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Luiz Castro em: DECOLORES

SEU PEREIRA

Desde a tenra idade comecei a trabalhar no comércio. Conheci vários comerciantes, entre eles o inesquecível ALBINO ALVAREZ PEREIRA, conhecido popularmente por Seu Pereira. Meu tio João de Castro, funcionário de carreira do Loyd Brasileiro, mantinha conta corrente (caderneta) na Padaria Luso Brasileiro, sendo  privilegio de poucos na época e diariamente ia naquela casa comercial com meus primos comprar alimentos e o tradicional pão.  Seu Pereira nasceu na Espanha e veio ao Brasil, especificamente para Ilhéus, a convite de seu irmão.  Daniel Ventin mantinha comércio em Salvador e tinha vontade de expandir seus negócios em Ilhéus, por ser uma cidade prospera com muita circulação de dinheiro, por conta da lavoura do cacau. Daí é que Seu Pereira topou o negocio, e logo se tornou sócio da firma.  A empresa prosperou acima do esperado, e, tempo depois construiu o Edifício Pereira Ventin, Edifício Daniel Ventin e o Edifício Paranaguá.

Seu Pereira era um sujeito sugênere. Foi cliente exclusivo do Banco da Bahia e posteriormente do Banco Bradesco, além de  ser amigo particular de Amadeu Aguiar, proprietário do banco. Homem trabalhador, tinha uma personalidade impar, honestíssimo, respeitava as Leis do país, principalmente os direitos trabalhistas. Acordava de madrugada e logo abria a padaria, pois havia clientes esperando, bem como os padeiros que iriam  vender pão nos bairros da cidade.

A padaria era bastante sortida, tinha de tudo, embora naquela época ainda não existisse super mercado, somente alguns armazéns vendiam o básico (feijão, arroz, farinho, etc),  enquanto na padaria de Seu Pereira o freguês tinha  opções variadas: Biscoitos finos, leite em pó, goiabada, aveia, óleo, queijo, bombons, manteiga, etc.

Sua indumentária era uma calça claque, muito usada na época e  vestia uma camisa regata cor branca com  uma camisa social de manga curta e calçava  sapato vulcabrás cor preta, sempre   sujo de farinha de trigo.  Era simples, modesto,  trabalhava de balconista, era caixa, carregava e descarregava o caminhão de lenha (F-350) e atendia  fornecedores e clientes no escritório.

Seus funcionários, eram fieis escudeiros, lembro-me de Manezinho, Manelão, Nage, Paulo e Bacelar. O  jeito de Seu Pereira atender os clientes era gozado quando dizia: “Pode dizer, comprar na Luso Brasileiro é economizar dinheiro, comprar em Afonso Matos é jogar dinheiro no mato. Você sabe porque faliu? Compraste na Casa Brasil ! ”.

Lembro-me quando voltávamos das festas íamos logo cedo á padaria comprar pão com salame ou com goiabada, e  Seu Pereira exclamava: “Que beleza! Eu trabalhando e vocês dançando!”

Outro fato muito interessante foi quando fui comprar um kilo de biscoito cream  craker folheado, e na hora de despachar pedi um para experimentar. Aí ele exclamou: “Tire do seu e deixe o meu”,                                                                                                      Quando ele estava no caixa pedia sempre para conferir o troco, pois não aceitava reclamação posterior.

Assim, concluo esses relatos, com algumas curiosidades desse cidadão que foi tão importante para o desenvolvimento do nosso município: Visitou somente uma vez o seu país; nunca possuiu  automóvel de passeio; sendo  sua maior tristeza foi ter perdido seu  filho  Albino, vitima de um desastre automobilístico. Casou com Dona Laurinda que reside em Ilhéus com suas filhas e sua irmã.

A Câmara Municipal de Ilhéus concedeu-lhe  o titulo de Cidadão Ilheense.

Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa


| Postado em Espaço do Leitor
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