Pobre coitada, nossa querida Ilhéus. Ela não tem culpa de nada, pelo contrário, a exuberância de suas belezas naturais acaba quase conseguindo encobrir o descaso do lixo. Eu disse quase, já que é impossível essa vergonha passar despercebida aos nossos olhos a aos dos que nos visitam.
Entra ano, sai ano, entra prefeito, sai prefeito e justo na alta estação, época em que essa cidade de vocação turística deveria estar impecável, o lixo toma conta. As justificativas são sempre as mesmas: “aumento da população flutuante e da quantidade de resíduos produzidos”; “fim do contrato com a empresa prestadora do serviço de coleta e limpeza” e blá, blá, blá…
O eterno e insolúvel lixão do CAIC (12-01-19)
Não sei se é só incompetência dos nossos gestores ou o que mais é, o fato é que eles nunca têm um Plano B autossuficiente. A desculpa talvez seja o tal do custo, que eles ainda não conseguiram entender que esse “custo” não é custo e sim investimento, pois o turista que gostar vai divulgar, vai voltar e mais turistas virão. Quem seria louco de recomendar ou retornar a uma cidade imunda?
Enquanto nossos alcaides confundirem custo e investimento, vai continuar sendo como é, a cidade suja, o lixo acumulado do réveillon (inclusive nas praias) e o turista sem poder comer um petisco na cabana por causa do mau cheiro. Aliás, o turista só não, nós também. Eu mesmo, conhecido rato de praia, já risquei esse programa da minha lista desde o natal.
Cidade turística? Potencial inesgotável para ser, porém a realidade é crua: na prática, ainda não passamos de um mero balneário de veraneio.
Nilson Pessoa