“Natal é sempre um momento forte e muito especial na vida de todas as pessoas e, de um modo todo particular, para nós que somos cristãos. Todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, cada um à sua maneira, recordam e celebram o grande acontecimento de Jesus.

Em Jesus, o filho de Maria e de José, é o próprio Deus que se encarna, se faz um de nós, que assume a nossa condição humana, menos o pecado, que vem viver no meio de nós para nos trazer a Vida, a Esperança, a Luz… “o povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. Sobre aqueles que habitavam a terra da sombra, uma luz resplandeceu”(Is.9,1). Jesus vem para nos conduzir à plenitude da vida: “Eu vim para que todos tenham Vida, e vida em abundância (Jo 10,10).

É portanto, a grande festa da Vida que nasce, que vem a nós, assim como é expresso em um dos cantos muito cantado nesse tempo: “Natal é vida que nasce; Natal é Cristo que vem; Nós somos o seu presépio, e a nossa casa é Belém” .

É Jesus que vem, por isso nos preparamos… Porque é um momento tão importante, nós, como comunidades cristãs, o preparamos com carinho durante as quatro semanas do tempo de Advento, que é tempo de espera daquele que está por chegar.

Ele vem e quer morar em cada um de nós (nós somos o seu presépio), em nossa família (a nossa casa é Belém), em nossas comunidades. E nós queremos acolhê-lo. Mas não queremos acolhê-lo de qualquer jeito, com a casa (coração) desarrumada, empoeirada, bagunçada. Por isso preparamos o ambiente: varremos toda a sujeira que foi se acumulando ao longo do tempo, enfeitamos a casa (através da oração e reflexão nos grupos de famílias, nas comunidades…), abrimos as portas para receber a Jesus que vem a nós e quer conosco morar, caminhar, acolhendo-o em todos os nossos irmãos e irmãs, especialmente naqueles com os quais Jesus se identifica e solidariza: os pobres, os doentes, as crianças, os idosos, os marginalizados, os pecadores.

O Natal nos ensina … O nascimento nos ensina muitas coisas que, se levadas para a vida, nos ajudam a ser melhores e a servirmos mais às pessoas. O fato de Jesus ter querido nascer menino, como nascemos todos nós, nos ensina que devemos, como cristãos, viver simplicidade, a alegria, a ternura, a confiança que são próprias das crianças. Viver, em outras palavras, a infância espiritual. O próprio Jesus quis viver aquilo que depois, no seu Evangelho, coloca como condição para fazer parte do seu Reino: ser como criança.

Jesus quis nascer numa estrebaria e ser colocado dentro de uma manjedoura, para nos ensinar que somos chamados a viver uma vida de desprendimento, que precisamos viver uma vida simples, sem apegar-nos às coisas materiais, ao luxo, ao bem-estar, mas confiando sempre em Deus e na sua Providência que nunca falha. Quer nos ensinar que a Vida e a felicidade verdadeiras não estão no ter, nas riquezas, mas aquilo que somos, no saber, a exemplo de Cristo, solidarizar-nos, a comprometer-nos com os

pequenos e marginalizados, partilhar nossos dons e nossos bens com todos.

Natal é também solidariedade … O Natal é, de fato, um momento em que todos se abrem para as necessidades dos irmãos e irmãs. Basta constarmos as muitas campanhas que as mais diversas organizações religiosas, sociais, políticas… realizam. O desafio ainda é no sentido de não ser simplesmente uma “campanha” passageira, nem de darmos aquilo que está sobrando (que já pertence ao pobre), mas que cresça no sentido de uma verdadeira e permanente solidariedade. Amor e solidariedade verdadeiros, no dizer da grande apóstola dos “pobres entre os pobres”, Madre Teresa de Calcutá, acontecem quando nos fazem sentir dor, quando custam sacrifício, renúncia de nossa parte, quando partilhamos não porque nos sobra mas porque sentimos e nos solidarizamos de verdade com as necessidades dos outros.

Neste aniversário de Jesus Cristo, vamos acolhê-lo mais uma vez neste Natal, na nossa casa, na nossa vida e deixar que Ele nos renove, nos reanime, confirme a nossa fé e nos faça viver e testemunhar sempre com mais alegria, entusiasmo e convicção o nosso batismo, o nosso ser cristão.

Só assim nossas famílias, nossas comunidades, nossa Igreja, nossa sociedade serão um sinal mais visível e convincente de que o Reino de Deus está presente no meio de nós. E será sempre Natal.

Luiz Moreira Castro