Adenilson Souza Cunha Júnior

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Embora a história e a historiografia da maçonaria no Brasil nos informe que a presença da Ordem no país seja datada de 1797, institucionalmente ela nasceu em 1822 com a criação do Grande Oriente Brasileiro, atual Grande Oriente do Brasil, gênese da maçonaria brasileira. Assim, nesse ano de 2017, comemora-se 195 anos da presença institucional da maçonaria no Brasil, particularmente os 195 anos da primeira organização maçônica nacional.

Ao longo de quase dois séculos de existência, a maçonaria é reconhecida não apenas pelos mistérios e especulações que se fazem em torno de suas mais antigas tradições, mas pela destacada importância histórica que deu para construção político-social da nação, sobretudo até o início do século XX, quando daí vê-se drasticamente reduzida a sua influência.

Diversas são as questões que colaboraram para que sua participação deixasse de alcançar – como outrora e saudosista como invocam os maçons – com influência as decisões da vida política e social do país. Destacamos que a própria dinâmica social, o regime político, o crescimento populacional, o surgimento de organizações não governamentais, maior participação democrática de segmentos da sociedade civil organizada, também o surgimento de uma nova classe social emergente, entre outros fatores de natureza histórico-sociológico fizeram com que a maçonaria perdesse seu protagonismo no país.

No âmbito interno, as históricas cisões, “seus cismas”, e mais recentemente o grande número de ações judiciais provocadas na justiça profana, como a de eleições para grão-mestres, suspensão de irmãos e escândalos de corrupção envolvendo maçons além de expor a maçonaria revelou sua fragilidade em manter a unidade e, consequentemente uma força singular unitária. Um movimento disseminado nas redes sociais intitulado “Maçons BR”, que em ato simbólico abraçou o congresso contra a corrupção foi a derrocada final para exposição de uma instituição tão respeitada quanto a nossa.

Guardadas tais considerações, que merecem melhor e mais detalhadas análises do ponto de vista conjuntural, a maçonaria continua preservando o que de melhor têm: os seus princípios iniciáticos. Resguardando suas tradições seculares de promover em seus membros, através de sua pedagogia, o aperfeiçoamento moral e intelectual com vistas a construção de uma sociedade mais igualitária, a maçonaria tem desenvolvido, sobretudo no interior do país – onde demonstra maior força – inúmeras ações de natureza filantrópica beneficente. Continua preservando seus valores, suas crenças e princípios.

Prova disso é que ao contrário do que vem ocorrendo em todo mundo, onde a maçonaria tem apresentado vertiginoso declínio, a maçonaria brasileira tem aumentado seu número de membros, fato este que sinaliza positivamente para se pensar que é possível continuar norteando suas ações se adaptando a um cenário em que se modifica com volatilidade.

Nesses 195 anos que se completa em 2017, parece-nos o caminho mais promissor a busca pela unidade das Lojas e Obediências, pela manutenção de ações que se processem com maior efetividade local do que nutrir expectativas que a Ordem já não mais atende do ponto de vista de sua real função dentro da sociedade atual.

Que 2017 seja marcado por trabalhos maçônicos intensos, que a chama de nossos princípios esteja sempre resguardada e que nós, maçons, tenhamos sempre em mente que a maçonaria está de verdade dentro de nós mesmos.