A CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO (CAPÍTULO IV)

(In A mãe natureza nos ensinando os caminhos do bem. Editora Via Litterarum, 2018)

Luiz Ferreira da Silva

Na Natureza as espécies procuram se adaptar às alterações ambientais, sem que comprometam o sentido maior que é a sua perpetuação. Como exemplo visível em logradouros públicos, sobretudo do Nordeste, é a bela árvore chamada “castanhola”, cujos frutos se parecem com os da castanha do Pará, que já fora de terra alagada (solos hidromórficos), daí seu nome científico – Bombax aquaticum, vegetando hoje em terra firme.

Para aclarar mais ainda, basta que se recorra ao ecossistema do semiárido (caatingas), dotado de plantas adaptadas ao déficit hídrico.

A caatinga é a vegetação nativa típica. Aprendendo com a natureza e respeitando seus recursos naturais é possível viver e conviver com o semiárido.

Além da importância biológica, a caatinga apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado. Em termos forrageiros, apresenta espécies como o pau-ferro, a catingueira verdadeira, a catingueira rasteira, a cana fístula, o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos, ovinos, bovinos e muares.

Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbu, o araticum, o jatobá, o murici e o licuri e, entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, a braúna, o quatro-patacas, o pinhão, o velame, o marmeleiro, o angico, o sabiá, o jericó, entre outras.

Pois bem. Muitas dessas plantas desenvolveram alterações biológicas, facilitando vicejar em terrenos secos.

Insiro, para aclarar essa questão, os ensinamentos do Professor Manoel Bomfim Ribeiro, socializados através do seu excelente livro – A potencialidade do semiárido brasileiro.

“O Nordeste semiárido é um verdadeiro laboratório botânico dotado de essências florestais perfeitamente adaptadas à realidade climática. Este grande complexo botânico, adaptado à baixa pluviosidade criou naturalmente seus meios de sobrevivência, seus equipamentos de defesa para vencer o ambiente hostil como”:

Ø. Espinhos pontiagudos de fácil remoção, uma proteção natural contra os animais;

Ø. Redução da superfície folear para diminuir a intensidade de perda de água, a exemplo da catingueira e de outras espécies de folhas arredondadas.

Ø. Caules suberosos (aspecto de cortiça), espessos, ricos em xilopódios (espessamento de raízes e caules subterrâneos) para manter a umidade e nutrientes como a faveleira.

Ø. Raízes possantes e tuberosas (acumuladoras de nutrientes), com a formação de “batatas”, ricas em água, amido, açúcares e nutrientes como o umbuzeiro.

Ø. As plantas herbáceas (ervas), arbustivas (arbustos; pequenas árvores) e semi-arbustivas (mini árvores), dotadas de extraordinária riqueza floral que através da polinização entomófila (insetos) garante a sua capacidade genética para a perpetuação das espécies.

 

ENSINAMENTO. O homem tem medo da morte, do futuro e das mudanças. Neste contexto, acomoda-se e usa a lei do menor esforço, relutando em mudar e/ou se adaptar às novas circunstâncias, sem se aperceber de que a mais importante propriedade da natureza é justamente a sua capacidade de se adaptar às intempéries.

 

O VOTO DE CABRESTO

Postado por Aloísio Guimarães

(www.terrados xucurus.blogspot.com.br)

Os mais novos não alcançaram, mas as nossas eleições já foram manuais, tanto a votação como a sua apuração. Era uma época do vale-tudo: “voto de cabresto”, “voto camarão”, “voto carbono”, “voto formiguinha” . Eram artimanhas usadas pelos endinheirados e maus políticos para ganhar a eleição.

E como funcionava o processo manual de votação? Na hora de votar, o eleitor recebia a cédula e um envelope, onde era colocado o voto, e depois depositado na urna. Hoje, a eleição é toda informatizada, mas, mesmo assim, muitos safados ainda tentam fraudar a vontade do povo. Agora, além do Bolsa Família, instrumento de dominação da vontade popular, dizem que o voto mais famoso do processo eleitoral é o “voto zap-zap”, onde o eleitor, munido do celular, filma o seu voto, para depois mostrar ao candidato e assim receber o seu “bônus”.

Como acabar com isto? É muito simples: no que se refere ao “Bolsa Família”, deve-se fazer uma triagem rigorosa para eliminar muita gente que está recebendo, sem merecer, e com isso diminuir a sua influência nas eleições. No tocante ao voto “zap-zap“, que tal proibir e punir quem entrar na cabine de votação com aparelho celular. É só querer…

Pois bem, vamos ao nosso causo:

Contam que, em décadas passadas, o “Coroné” Tenório, rico fazendeiro de uma conceituada cidade do sertão alagoano, era o “chefe político da região”. Quem quisesse ser eleito tinha que pedir a benção dele, antes de se candidatar, e assumir o compromisso de ser “pau mandado” dele, após eleito.

Nesse tempo, quase que não existia fiscalização eleitoral. Se existia, era uma faz de conta. Ai daquele que se atrevesse a denunciar…

Pois bem, no dia da eleição, o “Coroné” Tenório reuniu a peãozada da sua fazenda, entregou um envelope fechado a cada um deles e avisou:

– Pessoá, cada um de vosmicês, vai receber um envelopi igualzinho a esse qui vosmicês receberam agora. Vão pegar o envelopi que vão receber no locá de votação, guardá no bolso e colocá na urna essi que lhe entreguei agora. Num quero ninguém de cunversa por aí… Cabou de votá, vem direto pra fazenda, entendidu?

Nisso, um peão pergunta:

– Sinhô “Coroné”, eu num posso pelo menus abrir o envelopi prumode vê em quem  tô votando?

Ao ouvir a pergunta do caboclo atrevido, o “Coroné” Tenório, esbraveja:

– Oxente! Deixe de besteira seu cabra! Vosmicê nunca ouviu dizê que o voto é secreto?

 

CURIOSIDADES


O nome mais comum no mundo é Mohammed.

O orgasmo do porco dura aproximadamente 30 minutos.

Há dois cartões de créditos para cada pessoa nos Estados Unidos.

É fisicamente impossível para os porcos olharem para o céu

TYPEWRITER é mais longa palavra que você consegue escrever usando apenas as letras de uma linha do teclado (Só vale em inglês).

As mulheres piscam quase duas vezes mais que os homens!

Se você espirra muito forte, você pode quebrar uma costela. Se você tentar segurar um espirro, você pode romper uma veia na cabeça ou pescoço e morrer..

É impossível lamber seu cotovelo..

 

A PRIMEIRA VEZ

Tati Bernardi

 

Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa.

Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado.

Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo.

Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado.

Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito.

Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.

Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.

Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”.

Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo.

Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso.

Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.

Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você.

Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim.

E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.

 

O PENSAMENTO DA SEMANA

Se não puder parar o trem, embarque nele.

 

A POESIA DA SEMANA

A UM AUSENTE

Carlos Drummond de Andrade

Tenho razão de sentir saudade,

tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste

e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência

de viver e explorar os rumos de obscuridade

sem prazo sem consulta sem provocação

até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.

Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.

Que poderias ter feito de mais grave

do que o ato sem continuação, o ato em si,

o ato que não ousamos nem sabemos ousar

porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,

de nossa convivência em falas camaradas,

simples apertar de mãos, nem isso, voz

modulando sílabas conhecidas e banais

que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.

Sim, acuso-te porque fizeste

o não previsto nas leis da amizade e da natureza

nem nos deixaste sequer o direito de indagar

porque o fizeste, porque te foste.

A PIADA DA SEMANA

 


Um bêbado chegou em frente ao Planalto e deixou sua bicicleta, o segurança o chamou e disse:

– Senhor, não pode deixar sua bicicleta ai! Aqui é o Planalto, tem presidente, ministros, parlamentares entre outros. O bêbado olhou pra ele e disse:

– Não se preocupe eu tenho cadeado.

(Piadas: http://www.piadas.com.br/)


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