A matéria já estava pronta, tinha até título: “O voto e o lixo”. Faltava apenas uma foto para ilustrar o texto e que seria tirada no domingo, 07, num provável flagrante de eleitores circulando entre lixo e entulho para poder votar.

Eis que, como mágica, surgem no dia 05 de outubro – antevéspera do pleito eleitoral – algumas máquinas e caçambas para fazer um faxinaço.

Sim, estou falando da “vergonha de Ilhéus”, aquele absurdo de lixão ao lado (e agora também dentro) do CAIC, no bairro Hernani Sá.

Os montes de lixo, além de adentrarem à área do colégio, já estavam obstruindo metade de uma das vias de acesso àquele centro educacional.

Não por mero acaso, nem por coincidência, o CAIC é uma movimentada seção eleitoral do município. Já pensou, os eleitores tendo que transitar pelo lixo para exercer a cidadania? Ia pegar muito mal.

O pior é que nossas autoridades municipais não conseguem enxergar o quanto pega mal o resto do ano, durante as semanas e meses em que o descarte não é impedido nem o lixo é recolhido, alto risco à saúde de todos na vizinhança e foco potencial de doenças aparentemente esquecidas, como dengue, zika, chicungunha, febre amarela, microcefalia, leptospirose… e por aí vai.

A sensação é de que a velha cena ocasional de duas longas décadas se repete, com mais um tímido paliativo por conveniência e de curta duração.

Enquanto isso, os moradores do entorno, alunos, professores e servidores do CAIC que se lenhem – ou se iludam – na eterna esperança de uma solução definitiva para o problema.

Nilson Pessoa