É natural que um município constitua uma identidade própria a partir da sua principal atividade econômica, seja ela de cunho agrícola, industrial, comercial, turístico, etc. Não é preciso sairmos do estado da Bahia para citar alguns exemplos. Camaçari: polo industrial, Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus: comércio, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães: agricultura da soja.
Ilhéus perdeu sua identidade quando perdeu a fartura e a riqueza do cacau. Lá se vão três décadas.
De lá pra cá, o fruto de ouro ficou só na memória e foi pras cucuias a pretensão de alguns no rico Estado Independente de Santa Cruz. Depois tentou-se o polo industrial, não deu. O comércio é morno, quase frio, e não deslancha. O setor de serviços atende de mal a pior. Enquanto isso, filhos da Terra da Gabriela debandam em busca de oportunidades noutras cidades e noutros estados.
Aí vem a pergunta. Por que não nos tornamos uma cidade turística de verdade, que se sustente e viva do turismo como Porto Seguro, Itacaré, Gramado ou Campos do Jordão?
Parece fácil, mas não é. Porém, nessa longa caminhada em busca da identidade turística, já levaríamos uma senhora vantagem: belezas naturais,  um pedaço de Mata Atlântica, praias, rios, brisa, sol e clima perfeito. A Natureza foi generosa e nos encheu de coisas boas e bonitas, e nós aqui, inertes, de braços cruzados, tentando só piorar nossas paisagens, sobretudo com montanhas de lixo que causam nojo e afugentam os visitantes.
Como já disse, não é fácil. Entre um município ter vocação turística e ser um polo turístico há uma enorme diferença, a transição pode demandar décadas e gerações.
Jeito tem, mas não da noite pro dia. A identidade turística nasce da vocação de um lugar e seu povo, se forma com a conscientização geral de governantes e governados, unidos, dormindo e acordando com o pensamento “eu vivo do turismo, sem ele não sei o que seria de mim“.
O turismo, enquanto atividade econômica, gera emprego e renda, vai muito além dos guias, das agências e dos hotéis. Emprega gente no comércio em geral, em portos, aeroportos, estações rodoviárias, motoristas, taxistas e trabalhadores de várias áreas, nos mais diversos setores.
Sair da posição de balneário de veraneio e ingressar no rol de cidade turística de fato, requer foco, oferta de cursos de capacitação e especialização na área, infraestrutura em equipamento e mobilidade, muito treinamento para atender e recepcionar com excelência, conscientização de todos na conservação e preservação do patrimônio ambiental, artístico, histórico e cultural… Complicou, ainda não temos nenhuma dessas características, né?  Sinal de que perdemos muito tempo e deveríamos ter iniciado essa empreitada há pelo menos vinte anos. Mas diz o ditado que nunca é tarde para um recomeço.
Nilson Pessoa