DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO

Altenildes Caldeira Moreau

A democracia é entendida como uma forma de governo em que a força do povo deve exercer a soberania.  Os interesses e necessidades populares são preferencialmente atendidos.

Na teoria, tudo fica mais fácil de entender e de se ajustar, mas quando se chega na prática, no dia a dia do exercício democrático, as coisas começam a se complicar. A formação das nossas sociedades apresenta aspectos conflitantes com as propostas da democracia.

O egoísmo, o individualismo, a busca pelo poder e o desejo de posse dos bens materiais e da acumulação da riqueza, inibem a prática da democracia e da distribuição dos recursos vitais entre as pessoas e as comunidades, criando grupos partidários com incontáveis interesses pessoais.

Como resolver este problema, quando se acha que o sistema democrático é o melhor caminho para o funcionamento político do nosso País? Existe uma convergência de pensamento da maioria da população brasileira, de que a Educação será um pré-requisito para a convivência harmoniosa e o atendimento mais justo dos anseios dos brasileiros, em especial  dos  mais necessitados.

No entanto, a Educação de que se fala sempre, não é vista com a abrangência que ela merece.

Entendemos que a Educação deve ser compreendida não somente como a alfabetização, elevação do nível escolar das pessoas e elevação do conhecimento tecnológico, mas um processo de mudança integral de comportamento perante a sociedade em que se vive, passando pela ética, pela honestidade, pela responsabilidade e pela cidadania.

O professor Carlos Brandão, da UNICAMP, São Paulo, escreveu um livro que fala das educações, e não somente da Educação. As educações porque se trata de mudanças de comportamento do ser humano nas diversas áreas da vida:  familiar ou doméstica, que aqui destacamos como umas das mais marcantes formas de educação, pois vai desde a infância segue pela adolescência e mesmo na fase adulta, porque os filhos na sua maioria têm respeito aos pais e os aceitam como modelo de vida. A educação na área física ou corporal, na área   financeira que tanto preocupa as pessoas, a social, a mental ou cognitiva e área espiritual.

A ideia da Educação como pré-requisito à Democracia, não significa que uma deverá vir antes da outra, mas sim, que as duas deverão ocorrer simultaneamente, ou seja, “educar democraticamente”, o que requer uma preparação mais adequada dos educadores, dos estudantes,  dos .pais e responsáveis pelas famílias, dos empresários,  dos administradores,  dos políticos ,  dos trabalhadores, enfim , de toda a as pessoas integrantes das nossas comunidades para que assim, possam  serem chamadas.

Estamos vivendo um momento de turbulência  política com reflexos negativos  em todos os setores da nossa organização social. Fundamentados na Democracia, apoiamos os políticos a criarem 35 paridos políticos, todos buscando recursos financeiros dos Governos retirados do povo pelos impostos e das Empresas em troca de favores e de propinas que se generalizaram  pelo País inteiro, sob forma de corrupção das mais  criativas,  engenhosas e escandalosas  possíveis.

O juiz Sérgio Moro, em um dos seus artigos pergunta, como sair desse imenso problema?

Esta é uma questão que fica para reflexão e responsabilidade primeira, dos futuros dirigentes que estamos esperando, pós- eleição, para assumirem os cargos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da nossa República Federativa do Brasil. “DEUS SALVE OS ELEITOS”

 

O resgate da dignidade humana

In O pesadelo da fome globalizada. Capítulo IV – Livro em elaboração

Luiz Ferreira da Silva


A Família Cate foi convencida pelo patriarca a mudar os rumos das férias de final de ano, anteriormente projetadas exclusivamente ao lazer em paradisíacas regiões do planeta.

Desta vez, o mote era conhecer os povos da África, enfocando os costumes e as dificuldades de sobrevivência nas regiões semiáridas, eivadas de fome e alta mortalidade infantil.

Tal reviravolta familiar, cujos membros estavam acostumados ao “glamour” das férias no Caribe, nos alpes suíços ou nas ilhas gregas, aconteceu após conhecerem os trabalhos humanitários do MSF (Médicos Sem Fronteiras), que bateu fundo nos corações de todos resultando numa nova visão do mundo, até então circunscrita aos seus umbigos.

Imediatamente se associaram à causa, destinando uma verba mensal para subsidiar programas específicos na República do Haiti, arrasada por calamidades tectônicas, maximizando a fome neste país pobre e vilipendiado pelos governantes inescrupulosos desde séculos.

Por outro lado, até hoje é afetado por confrontos violentos entre gangues e grupos políticos rivais, ao ponto que a ONU (Organização das Nações Unidas) classificou a situação de direitos humanos como catastrófica. Infelizmente, um exemplo da sanha cruel do homem.

Vale a pena se informar ao prezado leitor sobre essa Cruzada Humanitária, que nos faz repensar a vida e acreditar no ser humano.

O MSF (www.msf.org.br) leva cuidados de saúde essenciais a quem mais precisa, em contextos como conflitos armados, epidemias, desnutrição, desastres naturais e exclusão do acesso à assistência médica. Todas essas situações pedem resposta rápida, além de profissionais médicos e logísticos especializados. Entretanto, também administra projetos de longo prazo, prestando suporte a pessoas que tem enormes necessidades e em locais onde falta assistência adequada. Atualmente, MSF leva ajuda humanitária a pessoas em cerca de 70 países

A organização foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria. Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos, que faziam com que muitos se calassem, ainda que diante de situações gritantes. O MSF surge, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas. Em 1999, MSF recebeu o prêmio Nobel da Paz.

A atuação de Médicos Sem Fronteiras é, acima de tudo, médica. A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se encontram.

Em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população – como ocorre em casos de extrema urgência –, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos. Esse tipo de ação se dá prioritariamente em períodos de crise, quando o equilíbrio anterior de uma situação é rompido e a vida das pessoas é ameaçada.

A atuação do MSF respeita as regras da ética médica, em particular, o dever de oferecer auxílio sem prejudicar qualquer indivíduo ou grupo e a imparcialidade, garantindo o direito à confidencialidade.

Ninguém pode ser punido por exercer uma atividade médica de acordo com o código de ética profissional, não importando as circunstâncias, nem quem são os beneficiários.

Felizmente, através das ações do MSF é possível se acreditar que o mundo tem jeito e, por assim crer, a família dos Cates se fez presente nesse regate da dignidade humana

MULHER DE MATAR

Crônica de Fernando Sabino

Olhou distraidamente para o relógio e deu um pulo na cadeira: Ih, cacilda, quatro e meia da manhã! Mais um pouco e encontraria a mulher acordada.

Enquanto a noite durasse, nada a temer. Mas não podia se deixar se apanhar na rua quando a claridade do céu começava a anunciar o novo dia. A partir de então a mulher acordava a qualquer barulhinho. Houve um dia, por exemplo, em que mal havia tirado a roupa, ouviu a voz dela lá na cama, você vai sair a esta hora? Não teve remédio senão dizer que sim, tinha de estar bem cedo no escritório. E tornou a sair, foi mesmo para o escritório, dormir no sofá da sala de espera o restinho da manhã.

— Gente, eu tenho de me mandar.

Chamou o garçom, pagou sua conta, despediu-se dos amigos que, já bêbados, nem deram por sua partida. Meio bebido, ele próprio, na rua firmou-se sobre as pernas e fez sinal para um táxi que passava.

Alguém mais se adiantou e acenou para o mesmo táxi. Era uma mulher que também acabava de sair da boate.

Pronto, pensou rápido: se perco este táxi, lá vai minha última chance de chegar ainda de noite.

Quando o táxi parou, fingiu que não via a mulher e avançou para abrir a porta. Ela também avançou, tocou-lhe o braço:

— Por favor, estou com pressa!

A voz, aflita, era educada e insinuante. Então ele reparou que era uma mulher bonita. Ainda assim resistiu: pediu-lhe também de maneira educada que o desculpasse, mas sua pressa era maior. A menos que seguissem juntos no táxi, e ele a deixaria no caminho, se é que iam para o mesmo lado. Vacilaram ambos:

— Se não se incomoda…

— Incômodo nenhum.

— Bem, nesse caso…

Estavam nisso quando surgiu um grandalhão, de terno xadrez e segurou a mulher pelo braço. Ignorou a presença dele e falou com a voz carregada:

— Eu agorra te matarr.

Notou que o homem tinha à ilharga algo avolumado sob o paletó, só podia ser revolver. E a manopla já avançando para sacá-lo.

— Não faça isso! — gritou, com a mão espalmada no ar, como um guarda de trânsito: — O senhor não pode fazer uma coisa dessas!

— O homem se voltou, como se o visse só então:

— Não poderr porr quê? Quem é senhorr?

Agora era distrair o gringo e tomar o táxi:

— Tenho mulher e filhos em casa me esperando, e o senhor quer me envolver num crime?

— Sernhor não saberr que esta mulherr fazerr comigo.

— Seja o que for, não vá matá-la, pelo menos na minha vista.

Mesmo que fosse embora, estaria envolvido: o chofer do táxi seria testemunha. E a mulher não tinha a menor reação, ia morrer sem um pio. O jeito era ficar:

— Do you speak English?

— Eu serr alemon.

— Neste caso vai em português mesmo. Vamos tomar um drinque.

Dispensou o táxi e conduziu ambos pelo braço de volta à boate.

Era dia claro quando se viu noutro táxi, em companhia da mulher e do alemão, reconciliados graças à sua intervenção. A idéia era deixá-la primeiro, para evitar que o homem, sozinho com ela, tivesse novo ímpeto homicida.

Quando ela saltou, o alemão quis descer também, foi um custo contê-lo:

— Você prometeu, Fritz.

Ela se foi, sã e salva, e os dois seguiram viagem. Ele convidou o alemão para tomar o café da manhã em sua casa — única maneira de sua mulher acreditar naquela história:

— Quero que você conheça minha mulher. Esta sim, é de matar.

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O PENSAMENTO DA SEMANA

Morrer é uma opção que deve ser deixada para depois.

 

A POESIA DA SEMANA

AMOR DISTANTE

Tony Fraga

Ah! Como eu quero viver o amor que um dia experimentei…

É um amor distante, mas muito presente;

É um amor lindo, muito lindo, mas eu ainda não o vi de perto;

É um amor forte, mas que nos torna sensíveis, simples e inocentes como crianças;

É um amor grande, mas que nos torna pequenos e desprovidos de desejos de grandeza;

É um amor de primavera, mas que está presente em todas as estações do ano;

É um amor atrevido, mas que sabe respeitar o coração amado;

É um amor que chora com a distância e uma possível separação, mesmo quando os corpos nunca estiveram juntos;

É um amor que traz paz em meio a tanta dor causada pela distância;

É um amor que encurta a distância e une dois corações em um só coração;

É um amor que dá esperança de encontro inesquecível;

É um amor que dá a certeza de nos pertencermos, mesmo quando as impossibilidades são reais;

É um amor que vivifica;

É assim! Isto é o nosso amor.

 

A PIADA DA SEMANA


Mário :

-Oque você acha do meu cão policial?

Kátia :

-Cão? Mas esse bicho faz “miau”.

Mário :

– É que ele está trabalhando disfarçado agora.

 


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