Ainda estudante da FESPI gostava muito de uma matéria chamada OSPB – Organização Social Politica Brasileira, cuja matéria tinha como objetivo esclarecer aos alunos conhecimentos gerais sobre temas relevantes da politica em geral. Outra matéria que era lecionada era EMC – Educação Moral e Cívica, onde também eram abordados temas interessantes, como o Anarquismo.

Anarquismo é um sistema político que defende a anarquia, que busca o fim do Estado e da sua autoridade.

O termo anarquismo tem origem na palavra grega anarkhia, que significa “ausência de governo”. Representa o estado da sociedade ideal em que o bem comum resultaria da coerente conjugação dos interesses de cada um.

A anarquia é contra a divisão em classes e por consequência é contra toda a espécie de opressão de uns sobre os outros. Vulgarmente é entendida como a situação política em que a constituição, o direito e as leis deixam de ter razão de existir.

O anarquismo é uma teoria política que rejeita o poder estatal e acredita que a convivência entre os seres humanos é simplesmente determinada pela vontade e pela razão de cada um. É possível distinguir as correntes individualistas das correntes coletivistas no que se refere ao problema da propriedade privada.

O anarquismo recusa a reforma progressiva como meio de desenvolvimento do estado, o qual deverá ser fruto da destruição radical da ordem estatal, através da ação direta, que inclui os atentados (propaganda pela ação).

O anarquismo foi desenvolvido pelo clérigo dissidente inglês William Goldwin e pelo jovem Proudhon, e recebeu uma base filosófica da parte de Max Stirner. Encontrou os seus seguidores mais importantes entre os primeiros russos social-revolucionários (niilismo). Os seus principais representantes foram Bakunin e o príncipe Kropotkine, com Tolstói na sua vertente religiosa. Face ao problema da propriedade dos meios de produção, há duas correntes: a individualista e coletivista.

Relativamente à sua organização, há uma corrente anarcocoletivista (bakuninista) e outra anarcocomunista (kropotkiana), que se opunha aos sindicatos de classes operárias.

Apesar de a ideia central ser a mesma, o anarquismo divide-se em duas correntes diferentes. Isso acontece pois alguns anarquistas têm opiniões distintas relativamente a um mesmo tema.

As principais correntes anarquistas são o anarquismo individualista e o anarquismo coletivista.

O anarquismo individualista se opõe ao anarquismo coletivista pois crê que a coletividade pode acabar resultando em autoritarismo. Ele considera que, a partir do momento em que um grupo de indivíduos se une, esse grupo pode acabar exercendo alguma autoridade sobre os demais.

Por outro lado, o anarquismo coletivista se opõe ao anarquismo individualista pois julga que o individualismo pode resultar na mesma lógica do capitalismo. Nesse caso, o poder ficaria centralizado, por exemplo, se um indivíduo acabasse por se destacar mais do que os demais em determinada atividade.

Diferenças entre o Anarquismo, Socialismo e Comunismo

O anarquismo se diferencia do socialismo e comunismo por ser o único movimento inimigo absoluto do estado. Contudo, o anarquismo compartilha com o socialismo e comunismo muitas das suas hipóteses e objetivos. Apesar disso, o anarquismo amadureceu bastante menos que o socialismo e comunismo, e não atua unitariamente em pontos importantes.

Os três movimentos são opostos à mentalidade e economia capitalista, mas têm formas bastantes diferentes de oposição.

Enquanto o socialismo e comunismo pretendem alterar o Estado, dando poder ao proletariado e tornando as propriedades coletivas, o anarquismo

defende que o estado tem que ser completamente abolido, porque qualquer forma de Estado mais cedo ou mais tarde se transformaria em um regime autoritário, opressor e de exclusão.

O anarquismo teve o seu início por volta de 1850 graças à influência de imigrantes vindos da Europa. Atingiu o seu ponto mais alto no século XX, pois era uma doutrina muito apreciada entre as classes operárias, o que gerou as grandes greves em São Paulo e Rio de Janeiro, em 1917, 1918 e 1919. O partido Comunista Anarquista ficou menos influente com a criação do Partido Comunista em 1922.

Apesar de ainda existirem no Brasil alguns movimentos anarquistas, este não possuem a mesma relevância de outros tempos.

Características do Anarquismo

•Busca o fim do Estado;

•Rejeita o poder estatal;

•Rejeita o autoritarismo;

•Crítica ao capitalismo;

•Crítica às diferenças entre as classes sociais e econômicas;

•Não nega a ordem social ou o desenvolvimento, mas sem a influência de um governo;

•Valorização de instituições econômicas e sociais que sejam formadas por membros voluntários;

•Contra a monopolização da propriedade (privada e pública);

•Exigência de um grande senso ético das pessoas para que possa funcionar.

Colaboração de Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa