. Vejamos algumas mudanças que, possivelmente, explicam como muitos se tornaram insensíveis e despreocupados em ativar qualidades que lhes enriqueçam a alma, nesses termos discutidos.

 

Como é Natal e muito me alegra o trocar presentes, sobretudo pela surpresa, escolhi um dos itens, que aqui insiro:

 

O SENTIDO DO PRESENTEAR.

 

Lembro-me do meu primeiro presente. Eu fiquei radiante e numa ansiedade de bater mais forte o coração ao desembrulhar aquele pacote tão bem apresentado.

Aprendi naquele instante e me convenci nos anos subsequentes que o presente não representa o valor pecuniário. Ele é muito mais. Significa uma troca de bem-estar, satisfazendo a quem recebe e a quem dá. Muitas vezes, ao receber a oferta a pessoa descobre o quanto foi distinguida e até amada, pois o objeto fora escolhido de modo a demonstrar a amizade, o carinho e a consideração do seu ofertador. E nesse contexto, muitos presentes se transformam em lembranças quase eternas, causando alegrais em mão dupla. Airma, minha esposa, guarda até hoje um pegador de gelo dado pelo seu irmão, Domício, revivendo-o em sua mente cada vez que o usa. Ademais, quantas vezes alguém lhe traz uma lembrancinha de uma viagem feita, pedindo desculpas pelo pouco valor monetário, informando que comprou por ter se lembrado de você e achado a sua cara. Hoje, a coisa mudou. A pessoa aniversariante manda um recado, curto e grosso: – vou viajar e quero dinheiro. Os presentes de casamento foram carimbados e até se usa transformar em dinheiro e recomprar ao seu belo prazer, nada importando o sentimento aqui referido. O vil metal falou mais alto.