COMO SALVAR A LAVOURA DO CACAU?

Luiz Ferreira da Silva, 82

Contribuição à atual Diretoria da CEPLAC,

pela sua importância como agente

 do Governo Federal, que poderia articular

os segmentos da cacauicultura baiana.

em prol da sua recuperação, de modo integrado,

sistêmico e pragmático

(Maceió, AL, 06 de abril de 2019).

O presente documento corrobora a exposição verbal do colega José Carlos Castro de Macedo ao Diretor, Guilherme Galvão, feita num pequeno grupo, quando foi taxativo na implantação de um programa, a exemplo do PROCACAU, como catalizador da recuperação da economia do cacau.

Tanto ele quanto eu, dedicamos toda a nossa vida profissional a expensas do cacau, através da “ESCOLA-CEPLAC”, que nos ensinou o valor do trabalho, eivado de dedicação e ética. Neste momento de débâcle da região cacaueira, não poderíamos deixar de expressar a nossa gratidão através desta propositura que possa revitalizar o tripé do cacau o cacaueiro, o agricultor e a instituição.

É preciso deixar claro que a atual crise do cacau difere de tantas outras do passado:

– A decadência do cacau, cuja região se empobreceu com a sua derrocada, passando de exportadora para importadora;

– A deterioração da CEPLAC, passando de modelo eficaz para uma organização sem ânimos e sem recursos, cada vez mais declinando, sobretudo pela ingerência política insensata e descomedida; e

– A descapitalização e endividamento do produtor de cacau.

Isso significa que a recuperação das plantações e novos cacauais, dependem da solução do tripé, para o qual as ações se interdependem e são urgentes.

Primeiramente, é importante tirar a região da letargia. Quem não se lembra do Procacau que proporcionou um choque positivo em todos os segmentos da economia, alavancando-a?!

A revitalização, pois, passa por um novo Procacau, o II atrelado à solução das dívidas dos produtores, para que eles voltem a recuperar suas roças infestadas pela vassoura-de-bruxa e, também, expandi-las com novos plantios, como souberam fazer nos 10 nos de vigência do programa anterior, cujos resultados carimbaram o “Quinquênio de Ouro”. São eles os PROTAGONISTAS!

Por outro lado, o citado projeto seria uma alavanca desenvolvimentista ativando o comércio, as indústrias de insumo, os investidores, energizando a região, hoje em fogo morto, além de provocar os demais integrantes do agrossistema cacaueiro, sobretudo ajuizando a pesquisa, que teria de se municiar de instrumentais para não ficar à deriva do processo.

Então, sem mais delongas, urge a implantação do PROCACAU-II, eivado de metas, recursos financeiros e humanos e medidas de incentivo e compensatórias a um empreendimento desta envergadura, nada adiantando as medidas paliativas e remendos, tampouco, embromações políticas. É tarefa para quem vive do agronegócio – do homem que planta ao que consome, com ênfase no setor industrial.

No caso da reestruturação da economia cacaueira sul-baiana/ capixaba, evocando o livreto divulgado pelo autor e José Carlos Castro de Macedo, 3 anos atrás – “PROPOSTA PARA REATIVAR A CACAUICULTURA NACIONAL, que não teve o eco esperado, seriam estabelecidas metas substanciais de replantação (renovação de cacauais velhos e envassourados); recuperação das roças que tem condições de reversão e expansão (novos plantios):, objetivando uma nova cacauicultura de altos insumos, tendo em mente que o tempo da baixa produtividade não mais se coaduna com o momento tecnológico da agricultura brasileira, cujo salto se deu com o uso de técnicas integradas, enfocada no manejo do solo, que transformaram os cerados, antes solos imprestáveis, em terras produtivas.

E o cacau tem que começar a se preparar para esse novo momento, já existindo um exemplo exitoso de plantio de cacau em solos de tabuleiro no extremo sul da Bahia, a nova fronteira agropecuária, utilizando a fertirrigação. Acresce-se o “boom” da celulose com mais de 600 mil hectares de plantios de eucalipto com tecnologias de precisão.

Um programa dessa magnitude requer uma base de produção de mudas seminais e/ou outros materiais clonais, como acontecera durante o PROCACAU-I, através os campos de produção de sementes híbridas tão bem conduzidos pela CEPLAC. Hoje, dispõe-se da Biofábrica, destinada a produção em escala industrial de material genético, numa área de 60 hectares, em Banco do Pedro, à margem do rio Almada, no município de Ilhéus. Possivelmente, vai ser preciso um novo choque de qualidade gerencial para voltar ao anterior nível de eficiência e eficácia.

Para implantação do PROCACAU-II, teria que o Governo Federal disponibilizar substanciais recursos (a serem quantificados), num espaço temporal de 10 anos, incluindo também investimentos na pesquisa, no fomento e no treinamento de pessoal, sem contar as medidas compensatórias para tornar os produtores aptos ao processo de financiamento de seus imóveis rurais, hoje incapacitados por suas dívidas.

Vale a pena reforçar e destacar a importância estratégica deste programa de revitalização do cacaueiro, com a conotação de “PUXADOR”, como um equivalente ao da Escola de Samba, que comanda 5.000 passistas cantando o samba enredo – uma espécie de “Jamelão do Cacau”.

Só assim e não há outra maneira, a região tomará outro fôlego com a geração de empregos e renda; dinamização de serviços gerais; reativação do comércio e da indústria de insumos agrícolas; e circulação integrada de recursos financeiros dos três segmentos econômicos, beneficiando toda região cacaueira e criando um ambiente de prosperidade, ânimo e fé, tendo o Homem no seu epicentro.

 

FALÁCIA x VERDADE

Amauri Rodrigues, Eng. Agrônomo (ENA-1957)

(Escritor Von Steisloff)

Dizem, os que entendem de ser humano, que certos acontecimentos impressionam de forma diferenciada cada pessoa. Pode até ser verdade. Ou será uma falácia? No meu entender pode se ter ai uma bom exemplo de falácia. Nesse caso falo, como se diz, de cadeira; sou entendido de ser humano; espécie de psicólogo pirata. Não sou psicólogo de formação. Entretanto sou graduado e frequentador da universidade das ruas. Meu lugar de nascimento deu-me a misteriosa e extraordinária vantagem de ser um observador privilegiado do bicho-homem; suas manias, maneirismos e o escambau. Ora! Sou das Minas Gerais. Falo por poucas palavras. Ouço, vejo bem nos olhos, nos trejeitos, escuto muito e, por isso confesso que mato logo charada: o gênero, a espécie e até variedade das gentes que passam pela minha vida de curioso observador. Se o cara começa, por exemplo, com uma injustificável tossezinha, um pigarrear ou um puxadinho de fio de bigode, já sei! Tá com medo de mostrar-se. Está tentando mentir e não ser descoberto. É um viciado na desfaçatez da enganação e tem receio que seja descoberto.

Na minha juventude e depois da vida profissional ali pelo Rio de Janeiro, mantive a mania folgazã, de anos a fio, nas sextas-feiras, sentar-me no Amarelinho, da Cinelândia e conversar com quem se aproximava para deliciar, comigo no desfrute de um chope gelado. O local era mágico para minha pessoa. Mas para alguns; muitos dos meus conhecidos eventuais e amigos, o local nada significava! Não se impressionavam, como eu, com o magnetismo daquele ambiente. De um lado, na tarde e na noite que nos envolvia, ali estava o Teatro Municipal feericamente iluminado. Na outra ponta da Praça Marechal Floriano, um extraordinário monumento à arquitetura, o Palácio Monroe. As pessoas reagem de forma diferenciado. Uns são insensíveis com batráquios. Outros como este cronista são tocados pelas simples vibrações do local, os ruídos e as visões. Os entes sensíveis ficam a imaginar como teria sido no passado, o mais remoto, aquele local; ali na efervescente Cinelândia, Rua do Passeio e Palácio Monroe?

O que aconteceu com o Palácio Monroe? Disseram e afirmaram alguns por muito anos que foi demolido porque estava na rota do projeto do Metrô! Mas não foi assim! O Metro foi construído e passou ao lado. A demolição do Monroe foi após o final da execução do projeto daquela linha do Metro do Rio de Janeiro. A realidade da demolição do Palácio Monroe foi uma das minhas razões de tristeza e indignação pela decisão de demolir. Por que? Quem decidiu demolir, mesmo violentando o povo da Cidade Maravilhosa? Foi o presidente Geisel? Por que mandou demolir? Quem foram seus aliados da decisão? O CREA-Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia? Muitas falácias. E as verdades quais são?

Durante anos, depois da demolição do Palácio Monroe, estive local e até mesmo no Amarelinho. Tudo muito sem graça agora para minha pessoa. Quantas vezes entrei naquele magnifico edifício de grandiosas histórias. La funcionou o Senado Federal. Eu ia em busca dos favores de alguns senadores para obter Emendas no Orçamento da União em proveito de instituições assistências do Rio Grande do Sul, onde comecei a minha vida profissional. Dia desses entrei para estacionar em uma garagem subterrânea localizada exatamente sob as antigas fundações do demolido Palácio! Naquela escuridão da enorme garagem, voltou-me os pensamentos de indignação, revolta mesmo, contra os que que fizeram aquela desgraça e indignidade contra o patrimônio do Rio Janeiro.

Já está entrando quase a madrugada do sábado, estou acabrunhado e necessito tentar esquecer; escrever outras palavras mais amenas para minorar o meu desânimo. Se os meus leitores forem portadores de interesse, sensibilidade e coragem para saber as verdades, baixem no Google qualquer link (são vários disponíveis) que narre a odisseia da demolição do Palácio Monroe, a joia premiada da arquitetura. (5/4/2019)

 

O PENSAMENTO DA SEMANA

Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente.

 

A POESIA DA SEMANA

OS ESTATUTOS DO HOMEM

(Ato Institucional Permanente)

Thiago de MelLo

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,

inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem

não precisará nunca mais

duvidar do homem.

Que o homem confiará no homem

como a palmeira confia no vento,

como o vento confia no ar,

como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem

como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens

estão livres do jugo da mentira.

Nunca mais será preciso usar

a couraça do silêncio

nem a armadura de palavras.

O homem se sentará à mesa

com seu olhar limpo

porque a verdade passará a ser servida

antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,

a prática sonhada pelo profeta Isaías,

e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido

o reinado permanente da justiça e da claridade,

e a alegria será uma bandeira generosa

para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor

sempre foi e será sempre

não poder dar-se amor a quem se ama

e saber que é a água

que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia

tenha no homem o sinal de seu suor.

Mas que sobretudo tenha

sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,

qualquer hora da vida,

uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,

que o homem é um animal que ama

e que por isso é belo,

muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado

nem proibido,

tudo será permitido,

inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:

amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro

não poderá nunca mais comprar

o sol das manhãs vindouras.

Expulso do grande baú do medo,

o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

para defender o direito de cantar

e a festa do dia que chegou.

Artigo Final

Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

O coração do homem

A PIADA DA SEMANA

 

Garotinho de 5 anos: – Mãe, coração tem pernas? – Claro que não, menino! por que tal pergunta? – É que passei pela porta do quartinho da empregada e ouvi o meu pai dizendo: “abra as pernas, coração”!

 

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