Por Gustavo Kruschewsky

Entra ano, sai ano, e as campanhas dos candidatos em tempo de eleição continuam eivadas de promessas eleitoreiras, e o país continua atrasado. E o pior, sofrendo malversação interminável do erário público pelos elementos que o povo confia votando nas urnas eleitorais. Alguns deles, respondendo inquérito ou já processados, estão acostumados a meter a mão no dinheiro de forma desonesta, utilizando-se de caixa dois e outros expedientes fraudulentos. Temos que ter esperança na LAVA JATO que com suas decisões judiciais, encarcerando muitos corruptos, surta o efeito da intimidação aos neófitos que entram no exercício da política com o fito de roubar.

Por outro lado, o princípio da alternância dos poderes não é considerado! As figurinhas se repetem nos cargos “públicos” durante décadas. Muitos têm dez, vinte, trinta e até quarenta anos no senado e câmaras legislativas de um modo geral. Dois ex presidentes da República que não terminaram o mandato, sofreram impeachment, um deles é senador da república e a outra candidatíssima ao senado. A Culpa inicialmente é da própria Constituição de 1988, que dá azo a indecência dessa natureza colidindo com preceitos dela própria coadjuvada por julgados absurdos de instância judicial superior.

Sem querer falar também das firulas jurídicas que a turma de muitos setores do judiciário deixa a gente de cabelo em pé. Acresce que as escolas brasileiras, de níveis desiguais – na sua maioria – não formam os seus alunos, futuros leitores e eleitores, proporcionando uma visão crítica, reflexiva e criativa do que vem acontecendo no nosso país. Aceitam os desmandos com naturalidade e inércia, quase sempre por não abstrair da importância da pessoa humana no contexto político e social.

Em tempos de Operação Lava jato e com outras denominações, ainda se percebe nessas eleições de 2018, verdadeiros tumultos por parte de candidatos que deságuam em guerra, demonstrando falta de serenidade onde prevalece na verdade conflitos provocados por muitos deles destilando o sentimento de ódio. Agem às avessas sem na prática agirem conforme o dizer aristotélico sobre o exercício da verdadeira política.

E as pesquisas eleitorais vêm demonstrando uma total ausência de luz – e falta do mínimo conhecimento do que seja o exercício da política – nas pessoas que dão opinião nas citadas pesquisas, posto que elas ignoram, ou fazem que ignoram, ou não estão nem aí, se o “seu” candidato de preferência é “cordeiro ou dragão”.

A brilhante jornalista Eliane Cantanhêde em 23/09/2018 no Jornal A Tarde, assim se posicionou:

“Vão se criando dois Brasis. Um se alinha com discurso da bala, da segurança, da antipolítica, do antipetismo e do conservadorismo de costumes. O outro é grato às benesses sociais, suscetíveis às promessas populistas, desconhece a importância do equilíbrio fiscal, acha natural o aparelhamento do Estado e releva a pregação contra a corrupção. ”

O que “é grato às benesses sociais”, é réu, como cediço, em Ação de improbidade administrativa onde responde sobre questões relativas a construção de ciclovias. Faz-se de desentendido, e, se for eleito, será que exercerá o múnus público PRO BONO?

Já, o que desponta em primeiro lugar nas pesquisas, parece que também responde por algum crime. https://wagnerfrancesco.jusbrasil.com.br/artigos/436750701/bolsonaro-reu-em-dois-processos-criminais-tramitando-no-stf-pode-ser-candidato-a-presidencia . Vinte e sete anos na função de deputado federal. Militar da reserva, que se diz de boa cepa, vem angariando o primeiro lugar nas pesquisas eleitorais e a turma que o apoia confia e acredita que com ele o Brasil vai entrar nos eixos. Os seus apoiadores não levam em consideração essas questões pelo fato dele também ser processado.

O Supremo Tribunal Federal já levantou questão de que quem é réu em algum processo criminal não pode ser candidato a presidente da república, ou seja, não seria permitido concorrer ao cargo político mais alto do país. Neste caso, nenhum dos apontados, pelas pesquisas que estão em primeiro e segundo lugares não deveriam ser candidatos a presidente da república. Além de que “Advogada que destruiu a defesa de Lula no TSE, pretende pedir a impugnação de Haddad (Veja o Vídeo) Leia mais: https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias”. Diz a lei: “Partidos não podem substituir candidatos impedidos de disputar caso as razões para o impedimento sejam anteriores ao registro da candidatura”. Quem se enquadra nessa situação, hem?

No tocante ao que afirmou Eliane Cantanhêde – não entendo que foram criados “dois Brasis”. Com os resultados últimos das pesquisas eleitorais, foram criados mais dois problemas. Culpa maior do próprio povo que vai na onda de uns e de outros grupos, e aí vira festa. O povo, na sua grande maioria, não faz uma avaliação antes de outorgar seu sagrado voto.

Faz parte desses dois problemas um outro aspecto que se deve levar em consideração, é a delação premiada de Antônio Palocci que pode estourar e se tornar pública a qualquer momento. Segundo informações, atingirá em cheio várias pessoas do meio “político” inclusive ao candidato à presidência da República que figura em segundo lugar nas últimas pesquisas eleitorais.

O que não convence – e é motivo de tristeza – para as pessoas de bom senso político, são os “projetos” verbais que os candidatos apresentam nas suas campanhas em rádios, jornais e televisão de forma reiterada. Muitos deles, se eleitos, esquecem tudo e fazem o que quer e/ou o que querem. Muitos não fazem nada, só mamam abastecidos com o erário público. A história está aí desde os tempos de outrora. Os politiqueiros mentem e a grande massa aceita as mentiras e ainda faz festa para essa turma em época de eleições. A maioria do povo brasileiro adora uma atividade lúdica.

A Constituição Federal ou até lei infraconstitucional deveria prevê sanções para candidatos com promessas aleivosas repetidas em campanha eleitoral que no término do mandato não são concretizadas e estabelecer periodicamente uma avaliação, por órgãos competentes, da atuação de cada prefeito, vereador, governador, deputado, senador e presidente da república. Será que muitos deles sabem quais são as suas competências no exercício da sua missão nas regras estabelecidas?

Mas ainda está em tempo dos eleitores, que votarão em silêncio, virarem esse jogo dando preferência nas urnas por um candidato (a) que apesar de não pontificar nos primeiros lugares das pesquisas eleitorais, divulgadas até então pela mídia, é na verdade ficha limpa.

Com tudo que acontece neste país, muito gente se pergunta: Até que ponto as pesquisas eleitorais são fidedignas? E as urnas eletrônicas, são confiáveis?

Não é possível suportar mais quatro anos nesse caminho que nós estamos! É preciso ordem e progresso! É urgente restabelecê-los mudando “políticos” por outros bem-intencionados, isso só pode ser feito com o voto sem paixão e seguro, ou seja, sem pedido ou indicação de outrem. Ainda é urgente restaurar a equipe do STF e outras instâncias acabando com indicações de presidente da república e colocando em prática o concurso público e/ou o merecimento para qualquer instância dos magistrados existentes.