LIVRO DA DILU

Dilu Machado, nossa colega ceplaqueana, nasceu em Ubaitaba e passou a adolescência em Ilhéus. É pedagoga, pós-graduada em língua inglesa com ênfase em cultura e suas diversidades. Poeta, cantora e compositora. Além deste, possui três livros ainda inéditos.

Ela mesmo, nos conta: – Meu livro “Sob o sol de Salvador”, relata fatos pitorescos e tragicômicos ocorridos com turistas estrangeiros que visitaram a Bahia nos anos 90. São “causos” verídicos que colecionei num período de 20 anos, ouvidos de um Guia e fruto do período que hospedei estudantes estrangeiros que vinham aprender Português aqui em Salvador. São estórias que apesar de engraçadas ou trágicas, demonstram a diversidade entre as culturas e podem servir para compreendermos e aceitarmos outras raças nas suas idiossincrasias e diferenças. E espero que sirvam para o leitor dar boas risadas, objetivo principal do livro.

Dilu Machado, com singular perícia literária influenciada pelo bom humor, traz a lume situações, algumas até hilariantes, provocadas pela diversidade cultural dos estrangeiros que nos visitam. E nos oferece oportunidade de uma reflexão para compreendermos essas diversidades.

O livro é um deleite para entendermos melhor sobre essa transitoriedade global: turistas encantadores, muitas vezes ingênuos, nos fazem lembrar que basta ser estrangeiro para começar a saga de pagar “mico”. Tais situações se transformam no que há de mais precioso ao final das viagens, transformar tudo em causos que geram boas gargalhadas. (Vitória Régia Sampaio, professora, cineasta, poeta, co-fundadora do Movimento Exploesia).


ENTURMANDO OS VELHINHOS NA TI:

(E-BOOK)

Luiz Ferreira da Silva

[email protected]

As livrarias estão disponibilizando livros em formato digital de fácil acesso e leitura agradável. Podem ser lidos em notebook, tablet e smartfone.

Melhor ainda em leitoras como a Kindle, vendida pela Amazon: www.amazon.com.br)

Nestas, pode-se ter uma biblioteca ampla. O formato permite ler em qualquer lugar e virar as páginas como se estivesse lendo um livro em papel. Vale a pena adquirir, pois ademais se coliga com a Amazon e facilita a aquisição de obras, inclusive antigas.

O importante é baixar o aplicativo KINDLE, que vai permitir adquirir os livros digitalizados e posteriormente lê-los em quaisquer dispositivos conforme já enumerei, não precisando comprar a leitora mostrada.

(https://play.google.com/store/apps/details?id=com.amazon.kindle)

 

Entrando no site da Amazon (www.amazon.com.br) , ou outras digitais, dispõe-se de milhares de e-book a preços baixos em relação aos de papel, inclusive alguns meus, como o recente livro – A Fome Globalizada – que ainda não saiu em formato físico. Não dá mofo e não se precisa usar naftalinas.

(Preço do e-book: 9,90)

Esclareço que não trabalho na AMAZON e, tampouco, sou seu garoto-propaganda. O objetivo é facultar aos colegas (70/80) mais esta ferramenta da era moderna para o prazer da leitura, ademais da maneira salutar de preencher o tempo disponível pós-aposentadoria. (Maceió, Al, 29 de abril de 2019)

 

 O NARIZ

Luís Fernando Veríssimo

Era um dentista respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculdade. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de uma sólida reputação como profissional e cidadão. Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha com óculos de aros pretos, sobrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com o Groucho Marx. Mas o nosso dentista não estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa de almoço – sempre almoçava em casa – com a retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.

– O que é isso? – perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.

– Isto o quê?

– Esse nariz.

– Ah, vi numa vitrina, entrei e comprei.

– Logo você, papai…

Depois do almoço ele foi recostar-se no sofá da sala como fazia todos os dias. A mulher impacientou-se.

– Tire esse negócio.

– Por quê?

– Brincadeira tem hora.

– Mas isto não é brincadeira.

Sesteou com o nariz de borracha para o alto. Depois de meia hora, levantou-se e dirigiu-se para a porta. A mulher o interpelou:

– Aonde é que você vai?

– Como, aonde é que eu vou? Vou voltar para o consultório.

– Mas com esse nariz?

– Eu não compreendo você – disse ele, olhando-a com censura através dos aros sem lentes. – Se fosse uma gravata nova, você não diria nada. Só porque é um nariz…

– Pense nos vizinhos. Pense nos clientes.

Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risadas (“Logo o senhor, doutor…”), fizeram perguntas, mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.

– Ele enlouqueceu?

– Não sei – respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. – Nunca vi “ele” assim.

Naquela noite, ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois, vestiu o pijama e o nariz postiço e foi se deitar.

– Você vai usar esse nariz na cama? – perguntou a mulher.

Vou. Aliás, não vou mais tirar este nariz.

– Mas, por quê?

– Porque não!

Dormiu logo. A mulher passou metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado. Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.

– Papai…

– Sim, minha filha.

– Podemos conversar?

– Claro que podemos.

– É sobre esse seu nariz…

– O meu nariz, outra vez? Mas vocês só pensam nisso?

– Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra, um homem como você resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?

– O nariz é meu e vou continuar a usar.

– Mas por que, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.

– Não tem porque não quer…

– Como é que ela vai à rua com um homem de nariz postiço?

– Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um nariz de borracha não faz nenhuma diferença. Se não faz nenhuma diferença, por que não usar?

– Mas, mas…

– Minha filha.

– Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!

A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio. Os amigos mais chegados, numa última tentativa de salvar sua reputação, o convenceram a consultar um psiquiatra.

– Você vai concordar – disse o psiquiatra depois de concluir que não havia nada de errado com ele – que seu comportamento é um pouco estranho…

– Estranho é o comportamento dos outros! – disse ele. – Eu continuo o mesmo. Noventa e dois por cento do meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de pensar, nem de me comportar. Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai, contribuinte, sócio do fluminense, tudo como antes. Mas as pessoas repudiam todo o resto por causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?

– É… – disse o psiquiatra. – Talvez você tenha razão…

O que é que você acha, leitor? Ele tem razão? Seja como for, não se entregou. Continua a usar o nariz postiço. Porque agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios.

 

O PENSAMENTO DA SEMANA

Acredite em si próprio e chegará um dia em que os outros não terão outra escolha senão acreditar com você.(Cynthia Kersey)

 

A POESIA DA SEMANA

Ontem ao luar

Catulo da Paixão Cearense

 

Ontem, ao luar, nós dois em plena solidão

Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.

Nada respondi, calmo assim fiquei

Mas, fitando o azul do azul do céu

A lua azul eu te mostrei

 

Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti

Uma nívea lágrima e, assim, te respondi

Fiquei a sorrir por ter o prazer

De ver a lágrima nos olhos a sofrer

 

A dor da paixão não tem explicação

Como definir o que eu só sei sentir

É mister sofrer para se saber

O que no peito o coração não quer dizer

 

Pergunta ao luar, travesso e tão taful

De noite a chorar na onda toda azul

Pergunta, ao luar, do mar à canção

Qual o mistério que há na dor de uma paixão

 

Se tu desejas saber o que é o amor

E sentir o seu calor

O amaríssimo travor do seu dulçor

Sobe um monte à beira mar, ao luar

Ouve a onda sobre a areia a lacrimar

Ouve o silêncio a falar na solidão

De um calado coração

A penar, a derramar os prantos seus

 

Ouve o choro perenal

A dor silente, universal

E a dor maior, que é a dor de Deus

 

A PIADA DA SEMANA

 

Durante uma consulta médica a loira pergunta:

– Doutor, vai doer?

O médico responde:

– Vai sim, mas até amanhã passa!

E a loira diz:

– Então amanhã eu volto!

Piadas: http://www.piadas.com.br/


 

oOo

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