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A facada no cacaueiro

Luiz Ferreira da Silva, 81

Pesquisador aposentado do CEPEC e Escritor

luiz [email protected]

Para ser um bom agrônomo, é preciso entender o que as plantas “falam”, auscultando como faz o médico. Elas podem indicar o seu sentimento. Quando tem sede, seus estômatos (poros das folhas) se fecham e as folhas murcham, ficando tristes. Ao faltar comida (nutrientes do solo), se expressam no tamanho das folhas, ou na queda dos frutos.

Desenvolvi uma maneira de me comunicar com as árvores, que denominei de telepatia fito-delirante, trocando energias. Lógico, pura invencionice minha.

Numa tarde, em Coaraci, defrontei-me com um belo cacaueiro que crescera sob solos férteis, notando certa tristeza, expressada na cor sem brilho de sua folhagem.

Diante daquele quadro, tentei dialogar. Não foi fácil, mas entendi que estava sofrendo com a perda de seus frutos, até temendo por sua própria vida.

– Perguntei-lhe o que havia acontecido? Com a voz embargada, denotada pelo balançar da sua copa, desfiou lamentações.

“Vim de longe, lá das barrancas do Rio Jari, na Amazônia, convivendo com diversos inimigos naturais, mas sem maiores problemas, pois havia o equilíbrio ecológico. Aqui, virei baiano e, encontrando condições excelentes ambientais vicejei, produzi alimentos, distribui riquezas e conservei o ambiente úmido florestal”.

– Insisti: E o que aconteceu? “Tentaram nos matar, trazendo criminosamente a vassoura-de-bruxa, justamente num momento em que a região estava descapitalizada, o cacauicultor endividado e a CEPLAC, construída pelos nossos pais, fragilizada”.

– E quem faria uma estupidez desta, burlando um cinturão protetivo montado pela própria Instituição?

“Eu estou com mais se 80 anos e, na Natureza, temos que aprender a cada dia e ficarmos atentos às ações do homem, nem sempre sensatas. De repente, ventos malcheirosos começaram a soprar, estimulando os inimigos da lavoura, desde aqueles que não suportavam a rigidez profissional da CEPLAC; aos com sede de poder, atrelando-se a grupos sectários”

– Isso quer dizer que foi uma ação humana criminosa e premeditada?

“Não tenho provas testemunhais, mas quem faria isso senão tresloucados locais com aqueles perfis? Foi uma cartada de mestre: era bastante dar uma “facada” no fruto-ouro, que se desmoronaria toda economia sul baiana, atingindo a CEPLAC e o produtor, alvos em seu vade-mécum para atingir o poder. E, o mais importante para os insanos, a convulsão social com o desemprego de mais de 200 mil trabalhadores. E tudo aconteceu conforme fora orquestrado”

– Então, foram eles, aqueles denunciados por Dilson Araújo (O nó, ato humano deliberado)?

– Abriu seus estômatos, fez verter lágrimas de dor, e malandramente:

“O problema é de vocês. Apenas desejo que seja desvendada essa sabotagem, pela importância em salvaguardar outros cultivos, que podem também ser contaminados criminosamente como aconteceu com a gente. Também por ser um crime de lesa pátria, jamais prescrito”.

-Tirei o chapéu e o reverenciei.

2 respostas para “A facada no cacaueiro”

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