Por Gustavo Kruschewsky

Professor e Advogado.

A beleza das pessoas, vista no ângulo da silhueta, analisando-se apenas o conjunto das linhas, da cor, das formas corporais “perfeitas” e das proporções “harmônicas” é de significação meramente específica e não escapa da relatividade.

Para este articulista a visão do belo é muito mais abrangente, apesar de ser também relativista. Manifesta-se em variadas acepções. Talvez mais nobres e grandiosas que o ser hominal pode ter. A exemplos de a pessoa ser: “agradável, feliz, serena, harmoniosa, formosa, grandiosa, imponente, sublime e de elevado valor moral”. Mas, apesar de certas “imperfeições” que a pessoa carrega nas suas ações não inviabiliza a admiração e o prazer que se sente por ela e ao lado dela. É muito comum determinada “imperfeição” aproximar ainda mais uma pessoa da outra ou de determinados agrupamentos. Da mesma forma que determinadas imperfeições de alguém podem ser causa de separação. É o princípio da aceitação e da não aceitação.

Mas, os estudiosos dizem que o grande inimigo da beleza é o próprio caráter da pessoa. Os filósofos se perguntam: seria possível alterar o próprio caráter? A palavra caráter é oriunda do grego “indica impressão, gravura”. Ele, o caráter, é gravado em cada um de nós pela própria natureza. É a nossa essência. Podemos deletá-lo? Perguntar-se-á.

Certo Dramaturgo da antiguidade externou que: “Naturam expellas furca, tamen usque recurret. Ou seja: Se expulsas com o forcado a natureza, ela mesma, no entanto, voltará”. Neste contexto, tentar mudar a natureza é chover no molhado? É inútil tentar eliminar o que é natural, por quê? Será que ela, a natureza daquele ser, logo voltará? Talvez a expulsão da natureza má do ser hominal deva ser utilizando-se a educação como forcado. Hoje, já existem muitas técnicas educativas para dar traços de beleza ao espírito humano, transformando-o para “melhor”.

Portanto, o temperamento de cada um, a sua essência, aquilo que constitui a natureza da pessoa, considerando-se “o conjunto das suas qualidades (boas ou más) e que lhe determinam a conduta e a concepção moral” pode dotar ou não a pessoa de predicados belos.

Na verdade, o belo em sua essência, o “to kalón”, como diziam os gregos, é relativo. O belo não possui um arquétipo. É também questão cultural. Perguntem a um sapo o que é uma pessoa bela e ele vai responder: É minha fêmea e companheira “com dois grossos olhos redondos quase saltando de sua pequena cabeça, uma goela larga e chata, um ventre amarelo, um dorso chato”. E conclui o anfíbio anuro (sapo): Para mim ela é bela. Admiro muito e tenho prazer em viver com ela.

Para o negro ou a negra da África; o belo é “uma pele negra, oleosa, olhos cravados, nariz achatado”. Uma “burguesinha” brasileira, sem um sentimento maior, certamente vai dizer que é um homem MALHADO ou uma mulher MALHADA com os olhos da cor do céu e os cabelos lisos e loiros. A altura talvez não tenha muita relevância. Nos três exemplos citados, verificar-se-á que no primeiro está o sentimento que causa admiração e prazer. Nos dois últimos apenas a admiração. Sentindo-se ao mesmo tempo a admiração e o prazer alcança-se o belo.

Ter relacionamento com pessoas belas, no nosso viver e conviver cotidiano, é tão importante para o espírito como o oxigênio para o corpo. A falta do oxigênio como da beleza adoecem. Muita gente morreu decepcionada, sem encontrar um mínimo traço do “belo” em muitas pessoas das quais conviveu e que se achavam ”belas”.

Observe-se a agonia destes versos que se seguem nesta composição poética de pequena extensão. A poetisa demonstra a incansável espera de encontrar algo ou alguém. Ela quer concretizar o encontro com o belo. A admiração já existe só resta vivenciar o prazer.

Assim se expressa: “quisera ter asas… quisera ter a audácia dos ventos… quisera ser areia morna para sentir o seu corpo em mim… quisera sorrir o seu sorriso doce e impregnar-me da sua alegria… Mas, onde está você? No colorido das flores? Esconde-se nos caracóis? Permaneço aqui, embebida de saudades… A esperar”.