Anísio Cruz – julho 2018

Bem que tentei ficar de fora do meio político-partidário, mesmo possuindo opiniões pessoais muito claras, como todo cidadão deve possuir. Sou legalista, e caminho ao lado de pessoas que propugnam pela ampla democracia, sonhando com o dia em que, a nossa pátria ficará livre de politiqueiros profissionais, que se enchem de brios por esse, ou aquele partido político, em busca de obterem espaço de onde possam auferir benefícios pessoais, como assistimos nos dias de hoje. Mas, em que pesem as minhas convicções pessoais, tenho que admitir a necessidade de se dar uma brusca parada, um “freio de arrumação”, para que a locomotiva da nação volte aos trilhos, reencontrando o caminho da moralidade e do civismo, que possam nos encher de orgulho, como acontece em algumas nações, até mesmo do nosso continente.

Quando foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte, para escrever uma nova Constituição de 1988, entendemos que seria uma ótima oportunidade de por ordem na casa, sob o comando do Dr. Ulisses Guimarães, escrevendo a nova Carta Constitucional, onde todos os segmentos da nossa sociedade, fossem contemplados, sem subterfúgios. Um texto claro, com artigos objetivos, onde não houvesse margem a dúvidas, pela falta de uma vírgula, de um hífen, com todas as letras nos seus respectivos lugares. Mas não foi isso o que aconteceu. Hoje a nossa Constituição possui quase 200 emendas, mesmo com todas as salvaguardas estabelecidas para eventuais modificações. São frequentes as intervenções do Supremo, com o propósito de dirimir dúvidas, o que deixa tudo o que foi feito, ou conquistado, à mercê de 11 Ministros nomeados pelos Presidentes da República, ou seja, vulneráveis aos meandros políticos, e interesses daqueles que os nomeiam, sem a necessária isenção nas suas decisões.

Agora mesmo, estamos apreensivos pela assunção ao cargo de presidente daquela corte, um dos ministros mais contestados, nas suas decisões, devido a sua proximidade com o partido político ao qual serviu, e o nomeou, mesmo nunca tendo sido um Juiz togado, oriundo da magistratura por concurso. Pesa sobre ele, a desconfiança da grande maioria da população, ressabiada por decisões, e votos, que sempre beneficiam um lado da “moeda” política. A situação é tão absurda, que circulam nas redes sociais, abaixo-assinados que pretendem a sua destituição, efetivada pelo único que pode tomar tal decisão, que é o Presidente da República. Tenho cá as minhas dúvidas de que isso venha a acontecer, mormente neste período pré-eleitoral, quando os ânimos se encontram exaltados, e com partidários do ex-presidente esperneando, e ameaçando com a retomada do poder à força, como temos lido, e ouvido nos meios noticiosos.

Também há os que pretendem a intervenção das Forças Armadas, e a destituição do Presidente da República, o fechamento do Congresso Nacional, e a dissolução das cortes de justiça, para que haja um novo começo da vida nacional, sob outros critérios, após a convocação de nova eleição de Deputados Constituintes, e a elaboração de nova carta. Entendo que não seja uma coisa simples, como muitos imaginam. Uma atitude drástica dessa natureza, seria como acender um rastilho de pólvora, espalhando escaramuças diversas, em todos os rincões da nossa pátria, até haver o predomínio da razão.

Espero que todos tenham juízo, mesmo correndo o risco de permanecermos nas mesmices com que os políticos agem, puxando brasas para suas sardinhas, sem cumprirem os compromissos pelos quais foram eleitos, e pelos quais deveriam se pautar. Será muito triste mergulharmos numa guerra fratricida, fazendo correr sangue de inocentes úteis, que bandearão para um, ou outro lado, muitas vezes sem sequer saber os motivos que os levaram a lutar. São as “buchas de canhões” que estarão nas linhas de combate, como já aconteceu e acontece em outros países mundo a fora.

O ideal é que haja uma total renovação dos quadros, para que os noviços cheguem sem os vícios que predominam na política nacional, e realizem os seus trabalhos, com interesse de mudar a situação vigente, que tantas aflições nos causam. Caberá a nós, no pleito que se aproxima, separarmos o “joio do trigo”, proporcionando a eleição de mulheres e homens capacitados, íntegros, e dispostos a reverter essa situação em que nos lançaram nos últimos anos. Façamos valer os nossos votos.