A CACAUICULTURA BAIANA: “JÁ ERA”?

Luiz Ferreira da Silva, 80.

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Cacau

O colega e empreendedor rural Hilton Leal, que labuta nas roças de cacau, tanto em Ibirataia (BA), quanto na Transamazônica (PA), me enviou uma reportagem, na qual consta que o Estado do Pará ultrapassou a Bahia em termos de produção de cacau.

Imediatamente, recorri aos meus alfarrábios e fui buscar o meu artigo que, há 16 anos (2001), publiquei na Gazeta Mercantil e no Jornal A TARDE de Salvador, intitulado “A Nova Geografia do Cacau”, no qual vaticina tal acontecido. Ninguém deu bolas ao meu modesto escrito que resumidamente o insiro a seguir, para nova reflexão.

 

A Bahia sempre manteve a supremacia da produção de cacau, cuja implantação no ano de1746, em condições favoráveis, construiu uma história, uma civilização e uma economia importante para o país. Uma agricultura fácil de ser manejada, sobretudo por se tratar de uma região indene às enfermidades virulentas de outros países produtores, até que, em 1988, chegou a vassoura-de-bruxa, expandindo-se em razão dos fatores altamente favoráveis à ela.

Nos últimos anos, um esforço muito grande tem sido despendido, no sentido de se tentar conviver com esse mal, que chegou numa hora inadequada, quando a cacauicultura se encontrava em crise, inclusive institucional.

.Uma constatação importante se refere a inexistência plantações de cacau convivendo com o insidioso mal  nas condições ecológicas do Sul da Bahia, diferentemente da cacauicultura, que fora implantada sob nuanças ecológicas, na Amazônia, com certo escape ao fungo  além de plantios adaptados ao convívio (pequenas áreas).

Neste contexto, é possível se fazer alguns prognósticos sobre a lavoura tradicional da Bahia. Haverá um novo redimensionamento de novas plantações bem manejadas (200 mil hectares), processando-se a substituição do cacau na área restante por outros cultivos.

Para tal, urge um Plano de Desenvolvimento Agrícola, contemplando a recuperação dos cacauais, e, pari passu, um programa de diversificação das roças.

Se o Brasil deseja retornar a ser um grande produtor de cacau, tem que se voltar para a Amazônia, estabelecendo um programa decenal de implantação de cacau – um novo PROCACAU..

Assim, a Bahia, inverteria a sua posição, perdendo a sua prevalência cacaueira, porém ganharia no aspecto do aproveitamento multifuncional das terras sul baianas.

Interessante frisar que o produtor baiano sempre foi contra a CEPLAC na Amazônia. E rebatíamos: “não era desejável se ter um cultivo centralizado numa única região, pois qualquer turbulência poderia comprometer a produção nacional de cacau”.

Ainda bem que o cacau retornou às origens e o Brasil poderá dispor de áreas para a sua expansão.